Cheganças da Bahia participaram de encontro em Saubara

Cultura

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Foto: Divulgação


Quase 400 cheganceiros e cheganceiras coloriram de branco e azul as ruas de Saubara no último sábado, 5 de agosto. Integrantes de 12 grupos de Cheganças e Marujadas participaram do V Encontro de Cheganças da Bahia, a convite da Associação Chegança dos Marujos Fragata Brasileira.

O Encontro de Cheganças agita Saubara, pequena cidade do recôncavo baiano (110km de Salvador, a oeste da Baía de Todos os Santos), desde 2013. Mais do que dar visibilidade aos grupos organizados no estado, esse evento, criou um espaço de conversa sobre as Cheganças e Marujadas, que tem como principal pleito a sua inscrição no Livro de Registro Especial das Expressões Lúdicas e Artísticas do Estado da Bahia, ato que concretiza o registro dessa manifestação popular tradicional como Patrimônio Cultural Imaterial do estado.

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Durante a programação do V Encontro, representantes das Cheganças de Saubara, Chegança Arembepe/Camaçari, Paratinga, Cairú, Taperoá, Andaraí, Remanso e Lençóis reuniram-se com representantes do IPAC, CCPI e do Conselho de Cultura, compondo a mesa Caminhos já percorridos para o Registro e o que falta para completar a caminhada.

O processo de reconhecimento como patrimônio imaterial está na fila do IPAC, aguardando o próximo passo que é a produção do Dossiê das Cheganças e registro definitivo da manifestação. O diretor de patrimônio imaterial do IPAC, Roberto Pelegrino, prometeu celeridade para os processos e acredita que no próximo ano o Dossiê estará pronto.

O cheganceiro de Saubara e representante da Associação Chegança dos Marujos Fragata Brasileira, Rosildo do Rosário, coordena o evento desde a sua primeira edição. Rosário, que já mapeou a existência de cerca de 25 grupos na Bahia, comemora os resultados deste V Encontro: “Demostramos a nossa capacidade de articulação e marchamos firmes no propósito de ver essa manifestação reconhecida como Patrimônio Cultural do nosso Estado”, afirma Rosário.

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O Cheganceiro ressalta, ainda, que o Encontro vai além dos aspectos lúdicos e exalta a tomada de consciência do papel dos cheganceiros sobre a importância do seu fazer cultural para a memória histórica do estado. “Estamos cuidando da formação política cultural, da observância do fazer cultural, aprendendo que somos muitos espalhados em cada canto, mas que temos em nosso interior um pulsar, embalados que somos pelos movimentos do além mar”.

A Chegança ou Marujada é considerada uma “dança dramática”. Essa expressão foi popularizada por Mário de Andrade e é o nome genérico com que os folcloristas brasileiros designam os grandes bailados populares que se baseiam num assunto determinado e têm, na sua maioria, partes faladas e representadas, como é o caso das Cheganças e Marujadas.

Os grupos em suas apresentações, retratam fatos históricos de forma lúdica e transmitem para o observador a sensação de estar presenciando marujos dentro de uma embarcação em alto mar. “São mais de duas dezenas de grupos espalhados em todo Estado. Com esse movimento, busca-se incentivar a permanência da tradição das Cheganças na Bahia”, diz Rosildo Rosário, coordenador geral do evento.

O V Encontro de Cheganças da Bahia foi realizado com o apoio financeiro do Centro de Culturas Populares e Identitárias (CCPI)/Secretaria de Cultura do Estado da Bahia/Governo do Estado da Bahia, apoio do IPAC, SUDECULT, SUPROCULT e apoio cultural das prefeituras de Saubara, Andaraí, Camaçari, Taperoá, Cairú, Paratinga e Lençóis.


Serviço:

V Encontro de Chegança da Bahia
Data: 4 e 5 de agosto de 2017
Local: Saubara- Bahia
Entrada gratuita
Mais informações: www.marujadadesaubara.org.br
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