Fotos: Festival Eu Sou a Concha

Em Salvador, o festival Eu Sou a Concha, marca a reabertura da Concha Acústica da cidade

Foto: Rosilda Cruz/ Secult BA
Foto: Rosilda Cruz/ Secult BA
Foto: Karina Zambrana
Foto: Karina Zambrana
Foto: Karina Zambrana
Foto: Karina Zambrana
Foto: Karina Zambrana
Foto: Karina Zambrana
Foto: Karina Zambrana
Foto: Karina Zambrana
Foto: Karina Zambrana
Foto: Rosilda Cruz/ Secult BA
Foto: Rosilda Cruz/ Secult BA
Foto: Rosilda Cruz/ Secult BA
Foto: Rosilda Cruz/ Secult BA
Foto: Rosilda Cruz/ Secult BA

Dois ministérios, mesmas funções

Medida Provisória de Temer traz dois ministérios com as mesmas funções
Foto: Marcello Casal Jr/ Agência Brasil
A medida provisória 726 de 2016, editada nesta sexta-feira (13) pelo presidente em exercício, Michel Temer, atribui ao Ministério de Desenvolvimento Social e Agrário as mesmas atribuições do novo Ministério da Indústria, Comércio e Serviço, inclusive lidar com questões de comércio exterior e defesa da concorrência.

Não há no texto qualquer menção a programas sociais entre as atribuições do ministério, embora o próprio ministro Osmar Terra, que assumiu a pasta, tenha deixado claro, em entrevista nesta quinta (12) ao G1, que manterá programas de distribuição de renda, como o Bolsa Família.

Nathalia Passarinho e Filipe Matoso
Do G1, em Brasília

Festclown

Festival internacional de palhaços anima Brasília até domingo
Brasília - Palhaços brasileiros e de várias partes do mundo alegram a população do Distrito Federal com apresentações gratuitas em diversos pontos na 14ª edição do Sesc Fest Clown (Elza Fiuza/Agência Brasil)
O Sesc Festclown chega em sua 14ª edição, em Brasília, trazendo alegria e sorrisos para a população da cidade. Reconhecido mundialmente, o evento traz apresentações de diversos profissionais da palhaçaria do país e do exterior. Os shows vão ocorrer no complexo da Funarte; no Parque da Cidade; na Torre de TV; na Feira do Produtor, na Ceilândia; na Praça do Relógio, em Taguatinga, e no Teatro Sesc Paulo Gracindo, no Gama. Os palhaços também se apresentarão em creches, asilos e no Hospital da Criança de Brasília.

O projeto, que surgiu para comemorar o Dia do Circo, reúne atualmente cerca de 135 profissionais da palhaçaria com profissionais de Israel, da Argentina, Alemanha, Colômbia, do Peru, Uruguai e de diversas regiões do Brasil.
Brasília - O assistente da Coordenação de Ações Culturais do Sesc-DF e idealizador do projeto, Rogério Torquato, fala sobre festival internacional de palhaços, o Sesc Festclown. (Elza Fiuza/Agência Brasil)
Segundo o assistente de coordenação de Ações Culturais do Sesc-DF e idealizador do projeto, Rogéro Torquato, o festival possibilita a troca de experiência entre os animadores da área. “Ele reúne grandes nomes da palhaçaria mundial, e isso traz qualidade ao evento, além de influenciar no crescimento e no reconhecimento dos atores. É uma oportunidade de intercâmbio para os profissionais de palhaçaria, que se encontram no Distrito Federal e podem apreciar os mestres em oficinas, se tornando melhores”, disse.

Torquato disse ainda que a ida às creches, asilos e hospitais é importante para a vida das pessoas que estão nesses locais. “Queremos levar alegria e riso para as pessoas que ficam isoladas e não têm essas oportunidades. É importante para amenizar e alegrar a vida dessas pessoas”, disse.

Além da programação tradicional, acontecerá o Festcloff, que reunirá pequenas apresentações de várias companhias com mediação de um mestre de cerimônias.

O festival prossegue até o domingo (15) com as apresentações a partir das 15h, com espetáculos de 30 em 30 minutos. A entrada é franca.

Da Agência Brasil Edição: Maria Claudia

ÚLTIMAS NOTÍCIAS

Atualização: 14:00
Papa critica os que sentem compaixão por animais e indiferença pelo vizinho

O papa Francisco lamentou que algumas pessoas sintam compaixão pelos animais, mas depois mostrem indiferença perante as dificuldades de um vizinho, em uma reflexão sobre o conceito de piedade, durante audiência na Praça de São Pedro. Francisco falava perante dezenas de milhares de pessoas, debaixo de chuva, naquilo a que se chama uma audiência j...

Temer e ministros passam fim de semana em reuniões

O primeiro fim de semana da equipe do presidente interino Michel Temer tem poucos compromissos públicos, mas será intenso no que diz respeito a negociações e trabalhos internos. Como os ministros tomaram posse na quinta-feira (12) e passaram essa sexta-feira (13) em reuniões no Palácio do Planalto e entrevistas coletivas, a expectativa é de que ...

Ataque a hospital mata 20 soldados e combatentes pró-regime sírio
Da Agência Lusa

Pelo menos 20 soldados e combatentes aliados do governo da Síria morreram neste sábado (14) em um ataque do Estado Islâmico contra um hospital da cidade síria de Deir Ezzoz, informou uma organização de direitos humanos.

"O Estado Islâmico atacou o hospital Al-Assad na entrada oriental da cidade, matando pelo menos 20 soldados e combatentes aliados", disse Rami Abdel Rahman, diretor do Observatório Sírio dos Direitos Humanos, sediado no Reino Unido.

O diretor informou que seis combatentes da organização terrorista foram também mortos nos confrontos.


Maduro retira embaixador da Venezuela do Brasil

O presidente da Venezuela, Nicolas Maduro, pediu na sexta-feira (13) ao embaixador do país no Brasil para regressar a Caracas, depois de o Senado brasileiro ter aprovado a abertura do processo de destituição da presidente Dilma Rousseff. "Pedi ao nosso embaixador no Brasil, Alberto Castellar, que venha para Caracas", disse Nicolas Maduro, que co...

Comandante militar do Hezbollah é morto na Síria

Da Agência Ansa
O comandante militar do grupo xiita libanês Hezbollah, Mustafa Badreddine, foi assassinado durante um ataque na Síria, onde, segundo a milícia, ele lutava contra "extremistas".

Uma emissora de TV ligada ao grupo chegou a acusar as Forças Armadas de Israel pela morte, mas o país se recusou a comentar a denúncia. Mais tarde, o próprio canal retirou do ar a notícia em que relacionava o assassinato de Badreddine a uma operação israelense.

O comandante liderava a estratégia militar do Hezbollah na Síria, nação em que luta ao lado do regime de Bashar al Assad e contra o grupo sunita Estado Islâmico (EI). Badreddine era acusado de envolvimento no homicídio do ex-primeiro-ministro do Líbano Rafik Hariri, em fevereiro de 2005.

Um tribunal internacional foi estabelecido em Haia, na Holanda, para julgar o caso, mas Badreddine sempre se declarou inocente.


Maria Bethânia abre festival

Maria Bethânia abre festival Eu Sou a Concha em Salvador
A cantora baiana Maria Bethânia abriu oficialmente o festival Eu Sou a Concha, que celebra a reabertura da Concha Acústica, no Teatro Castro Alves, em SalvadorSayonara Moreno/Agência Brasil
A cantora baiana Maria Bethânia abriu oficialmente o festival Eu Sou a Concha, que celebra a reabertura da Concha Acústica, no Teatro Castro Alves, em SalvadorSayonara Moreno/Agência Brasil

Com oração e poema, a cantora baiana Maria Bethânia abriu oficialmente o festival Eu Sou a Concha, que celebra a reabertura da Concha Acústica, no Teatro Castro Alves, em Salvador, na noite dessa sexta-feira (13).

O show de abertura teve início às 19h e trouxe um repertório que foi cantado, em diversos momentos, junto com o público. Bethânia subiu ao palco, cantando Força Estranha, composta pelo irmão Caetano Veloso. Em seguida foram mais de 25 canções. Negue, Fera Ferida, Um Índio e Oração da Mãe Menininha atraíram a animação da plateia.

Após a sexta música, Bethânia lembrou a data, como o dia de Nossa Senhora de Fátima, para o catolicismo. Com isso, rezou a oração Ave Maria, acompanhada pelos espectadores. Poucos minutos depois, a cantora também lembrou a data da abolição da escravatura no Brasil, em 1888.
Maria Bethânia e Margareth Menezes dividiram o palco na reinauguração da Concha Acústica Sayonara Moreno/Agência Brasil
Simbolizando a data, Bethânia declamou o poema Navio Negreiro, do poeta baiano Castro Alves. Com aproximadamente uma hora de show, a cantora Margareth Menezes subiu ao palco e cantaram, juntas, a canção Os Mais Doces Bárbaros, também composta por Caetano Veloso. Margareth Menezes ainda cantou, solo, mais três músicas de seu repertório.

“Todos os artistas que já participaram de shows da concha, tem uma memória da energia e da alegria do público de Salvador. A Concha Acústica é um espaço amado, já fiz várias apresentações aqui, gravei DVD também, assim como vários artistas do Brasil. É um presente que a gente ganha, é um momento muito especial para mim”, disse Margareth Menezes, pouco antes de subir ao palco.

Para finalizar o show, Maria Bethânia levou o samba-enredo Menina dos Olhos de Oyá, da escola de samba carioca Estação Primeira de Mangueira, que homenageou a cantora baiana e levou o título de campeã do carnaval deste ano.

Após o show,  que durou pouco mais de uma hora, o público assistiu ao espetáculo cênico-musical Kindembu, que reúne grupos afro, como o afoxé Filhos de Gandhy, Cortejo Afro, Ilê Aiyê, Malê de Balê, Muzenza e Olodum, com a participação das cantoras Márcia Castro e Ellen Oléria (uma das apresentadoras do Programa Estação Plural, da TV Brasil).

Apenas para convidados

Todo o espetáculo da noite foi destinado apenas a convidados ligados a instituições sociais, operários que trabalharam nas obras de requalificação da Concha Acústica e estudantes da rede pública estadual de ensino.
Show foi visto por convidados ligados a instituições sociais, operários que trabalharam nas obras de requalificação da Concha Acústica e estudantes da rede públicaSayonara Moreno/Agência Brasil
O diretor da Associação dos Deficientes Físicos da Bahia, José Rocha, conhecido na cidade como Rocha Cadeirante, destacou a importância do convite. “É uma honra saber que fomos lembrados neste momento, sem visar o lucro. Sou paraplégico e me sinto especial por participar deste show com Bethânia e Margareth. Como cadeirante, ainda não analisei toda a acessibilidade do local, mas até agora está tudo nos conformes. É importante que os espaços garantam nosso acesso, para que tenhamos independência”, disse.

O governador da Bahia, Rui Costa acompanhou o show, na arquibancada, ao lado da esposa e de outros secretários do estado. Antes das atividades culturais da noite, o governador reinaugurou a concha, descerrando a placa instalada no local.

“Festa linda, não poderia ser melhor, sobretudo na concha, esse patrimônio da Bahia, com Maria Bethânia, um patrimônio brasileiro. Teremos um show extra, na segunda, como reflexo da força da cultura da Bahia e da Concha Acústica, esse equipamento cultural de Salvador”, disse Rui Costa após o show.

Neste sábado (15) será a vez do cantor Carlinhos Brown, que convida Lazzo Matumbi e da banda Baiana System, que traz ao palco o cantor Ney Matogrosso. Os ingressos para todos os dias estão esgotados e custaram R$ 30 e R$ 60.

No domingo (15), o grupo Novos Baianos fará um reencontro para fechar o festival. Como os ingressos para a banda foram vendidos em menos de duas horas, um novo show foi aberto para a segunda-feira (16), mas também já se esgotaram.

O festival Eu Sou a Concha será transmitido, ao vivo, pela TV Brasil e pela Rádio Nacional. Pela internet, pode ser acompanhado no Portal EBC.


Sayonara Moreno – Correspondente da Agência Brasil Edição: Fábio Massalli

Inquérito de Aécio

Teori pede para Lewandowski redistribuir inquérito de Aécio, Paes e Sampaio
Teori Zavascki lembrou a redistribuição de um outro inquérito contra Aécio NevesAntonio Cruz/Agência Brasil
O  ministro Teori Zavascki, do Supremo Tribunal Federal (STF), pediu ao presidente da Corte, ministro Ricardo Lewandowski, para a analisar a possibilidade de um novo pedido de abertura de inquérito da Procuradoria-Geral da República (PGR) contra o senador Aécio Neves (PSDB-MG) ser redistribuído para o ministro Gilmar Mendes. O mesmo inquérito inclui o deputado federal Carlos Sampaio (PSDB-SP) e o ex-deputado e atual prefeito do Rio de Janeiro Eduardo Paes (PMDB).

Miinistro Teori Zavascki
Teori Zavascki lembrou a redistribuição de um outro inquérito contra Aécio NevesAntonio Cruz/Agência Brasil

No requerimento, com data do dia 11, Teori informou que o pedido da PGR tem relação com um inquérito da relatoria de Mendes contra o senador. “Diante da correlação direta dos fatos narrados neste procedimento com aqueles descritos em inquérito redistribuído nesta data, submeto o caso à presidência desta Corte para análise de possível redistribuição do presente procedimento ao ministro Gilmar Mendes”, destacou Teori.

Ao requerer a redistribuição, Teori Zavascki lembrou que, na quarta-feira, a pedido dele, outro pedido contra o senador foi redistribuído. O ministro disse não ver “relação de pertinência imediata” da representação criminal apresentada pela PGR contra Aécio e outro contra o presidente afastado da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), apesar de os indícios contra os dois parlamentares terem surgido em meio às investigações da Lava Jato. Após a redistribuição, a ação passou a ser da relatoria do ministro Gilmar Mendes.

No mesmo dia, Mendes determinou a abertura de inquérito contra o senador com relação a supostas irregularidades cometidas em Furnas. Ontem (12), Mendes suspendeu a coleta de provas e devolveu o inquérito ao procurador-geral da República para reavaliação. O ministro informou que a defesa de Aécio demonstrou não existirem novos fatos que embasem o pedido de investigação.

O pedido da PGR foi encaminhado ao STF no início de maio. O procurador Rodrigo Janot citou Aécio Neves, Carlos Sampaio e Eduardo Paes. A investigação foi baseada na delação premiada do senador cassado Delcídio do Amaral.

De acordo com o ex-senador, durante os trabalhos da Comissão Parlamentar Mista de Inquéritos (CPMI) dos Correios, criada para investigar denúncias do mensalão, Aécio Neves, à época governador de Minas Gerais, “enviou emissários" para barrar quebras de sigilo de pessoas e empresas investigadas, entre elas o Banco Rural.

Segundo Delcídio do Amaral, um dos emissários era Eduardo Paes, então secretário-geral do PSDB. Delcídio afirmou na delação que o relatório final da CPMI dos Correios foi aprovado com "dados maquiados" e que Paes e o deputado Carlos Sampaio tinham conhecimento dos fatos. Na época em que o pedido foi apresentado ao STF, Aécio Neves, Carlos Sampaio e Eduardo Paes, por meio de notas,  negaram as acusações.

Michèlle Canes – Repórter da Agência Brasil Edição: Armando Cardoso

Maranhão: "Não tem renúncia"

"Não tem renúncia", diz Waldir Maranhão sobre deixar a presidência da Câmara
Foto: Gustavo Lima/ Câmara dos Deputados
O presidente em exercício da Câmara dos Deputados, Waldir Maranhão (PP-MA), disse hoje (13) que não pretende renunciar ao cargo que ocupa desde que o então presidente Eduardo Cunha (PMDB-RJ) foi afastado pelo Supremo Tribunal Federal. “Sem renúncia. Não tem renúncia. Vamos administrar o país”, disse ele rapidamente ao chegar à Câmara dos Deputados.

A especulação sobre uma possível renúncia de Maranhão teve início quando ele tentou, por meio de um ato, anular a sessão que encaminhou ao Senado a análise sobre o impeachment da presidenta Dilma Rousseff. Posteriormente, integrantes de partidos e da Mesa pediram sua renúncia.

Um dos deputados com quem Maranhão tem conversado sobre a forma como conduzirá os trabalhos da Casa é o primeiro-secretário da Mesa Diretora da Câmara, Beto Mansur (PRB-SP). Ele também diz não ver motivos para a renúncia de Maranhão.

“Acho que a gente tem de ajudar a equacionar as coisas e a governar as coisas aqui na Casa. Logicamente ele é o presidente e tem de dar o tom. Mas essa ideia de alguns partidos quererem derrubá-lo à força porque têm seus próprios candidatos, isso é falta de ser brasileiro”, disse Mansur.

Segundo o deputado, as pressões pela renúncia já tiveram mais fortes, mas a tendência é que, com o tempo, vão diminuindo. “A pressão de ontem é menor do que a de antes de ontem e maior do que a de hoje. Quando ele assinou aquele ato contra 367 votos, eu mesmo tomei um susto. Mas ele voltou atrás, reconheceu que errou e pediu desculpas”, disse Mansur.

Benefícios

O primeiro-secretário informou, também, que o deputado afastado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) continuará recebendo vários dos benefícios concedidos a ele, uma vez que continua deputado apesar do afastamento. “Fizemos uma simetria entre Dilma e Cunha. Claro que Cunha não terá direito à cota Ceap, que é um reembolso da atividade parlamentar que ele não está exercendo. Mas o restante terá uma simetria com o que foi dado à Dilma. Preparamos o ato, que foi aprovado na Câmara, sobre esse assunto. E ele será retroativo ao dia 5 de maio, quando houve a decisão judicial”, disse ele. Segundo Mansur, a cota Ceap recebida por Cunha é de cerca de R$ 30 mil.

Pedro Peduzzi – Repórter da Agência Brasil Edição: Denise Griesinger

Dilma: Entrevistas e viagens

Dilma concede entrevista à imprensa internacional e viaja para Porto Alegre
Foto: Roberto Stuckert Filho/ PR
No primeiro dia após o afastamento de Dilma Rousseff da Presidência da República, Dilma vai conceder uma entrevista coletiva a correspondentes estrangeiros, no Palácio da Alvorada, para reafirmar o discurso de que o processo de impeachment é uma tentativa de golpe contra seu governo e contra a democracia.

A entrevista aos veículos convidados está marcada para as 13h de hoje (13). Nas próximas semanas, Dilma pretende viajar pelo Brasil e exterior para continuar denunciando o processo de impeachment que a afastou da presidência pelo prazo de até 180 dias.

No fim da tarde, Dilma deixa o Palácio da Alvorada, residência oficial da presidência onde continuará morando até que o Senado julgue se ela cometeu ou não crime de responsabilidade, e viaja para Porto Alegre, cidade onde moram sua filha e netos. A previsão é que ela passe o fim de semana na capital gaúcha.

Ontem (12), o Senado aprovou, por 55 votos a favor e 22 contra, a admissibilidade do processo de impeachment de Dilma Rousseff. Pela manhã, ela foi intimada no Palácio do Planalto pelo primeiro-secretário da Mesa Diretora do Senado, senador Vicentinho Alves (PR-TO) de seu afastamento do cargo.

Em seguida, a presidenta afastada fez uma declaração à imprensa no Planalto acompanhada de seus ex-ministros e parlamentares aliados, cumprimentou apoiadores na área externa do prédio e seguiu para o Alvorada.

Enquanto Dilma permanece no Alvorada, o presidente interino Michel Temer faz nesta manhã a primeira reunião ministerial, no Palácio do Planalto, com a equipe empossada ontem (12), para discutir as primeiras medidas do governo, que deverão ser anunciadas na próxima semana.

Yara Aquino – Repórter da Agência Brasil Edição: Denise Griesinger

"Um passo para o golpe",

Afastamento de Dilma "é um passo para o golpe", diz grupo do Parlamento Europeu
Foto: Reprodução
O Grupo da Esquerda Unitária (GUE) do Parlamento Europeu, que integra os deputados do PCP e BE, considerou hoje que o processo de afastamento da presidente brasileira, Dilma Rousseff, é “um passo para um golpe de Estado”.

“A aprovação pelo senado brasileiro do procedimento para afastar Dilma Rousseff, presidente eleita do Brasil, é um passo decisivo imposto pela direita e pela oligarquia brasileira para um golpe de Estado, com a interferência dos Estados Unidos”, lê-se num comunicado divulgado hoje (13) pelo GUE.

O grupo do Parlamento Europeu salienta ainda que é preciso lembrar que "os argumentos usados não resultam de qualquer processo penal e que o processo é liderado por membros com um histórico conhecido de irregularidades e atividades ilegais, que estão sendo investigadas judicialmente”.

Ontem, o Senado brasileiro aprovou a admissibilidade do processo de impeachment de Dilma Rousseff, com 55 votos a favor e 22 contra.

Michel Temer

Sobre o presidente interino, Michel Temer, o grupo parlamentar salientou que ele é alvo de acusações de corrupção e suborno.

Michel Temer é, desde quinta-feira, presidente interino do Brasil depois de Dilma Rousseff ter sido afastada temporariamente pelo Senado por um prazo máximo de 180 dias, por suspeitas de irregularidades orçamentárias, como despesas não autorizadas.

O GUE acrescenta que “as forças mais reacionárias e o imperialismo nunca aceitaram o processo de mudança que começou em 2002, com a eleição de Luiz Inácio Lula da Silva, e procederam desde então a uma escalada de interferência e destabilização para derrubar o governo eleito democraticamente”.

Nos próximos seis meses, o Senado brasileiro vai julgar Dilma Rousseff, em um processo presidido por um juiz do Supremo Tribunal Federal. A chefe de Estado só será afastada definitivamente se for condenada por uma maioria de dois terços dos membros do tribunal.

Da Agência Lusa Edição: Denise Griesinger

Alunos contra impeachment

Faculdade de Direito da UFMG amanhece ocupada por alunos contra impeachment
Estudantes da UFMG contrários ao impeachment acampam no pártio da Faculdade de DireitoLéo Rodrigues/Agência Brasil
O pátio da Faculdade de Direito da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), que reúne os cursos de direito e de ciências do Estado, amanheceu hoje (13) tomado por barracas de estudantes contrários ao afastamento de Dilma Rousseff da presidência da República. Eles começaram ontem uma ocupação e pretendem fazer debates e atos culturais no local.

Cerca de 50 alunos passaram a noite no pátio. Eles se dividirão em diversas comissões para cuidar de questões como segurança, alimentação e comunicação. A mobilização é coordenada pelo Centro Acadêmica Afonso Pena (CAAP), entidade representativa dos estudantes.

A presidenta do CAAP, Ana Carolina Oliveira, explica que não há objetivo de atrapalhar as aulas e que se trata de uma ocupação cultural. A finalidade é marcar uma posição contra o processo de impeachment em curso no país e a posse do presidente interino Michel Temer. "Entendemos que houve um golpe no país e não vamos reconhecer esse novo governo."

A ocupação foi aprovada em uma assembleia realizada pelo CAAP no dia 4 de maio e que pretendia discutir o processo de impeachment. A realização dessa assembleia chegou a ser proibida por uma liminar, concedida pela juíza Moema Miranda Gonçalves, do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG), decisão que gerou uma reação negativa de professores, estudantes e da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). O CAAP denunciou a medida como censura. Seus advogados entraram com recurso e o desembargador Marco Aurelio Ferenzini derrubou a liminar. "Essa decisão foi tida por muitos da comunidade jurídica como uma das mais autoritárias e antidemocráticas da nossa história", diz o advogado dos estudantes Henrique Napoleão.

A mobilização ganhou o nome de Ocupação Mata Machado, em referência ao ex-presidente do CAAP, José Carlos da Mata Machado, assassinado pela ditadura militar. De acordo com Ana Carolina, a diretoria da faculdade já está sabendo e não colocou nenhum empecilho. "Acho que todos estamos preocupados com o futuro da universidade pública. Com a volta das políticas neoliberais, podemos ver novamente um processo de sucateamento do ensino superior", avalia. Procurado nesta manhã, o diretor da instituição Fernando Gonzaga Jayme ainda não foi localizado.

A ocupação começou na noite de ontem com uma reunião, em que os estudantes puderam fazer uso livremente do microfone. Sabrina Carozzi, estudante de Ciências do Estado, disse não compreender alguns colegas que apoiaram o impeachment. "O curso de ciências do Estado nasceu com o Reuni, o programa de expansão de vagas desenvolvido pelos governos de Lula [Luiz Inácio Lula da Silva] e Dilma. Se hoje estamos na universidade, devemos às políticas educacionais dos últimos anos, que promoveram inclusão social", destacou.

Para a presidenta do CAAP, o futuro da ocupação vai depender da mobilização dos estudantes. "Acredito que nesta sexta-feira mais estudantes irão se somar à ocupação. Vamos realizando assembleias para deliberar se continuamos. No fim do dia, teremos uma assembleia."

Anastasia

Em outra deliberação da Assembleia do dia 4 de maio, os estudantes decidiram convidar para um encontro o senador Antonio Anastasia, relator do processo favorável à admissibilidade do pedido de impeachment de Dilma Rousseff. Eles querem ouvir explicações sobre o relatório apresentado pelo parlamentar. Anastasia é professor licenciado da Faculdade de Direito da UFMG.

Uma carta foi encaminhada ao senador, mas ainda não houve resposta. No texto, também assinado por professores da instituição, os estudantes defendem que as denúncias apresentadas contra a presidenta afastada Dilma Rousseff não são consideradas crime de responsabilidade e não justificam o afastamento. "Esse rompimento institucional deixará marcas históricas e dolorosas para o povo brasileiro e encerrará o ciclo democrático da Nova República. Não compactuamos com esta transgressão constitucional e democrática", conclui a carta.

PMDB

Também na noite desta quinta-feira (12), um grupo de jovens, organizados pelo movimento Levante Popular da Juventude, realizou uma manifestação na porta da sede do PMDB, partido do presidente interino Michel Temer. Eles levaram instrumentos de percussão e gritaram contra o impeachment.

Léo Rodrigues - Correspondente da Agência Brasil Edição: Talita Cavalcante

HORA DA CRIANÇA

Rádio Cabriola - NO AR:
Músicas, brincadeiras e contação de histórias

Clique na imagem para ouvir
Programa: A Hora da Criança (Músicas, brincadeiras e contação de histórias)
Diriamente, 08h ás 11h / 14h às 18h
Apresentação: Gabriella Mottin

ÚLTIMAS NOTÍCIAS-13.05.16

Atualização:10:00
Cuba diz que afastamento de Dilma é “artifício do imperialismo”

O governo cubano considerou que o afastamento da presidente Dilma Roussef constitui um "artifício" organizado por setores da oligarquia brasileira, apoiada "pela grande imprensa reacionária e pelo imperialismo." Numa nota enviada às redações, Cuba volta a denunciar o que considera ser um "golpe de estado parlamentar e judicial, disfarçado de leg...

Jornalistas descobrem cidade subterrânea que guarda segredos do Estado Islâmico

Um grupo de jornalistas russos descobriu uma cidade subterrânea cheia de trincheiras e túneis, usados pelo Estado Islâmico para esconder armas e pessoas. Jornalistas russos do canal televisivo RT descobriram o local, que serve para guardar armas, se esconder de ataques aéreos e transportar petróleo da cidade síria de Al Shaddali – tomada mais de dois anos atrás e liberada em fevereiro.

Impeachment: governo chinês espera que Brasil garanta "estabilidade política"

O Governo chinês desejou hoje (13) que o Brasil garanta a "estabilidade política", depois de o Senado ter aprovado ontem (12) o afastamento da presidente brasileira Dilma Rousseff, por 55 votos a favor e 22 contra. "Esperamos que todas as partes consigam gerir a atual situação e mantenham a estabilidade política e o desenvolvimento econômico e s...

Chuvas matam 33 pessoas em Bangladesh

Da Agência Lusa
Violentas tempestades tropicais provocaram nas últimas horas a morte a 33 pessoas em Bangladesh. Várias delas foram atingidas por raios, informou a polícia.

As mortes foram registradas nos 10 distritos mais afetados, mas os balanços de outras regiões mais afastadas ainda são desconhecidos, adiantou uma fonte policial à Agência France Presse.

O noroeste foi a região mais afetada, com 19 pessoas mortes. As vítimas “eram agricultores, que foram atingidos por um raio quando regressavam para casa, depois de um dia de trabalho”, afirmou a polícia de Pabna, no noroeste, onde morreram seis pessoas.Em Dacca, três estudantes de 20 anos morreram da mesma maneira, quando jogavam futebol debaixo de chuva

Combates na Síria fazem pelo menos cinco mortos e 39 feridos

Da Agência Lusa Edição: Talita Cavalcante
Pelo menos cinco pessoas morreram e 39 ficaram feridas em combates em Sirte, na Líbia, numa zona dominada pelos extremistas do Estado Islâmico, disseram hoje (13) fontes policiais líbias. De acordo com os relatos, os mortos e os feridos, um deles em estado grave, foram transportados para o hospital da cidade vizinha de Misrata onde estão concentradas as forças leais ao governo de unidade de Trípoli.

Segundo a mesma fonte, os confrontos armados provocaram a morte de, pelo menos, uma dezena de extremistas durante um ataque aéreo localizado na área que separa Sirte de Misrata. Na fuga, os militantes do Estado Islâmico abandonaram metralhadoras NBK, lança-granadas RPG, automóveis e grandes quantidades de munições.

Os últimos combates coincidem com informações sobre a eventual posição dos Estados Unidos sobre o possível levantamento do embargo da venda de armamento à Líbia.

Oito soldados mortos em combate com guerrilha no sudeste da Turquia

Oito soldados morreram na madrugada de hoje (13) no sudeste da Turquia, incluindo seis em combate e dois na queda de um helicóptero, durante uma operação contra a guerrilha curda do PKK, informou o Estado-Maior do exército turco. Os confrontos foram no município de Çukurca, perto da fronteira com o Iraque, na província de Hakkari, diz um comunic...

Festival de música em Salvador

Festival Sou a Concha terá shows de Maria Bethânia e Ney Matogrosso em Salvador
Reforma da Concha Acústica de Salvador representou investimentos de R$ 80 milhõesAgência Brasil
A cidade que respira cultura e musicalidade ganhará, neste fim de semana, um festival com grandes nomes da música brasileira para comemorar a requalificação de um dos espaços para shows, em Salvador: a Concha Acústica. Durante os três dias, hoje (13), sábado e domingo, 25 atrações subirão ao palco, ao lado de artistas renomados como Maria Bethânia, Ney Matogrosso e a banda Novos Baianos, no festival Eu Sou a Concha.

A Concha Acústica do Teatro Castro Alves, no Campo Grande, em Salvador, passou por reformas e ganhou novas estruturas, totalizando investimento de R$ 80 milhões para o governo estadual. Ela será reinaugurada no fim da tarde de hoje pelo governador da Bahia, Rui Costa, antes das apresentações da noite.

Hoje à noite, a cantora baiana Maria Bethânia será a primeira a subir ao palco do festival, ao lado da cantora Margareth Menezes, recordista de apresentações no local (40 shows). Depois, o espetáculo musical Kindembu vai apresentar a linguagem dos blocos e grupos ligados à cultura africana, como Afoxé Filhos de Gandhy, Cortejo Afro, Ilê Aiyê, Malê Debalê e Muzenza.

A diferença com os dias seguintes é que todas as apresentações da noite de hoje serão destinadas apenas a convidados. É que, segundo o Teatro Castro Alves, 90% dos cinco mil espectadores serão pessoas ligadas a instituições baianas, como Obras Sociais Irmã Dulce, Hospital Martagão Gesteira, Hospital Aristides Maltez, Projeto Axé, Neojiba, Ilê Aiyê e Olodum, entre outras entidades. Além disso, os operários que trabalharam na obra da concha e 370 estudantes (a maioria de cidades do interior) da rede pública estadual de ensino também participarão do show, como convidados.

"Diálogo musical"

Amanhã (14), o cantor Carlinhos Brown leva ao público um show ao lado de Lazzo Matumbi e, em seguida, o grupo Baiana System participa de um “diálogo musical” com o cantor Ney Matogrosso. No domingo, subirá ao palco o grupo Novos Baianos, composto por Baby do Brasil, Moraes Moreira, Pepeu Gomes, Luiz Galvão e Paulinho Boca de Cantor. A banda volta a se reunir para o festival, em um show que terá como repertório principal o emblemático álbum Acabou Chorare, segundo álbum do antigo grupo, lançado em 1972.

Os ingressos para o sábado e o domingo do festival se esgotaram poucas horas depois da abertura das vendas e custaram R$ 30 a meia entrada e R$ 60, a inteira. O show dos Novos Baianos foi recebido com surpresa pelo público baiano e de outros pontos do estado e do país. Com a  alta procura pelos ingressos, a direção do Teatro Castro Alves abriu um novo show da banda para a próxima segunda-feira (16). Em visita às novas instalações, o governador Rui Costa declarou que a nova apresentação atende a um pedido do público. O ingressos, no entanto, já se esgotaram.



Veja a programação:

13/05 (sexta-feira)

- Maria Bethânia - participação especial de Margareth Menezes.
- Espetáculo cênico-musical Kindembu – Afoxé Filhos de Gandhy convida Tropical Selvagem, Cortejo Afro convida Márcia Castro, Ilê Aiyê convida Dão, Male Debalê convida Larissa Luz, e Muzenza convida Ellen Oléria, além da participação especial de Olodum
- Horário - 18h
- Evento para convidados

14/05 (Sábado)

- Carlinhos Brown - participação especial de Lazzo Matumbi
- BaianaSystem - participação especial de Ney Matogrosso
- Horário - 18h

15/05 (Domingo)

- Novos Baianos – ‘Acabou Chorare’ e homenagem a João Gilberto
- Horário - 19h


Sayonara Moreno - Correspondente da Agência Brasil Edição: Kleber Sampaio
- Assuntos: Salvador, Concha Acústica, shows

"Orientação é manter programas sociais"

Osmar Terra: "orientação de Michel Temer é manter programas sociais"
Deputado Osmar Terra, do PMDB gaúcho          Wilson Dias/ Arquivo/Agência Brasil
O deputado Osmar Terra (PMDB-RS), que vai assumir o Ministério do Desenvolvimento Social e Agrário, disse há pouco, no Palácio do Planalto, ao chegar para a posse do ministério do presidente interino Michel Temer, que o importante agora é não “deixar a máquina [pública] parar e não parar os programas sociais”. “Este é o desafio que a gente tem agora”, disse.

“A orientação do presidente Michel é para manter todos os programas sociais e a gente ter tempo de avaliar, de aperfeiçoar. A ideia é garantir o que tem e avançar em relação ao que tem. O desafio é fazer isso com uma economia completamente destruída, com um déficit gigantesco. Esse é o legado que a gente está recebendo”, disse Osmar Terra.

Temer assumiu no final da manhã como presidente da República interino. O Senado aprovou hoje (12), no início da manhã, por 55 votos a favor e 22 contra, a admissibilidade do processo de impeachment da presidenta Dilma Rousseff. Com isso, o processo será aberto no Senado e Dilma fica afastada do cargo por até 180 dias.

Ana Cristina Campos – Repórter da Agência Brasil Edição: Maria Claudia

Unasul: impeachment é perigoso

Unasul diz que afastamento de Dilma abre precedente perigoso
Foto: Roberto Stuckert Filho/PR
O secretário-geral da União das Nações Sul-Americanas (Unasul), Ernesto Samper, afirmou hoje (12) que o afastamento da presidenta afastada Dilma Roussef pode abrir um precedente "perigoso". Segundo Samper, a atitude "compromete a governabilidade democrática da região em um caminho perigoso".

"O que aconteceu no Brasil é que uma maioria política mudou o que a maioria dos cidadãos expressou, por eles mesmos, em claro favor de Rousseff", informou o líder da Unasul sobre a reeleição de Dilma aRousseff em 2014.

Segundo ele, o impeachment é um tipo de "ruptura da ordem democrática", que pode levar o Brasil a ser suspenso do bloco econômico, já que tem "caráter político". Samper criticou ainda a postura dos parlamentares na Câmara dos Deputados, que "não deram espaço" para que a defesa de Dilma fosse realizada de maneira correta.

"Nesta nova fase, pedimos que o direito de defesa da presidenta Rousseff seja garantido", disse Ernesto Samper ao comentar o novo processo que se desenvolverá no Senado e que pode afastá-la definitivamente do cargo.

Sobre o presidente interino do Brasil, Michel Temer, o presidente do bloco se recusou a fazer qualquer comentário por "não ser sua esfera comentar um governo interino".

Da Agência Ansa

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Diariamente, 20h às 21h
Apresentação: Heraldo Souza


Antes do afastamento

Antes de ser afastada, Dilma cria programa de acesso à internet
Dilma Roussef, antes de se afastar do cargo, assinou atos  regulamentando leis e criando programa para tentar universalizar o acesso à internetAntonio Cruz/ Agência Brasil
Antes de se afastar do cargo, a presidente Dilma Rousseff assinou vários atos administrativos com os quais exonera ministros, nomeia técnicos para cargos na esfera federal, regulamenta leis e institui um programa para tentar universalizar o acesso à internet.

Só na área ambiental, o Diário Oficial da União de hoje (12) traz decretos presidenciais que criam parques e florestas nacionais no Amazonas; normatizam uma área de proteção ambiental e autorizam o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) a destinar o valor das doações feitas ao Fundo Amazônia para ações de prevenção, monitoramento e combate ao desmatamento e de promoção da conservação e do uso sustentável da Amazônia Legal..

Um dos decretos presidenciais - publicado sem número e com data de ontem (11) - institui o Parque Nacional do Acari, localizado nas cidades amazonenses de Apuí, Borba e Novo Aripuanã para proteger a diversidade biológica de parte dos rios Acari, Camaiú, Sucunduri, Abacaxis e de seus afluentes; contribuir para a estabilidade ambiental da região e proporcionar o desenvolvimento de atividades de recreação em contato com a natureza e o turismo ecológico.

Outros dois decretos criam a Floresta Nacional do Aripuanã, que abrange parte dos municípios de Apuí, Manicoré e Novo Aripuanã, e a Floresta Nacional de Urupadi, em Maués (AM). As duas iniciativas visam promover o manejo de uso múltiplo sustentável dos recursos florestais; a manutenção e a proteção dos recursos hídricos e da biodiversidade e apoiar o desenvolvimento de métodos de exploração sustentável dos recursos naturais. As três unidades serão administradas pelo Instituto Chico Mendes.

Já o Decreto 8.775 dispõe sobre a Área de Proteção Ambiental (APA) de Cairuçu, em Paraty (RJ), instituída em 1983. A APA terá o seu zoneamento e as normas gerais que presidem o uso da área e o manejo dos recursos naturais definidos pelo plano de manejo da unidade de conservação, que deverá ser atualizado pelo Instituto Chico Mendes em até 90 dias a partir de hoje.

Internet e transparência pública

Na véspera de se afastar do cargo, Dilma também homologou a criação do Programa Brasil Inteligente, anunciado na última segunda-feira (9). O projeto é uma nova fase do Programa Nacional de Banda Larga (PNBL).

De acordo com o Decreto 8.776, o propósito é universalizar o acesso da população à internet. Para atingir o objetivo, o programa estabelece a necessidade de que as redes de transporte de dados em fibra óptica sejam expandidas, havendo, ainda, a ampliação da abrangência das redes de acesso por fibras ópticas em áreas urbanas e o aumento da cobertura de banda larga móvel em vilas e aglomerados rurais. Os serviços de educação e saúde públicos terão atendimento prioritário na instalação de internet de alta velocidade.

A pretexto de aprimorar a cultura de transparência pública e facilitar o acesso dos cidadãos aos dados [informações] produzidos pelo governo federal, o Decreto 8.777 institui a Política de Dados Abertos do Poder Executivo Federal. A gestão da Política de Dados Abertos será coordenada pelo Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão e, entre outros fins, deverá “garantir acesso irrestrito às bases de dados”.

Polícia agropecuária

O Diário Oficial traz também o decreto presidencial que dispõe sobre a Força Nacional do Sistema Unificado de Atenção à Sanidade Agropecuária. Criado no começo do mês para prevenir e combater situações que ameacem lavouras e rebanhos, o grupo de elite será formado por fiscais agropecuários para executar medidas de prevenção, vigilância, assistência e controle de situações de risco epidemiológico e de desastres fitossanitários e zoossanitários que ameacem lavouras e rebanhos.

A força será coordenada pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento e poderá ser empregada sempre que for declarada a emergência fitossanitária ou zoossanitária. A exemplo da Força Nacional de Segurança Pública, a tropa de vigilância agropecuária será convocada a pedido de estados e municípios. O ato ministerial convocatório deverá conter os limites, o prazo e a delimitação da área de atuação; a indicação das medidas fitossanitárias e zoossanitária a serem implementadas e as diretrizes que nortearão o desenvolvimento das operações.

Dilma também assinou o Decreto 8.772, que regulamenta lei do ano passado que dispõe sobre o acesso ao patrimônio genético, sobre a proteção e o acesso ao conhecimento tradicional associado e sobre a repartição de benefícios para conservação e uso sustentável da biodiversidade. E aprovou a nova estrutura regimental e funcional do Ministério do Esporte, remanejando e extinguindo cargos.

Alex Rodrigues - Repórter da Agência Brasil Edição: Kleber Sampaio

Contra saída de Dilma

Mulheres se acorrentam às grades do Palácio do Planalto contra saída de Dilma
Brasília - Mulheres se acorrentam à grade que cerca o Palácio do Planalto em protesto contra o afastamento de Dilma RousseffAndreia Verdélio/Agência Brasil
Um grupo de mulheres se acorrentou hoje (12) às grades que cercam o Palácio do Planalto logo após a saída da presidenta Dilma Rousseff do local. “Vamos ficar aqui até tirarem a gente”, disse a jornalista Bia Barbosa, explicando que o coletivo é formado por mulheres de diferentes entidades.

“Não reconhecemos a legitimidade do governo Michel Temer. Entendemos que esse processo é resultado de um golpe e é importante simbolizar a resistência que está acontecendo no Brasil inteiro”, disse Bia. Para ela, Dilma também foi afastada porque é mulher: “e são os direitos das mulheres que mais vão ser atingidos nesse governo se ele se consolidar depois do final do processo [de impeachment] no Senado”, completou.

Acorrentadas e sentadas no chão, elas seguravam cartazes que formam a frase “Resistência contra o golpe”.

Na lista de novos ministros divulgada pela vice-presidência não consta o Ministério das Mulheres, Igualdade Racial, da Juventude e dos Direitos Humanos. Além disso, nenhuma mulher foi nomeada como ministra para o governo interino.

Até o fechamento desta reportagem, as mulheres continuavam acorrentadas e disseram que cumpririam o "simbolismo" de, como Dilma saiu do Planalto "à força", elas também sairiam do local da mesma maneira. Pouco depois das 14h, três bombeiros foram até elas, um deles com um grande alicate, mas não chegaram a quebrar as correntes. Além das mulheres, um grupo de apoio permanece na avenida em frente ao prédio, com sombrinhas e algumas bandeiras.

Hostilização à imprensa

A Polícia Militar do Distrito Federal informou que cerca de 4 mil manifestantes, todos pró-governo, estiveram hoje na frente do Palácio do Planalto para acompanhar a saída de Dilma. Não houve ocorrências graves, nem violência física, mas a imprensa foi hostilizada por um grupo de manifestantes.

Antes do pronunciamento de Dilma a seus apoiadores na parte externa do Palácio do Planalto, os manifestantes derrubaram as cercas que isolavam a imprensa e cercaram os jornalistas por alguns minutos gritando “mídia golpista”.

No momento em que a presidenta Dilma terminou seu discurso e se dirigiu aos manifestantes para abraçá-los, parte dos presentes iniciou uma série de agressões a jornalistas. Os repórteres de texto e imagem que acompanhavam a movimentação foram deslocados para um cercado em que poderiam observar os acontecimentos, mas foram surpreendidos por militantes que se voltaram contra eles com agressões verbais e físicas.

Uma manifestante correu em direção a duas jornalistas e deu um chute em uma delas. Um cinegrafista foi derrubado no chão e outro profissional de TV, que transmitia ao vivo os fatos, teve o seu microfone retirado e também foi agredido fisicamente. A hostilização só não continuou porque outros jornalistas e membros da Força Nacional intervieram para proteger os profissionais de imprensa.

Andreia Verdélio e Paulo Victor Chagas – Repórter da Agência Brasil Edição: Denise Griesinger

Barbosa criticou impeachment

Joaquim Barbosa diz que impeachment está sendo feito sem consulta à população
Joaquim Barbosa se aposentou do cargo de ministro do STF em 2014Arquivo/Agência Brasil
O ministro aposentado do Supremo Tribunal Federal Joaquim Barbosa criticou hoje (12) a tramitação do processo de impeachment da presidenta Dilma Rousseff. Para ele, as decisões sobre o afastamento foram tomadas sem levar a em consideração a opinião da população.

“Como explicar ao mundo uma troca de comando tão espetacular? Nada sutil, apenas com a estampa de normalidade, como essa que está ocorrendo no dia de hoje. Como explicar ao mundo uma mudança tão brutal sem que ele, o maior interessado, o povo, tenha sido sequer cogitado como partícipe desse debate”, disse ao participar da Vtex Day, feira de comércio eletrônico no Parque Ibirapuera, zona sul da capital paulista.

Na início da manhã de hoje, o Senado aprovou a abertura de processo de destituição de Dilma e o afastamento da presidenta por até 180 dias. O vice, Michel Temer, assume o cargo neste período. Ao final do processo, Temer pode tomar posse definitivamente, caso os senadores confirmem o impedimento da presidenta.

“Não é estranho que o povo assista mais uma vez, como se deu no final do século 19, bestializado ao que os políticos estão a perpetrar no nosso país? Onde estão as vozes da população?”, questionou Joaquim Barbosa na palestra. A expressão faz referência ao artigo do jornalista Aristides Lobo sobre a proclamação da República. Na ocasião, o autor ressaltou que a revolução organizada por militares e membros da elite política que derrubou o imperador não teve participação popular. “O povo assistiu àquilo bestializado, atônito, surpreso, sem conhecer o que significava”, diz o texto publicado em 1889.

A ascensão do PMDB, em uma provável aliança com o PSDB, também foi alvo das críticas de Barbosa. “Estarão no comando do nosso país a partir de agora dois grupos bem especiais de operadores políticos”, disse em referência aos dois partidos. “O primeiro grupo, nestes 30 anos de vida democrática, jamais conseguiu eleger um presidente da República. Esse grupo terá agora a Presidência da República”, disse em referência ao partido de Temer.

“O segundo grupo de operadores políticos, no prazo constitucionalmente marcado para as próximas eleições [2018], iria completar 20 anos sem ganhar uma eleição, sem ter o gosto de uma vitória”, completou o raciocínio ao falar sobre o PSDB. “Como justificar essa anomalia? Por que os nossos acadêmicos, os nossos intelectuais e os nossos meios de comunicação têm evitado esse debate específico?”

Novas Eleições

Barbosa disse que é "radicalmente favorável" à convocação de novas eleições pra presidente. "Essa é a verdadeira solução. A solução que eliminaria toda essa anomalia, esse mal-estar com o qual nós seremos obrigados a conviver nos próximos dois anos e oito meses. Dar a palavra ao povo”, defendeu.

O ministro aposentado reconheceu, entretanto, que a medida tem empecilhos constitucionais. A única forma de ser aplicada, na visão de Barbosa, seria se Dilma tivesse renunciado e o vice tivesse feito o mesmo.

Dilma

Apesar das críticas ao processo e aos grupos políticos que devem assumir o poder, Barbosa também atribuiu parte da culpa pela instabilidade política à Dilma. “A presidente Dilma Rousseff não soube conduzir o país. Não soube exercer a liderança que se espera de um chefe de Estado dessa envergadura. Ela agiu como se governasse para o seu grupo político e para os seus aliados de ocasião. Ela não soube se comunicar com a nação. Ela fez péssimas escolhas e cometeu erros imperdoáveis”, disse.

Para o ministro aposentado, a presidenta não soube como lidar com a corrupção. “Eu não digo que a presidente compactuou abertamente com os segmentos corruptos existentes no seu governo, partido e base de apoio. Mas ela se omitiu, silenciou-se, foi ambígua. Não soube se distanciar do ambiente deletério que a cercava. Não soube exercer o comando e acabou engolida por essa gente”, analisou.

“Eu sei bem que a presidente da República que foi tirada do cargo no dia de hoje é extremamente impopular. Eu sei que há um sentimento generalizado pela sua saída. A minha preocupação é com os aspectos estruturais das nossas instituições”, ponderou.

Motivação

Entre os problemas que deram origem à crise política, Barbosa apontou a relação que costuma ser estabelecida entre o Legislativo e o Executivo. “Nada dessa promiscuidade que faz com que o presidente da República entregue setores inteiros da sua administração às lideranças no Congresso, para que essas lideranças organizem a robalheira dos recursos públicos. Nada disso está previsto na Constituição”, criticou.

Barbosa disse acreditar que a destituição de Dilma esteja servindo a interesses espúrios. “Eles querem tomar o poder a qualquer custo para continuar nas práticas ilícitas. É isso que está em jogo”.

“Eu tenho sérias dúvidas quanto à integridade e à adequação desse processo de impeachment por esse motivo que foi escolhido”, acrescentou. Para o ministro aposentado, “há um problema muito sério de proporcionalidade”, uma vez que manobras contábeis e fiscais semelhantes às feitas pelo governo federal são corriqueiras em outras esferas do Executivo, como nas administrações estaduais.

Barbosa também enfatizou que o mérito do impeachment não foi validado pelo STF, como, segundo ele, alguns tentam fazer parecer. “O que o Supremo Tribunal tem feito é exercer o escrutínio moderado sobre o rito, o procedimento e as formalidades do processo. O Supremo não examinou, não pode examinar e provavelmente não examinará o mérito do impeachment”.

Joaquim Barbosa se aposentou do cargo de ministro do Supremo em 2014. Ele foi indicado à Suprema Corte em 2003, no mandato do então presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Daniel Mello - Repórter da Agência Brasil Edição: Juliana Andrade

De vice a presidente

De vice a presidente, Temer assume por até 180 dias
Com afastamento de Dilma, Temer assume o comando do país por até 180 dias Marcelo Camargo/Agência Brasil
Trinta e cinco anos após se filiar ao Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB), Michel Temer chega hoje (12) ao maior posto da República brasileira. Provisoriamente, por até 180 dias, Temer responderá pelo cargo de presidente do Brasil, após a abertura do processo de afastamento de Dilma Rousseff ter sido aprovado no Senado. Michel Miguel Elias Temer Lulia nasceu em Tietê (SP) no dia 23 de setembro de 1940 e é o caçula de oito irmãos.

Vice-presidente de Dilma desde o primeiro mandato, Temer foi responsável pela articulação política do governo, com a saída de Pepe Vargas da Secretaria de Relações Institucionais, no início de abril de 2015. Apesar de fazer parte do governo, nos últimos meses, viveu uma relação conturbada com Dilma. Em agosto, anunciou a saída da coordenação política.

Em dezembro, Temer escreveu uma carta em que se dizia “vice decorativo” e que não era ouvido pela então presidenta. À época, Dilma disse não ver motivos para desconfiar “um milímetro” de Michel Temer. Ela destacou ainda que não só confia como sempre confiou nele e que o vice-presidente sempre teve um comportamento “bastante correto”.

Em março deste ano, o PMDB decidiu deixar a base do governo para apoiar o processo de impeachment que tramitava na Câmara dos Deputados.

Já em abril, na mesma semana da votação no plenário da Câmara da admissibilidade do processo de impeachment de Dilma, Temer enviou uma mensagem de voz a parlamentares do PMDB em que falava como se estivesse prestes a assumir o governo após o afastamento de Dilma. O áudio, de cerca de 14 minutos, dá a impressão de ser um comunicado dele ao “povo brasileiro” sobre como pretende conduzir o país, de forma transitória ou não. Depois das primeiras repercussões da mensagem nas redes sociais, a assessoria de Temer informou que o áudio foi enviado por engano a um grupo de deputados do partido.

No dia seguinte, Dilma disse que havia um golpe em curso contra o seu governo e, sem citar nomes, fala em "chefe e vice-chefe do golpe", referindo-se a Michel Temer e Eduardo Cunha (PMDB-RJ), até então presidente da Câmara dos Deputados.

Trajetória política

Foi como oficial de gabinete de Ataliba Nogueira, secretário de Educação do governo de São Paulo, em 1964, que Michel Temer iniciou a carreira política. Sua filiação partidária ocorreu décadas depois, em 1981, ao assinar a ficha do PMDB, partido do qual nunca se afastou. Em 1983, foi nomeado procurador-geral do Estado de São Paulo no governo do correligionário Franco Montoro. No ano seguinte, assumiu a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo, cargo que também ocupou no início dos anos 90.
Temer durante atuação como secretário de Segurança, quando criou a primeira Delegacia da Mulher do paísAssessoria de Michel Temer
Sua atuação como secretário de Segurança foi marcada por ações inovadoras. Temer criou os conselhos comunitários de Segurança (Conensegs) e, após receber uma comissão que denunciava o espancamento de mulheres e o descaso de autoridades com os crimes, instituiu a primeira Delegacia da Mulher no Brasil. Também criou a Delegacia de Proteção aos Direitos Autorais, instrumento de combate à pirataria, e a Delegacia de Apuração de Crimes Raciais.

Em 1986, foi candidato a deputado federal pelo PMDB de São Paulo, mas, com os 43.747 votos obtidos, ficou com a vaga de suplente. Em 16 de março de 1987, assumiu o primeiro mandato na Câmara, com a licença do deputado Tidei de Lima e se tornou constituinte. Na segunda eleição, em 1990, Michel Temer também ficou com a suplência, registrando 32. 024 votos.

Em 1992, no governo de Luiz Antônio Fleury em São Paulo, voltou à Secretaria de Segurança seis dias após o Massacre do Carandiru. Naquela ocasião, uma intervenção da Polícia Militar no Pavilhão 9 da Casa de Detenção, para conter uma rebelião, provocou a morte de 111 detentos.

Influência política

Temer exerceu seis mandatos como deputado federal. No pleito de 2006, com 99.046 votos, foi eleito com o menor número de votos entre os três parlamentares do PMDB que conquistaram vaga na Câmara. Antonio Bulhões obteve 109.978 votos e Francisco Rossi de Almeida, 106.272.

Em 2009, foi apontado pelo Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap) como parlamentar mais influente do Congresso Nacional. “Michel Temer é um político experiente, de boa formação, habilidoso na articulação com os agentes públicos de modo geral e com os demais poderes quando exerce a função de chefe de poder. É um parlamentar que conhece a real importância do diálogo, da negociação e isso pode ser um diferencial neste período à frente da Presidência da República”, disse Antônio Augusto, jornalista e analista político do Diap.

Temer foi eleito três vezes para a presidência da Câmara (1997, 1999 e 2009). Na condição de presidente da Casa, assumiu a Presidência da República interinamente por duas vezes: de 27 a 31 de janeiro de 1998 e em 15 de junho de 1999 (governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso)

No PMDB, foi presidente do Diretório Nacional de 2001 ao fim de 2010. No ano seguinte, licenciou-se do posto ao assumir a Vice-Presidência da República. Em 2013, ele voltou ao posto, eleito por unanimidade. Após a saída do PMDB do governo em março, em meio às discussões do impeachment da presidenta Dilma Rousseff, Temer licenciou-se da presidência da legenda e deu lugar ao senador Romero Jucá (PMDB-RO).

Aliança PT-PMDB
Bolo marcou, em 2011, a união entre PT e PMDBArquivo/Agência Brasil
A aliança entre o PMDB e o PT começou no primeiro mandato do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, há 13 anos. Em votação simbólica, no dia 13 de junho de 2010, os petistas aprovaram, durante a convenção nacional do PT, em Brasília, a formalização da candidatura de Dilma Rousseff (PT) à Presidência da República e a indicação do deputado Michel Temer (PMDB-SP) para vice na chapa.

Em julho de 2011, em meio à última reunião da base aliada no primeiro semestre, houve até um bolo com os bonecos de Dilma Rousseff e de Michel Temer no topo. Na época, petistas como Ricardo Berzoini e peemedebistas como Henrique Eduardo Alves e Marcelo Castro, todos ministros do governo Dilma, repartiram o bolo para celebrar o “casamento” entre as legendas.

Formação

Formado em direito pela Universidade de São Paulo (1963), Temer é doutor em direito pela Pontifícia Universidade Católica (PUC) de São Paulo. O presidente em exercício também atuou como professor de direito em 1968. Sua carreira acadêmica estendeu-se até 1984.

Temer é autor dos livros Constituição e Política, Territórios Federais nas Constituições Brasileiras e Seus Direitos na Constituinte e Elementos do Direito Constitucional, esse último na 24ª edição, com mais de 200 mil exemplares vendidos.

Intimidade

A intimidade do presidente empossado nesta quinta-feira sempre foi preservada. Apesar do reconhecido traquejo político, Michel Temer manteve-se discretamente nos bastidores do poder.

Com a publicação de seu livro de poemas Anônima Intimidade, em 2013, deixou de lado o perfil reservado de político e expôs traços de sua natureza íntima. Na ocasião, contou que a obra foi escrita durante viagens entre a residência pessoal e reduto eleitoral, em São Paulo, e a capital federal. Temer afirmou que os versos eram "imortalizados em guardanapos".

Temer é casado há 13 anos com Marcela Temer, com quem tem o filho Michel. Também foi casado com Neusa Popinigis (sem filhos) e com Maria de Toledo, com quem teve três filhas: Clarissa, Luciana e Maristela.

Também filiada ao PMDB, Luciana Temer é secretária municipal de Assistência e Desenvolvimento Social de São Paulo, na gestão do prefeito Fernando Haddad (PT).

Heloisa Cristaldo - Repórter da Agência Brasil Edição: Talita Cavalcante e Armando Cardozo
*Colaborou Paula Loboissière

Temer assume Presidência

Michel Temer é notificado e assume Presidência
No Palácio do Jaburu, Michel Temer é notificado e passa a ser presidente interinoAssessoria do senador Vicentinho
No Palácio do Jaburu, Michel Temer é notificado e passa a ser presidente interinoAssessoria do senador Vicentinho

O senador Vicentinho Alves (PMDB-TO) notificou, às 11h27 de hoje (12), o vice-presidente Michel Temer sobre o afastamento da presidenta Dilma Rousseff do cargo por até 180 dias.

De acordo com deliberação da Mesa Diretora do Senado, Temer recebe agora o título de presidente interino. Ele passa a possuir plenos poderes de nomear a equipe de governo e gerenciar o Orçamento da União.

“A missão está cumprida tanto perante a presidente Dilma como também junto aqui ao vice-presidente Michel Temer”, declarou Alves, que, ao entrar no Palácio do Jaburu, negou ter se sentido constrangido com o papel histórico que lhe coube desempenhar. Momentos antes, Alves havia notificado Dilma Rousseff no Palácio do Planalto. Segundo Alves, o vice demonstrou “entusiasmo” e se mostrou “esperançoso”.

Menos dias

Alves, que é primeiro secretário da mesa diretora do Senado, acrescentou que a expectativa dos senadores é que o julgamento definitivo sobre o impedimento de Dilma termine antes do prazo de 180 dias.

"A tendência, e isso já foi expressado pelo presidente (da Comissão de Impeachment no Senado) Raymundo Lira (PMDB-PI), é de que se encurte o que for possível nesse período, sempre garantindo o direito de defesa de Dilma", disse o senador.

Segundo ele, Dilma demonstrou calma ao receber a intimação de afastamento do cargo, de maneira "respeitosa, muito atenciosa e de forma natural. "Ela estava acompanhada de todo o seu gabinete ministerial”.

O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), e outros integrantes da mesa diretora se reúnem nesta tarde com o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Ricardo Lewandoswski, que irá comandar o julgamento do impeachment, para definir os procedimentos daqui em diante.

Estavam ao lado Temer, no Palácio do Jaburu, os futuros ministros da Fazenda, Henrique Meireles, da Justiça, Alexandre de Moraes, da Casa Civil, Eliseu Padilha, e o ex-ministro Moreira Franco, entre outros.

Felipe Pontes - Repórter da Agência Brasil Edição: Kleber Sampaio
(*) Texto atualizado às 12h58 para acréscimo de informações


"A dor da traição"

"Estou vivendo a dor da traição e da injustiça", diz Dilma a manifestantes
Presidenta afastada Dilma Rousseff e o ex-presidente Lula cumprimentam apoiadores em frente ao Palácio do PlanaltoJuca Varella/Agência Brasil
Em discurso a apoiadores do governo, concentrados em frente ao Palácio do Planalto, a presidenta afastada Dilma Rousseff disse que esta sendo vítima de injustiça e traição, após ter sido afastada do cargo por até 180 dias para julgamento do processo de impeachment no Senado.

"Estou vivendo a dor da traição, a dor da injustiça", disse aos manifestantes. “Ao longo da minha vida enfrentei muitos desafios, enfrentei o desafio terrível e sombrio da ditadura, da tortura, enfrentei como muitas mulheres desse país a dor indizível da doença, o que mais dói nessa situação que estou vivendo agora, a inominável dor da injustiça, a profunda dor da injustiça, a dor da traição, a dor diante do fato que eu estou sendo [manifestantes gritam Fora Temer]. São duas palavras terríveis, traição e injustiça, são talvez as mais terríveis palavras que recai sobre uma pessoa e essa hora agora, esse momento é o momento em que as forças da injustiça e da traição estão soltas por aÍ”, disse.

Dilma afirmou que irá resistir até o fim do processo de impeachment, que foi aberto no Senado. "Estou pronta para resistir por todos os meios legais. Lutei minha vida inteira e vou continuar lutando", afirmou.

A presidenta afastada agradeceu o apoio de manifestantes que protestaram nos últimos meses contra o processo que, segundo Dilma, "estiveram do lado certo da história, do lado da democracia".

“Eu sou a primeira mulher eleita presidenta da República, eu honrei os votos que as mulheres me deram. Eu fui a primeira mulher eleita presidenta da República, depois do primeiro operário eleito presidente da República, como primeira mulher, eu honrei as mulheres. Como qualquer pessoa humana, posso ter cometido erros, mas jamais cometi crimes", destacou.

Após o discurso, do lado de fora do Planalto, Dilma recebeu um buquê de flores e cumprimentou os populares. Ela estava acompanhada do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e de ministros de seu governo.

Pronunciamento à imprensa

Antes do pronunciamento para o público, Dilma Rousseff fez um discurso para a imprensa. Cercada por dezenas de ex-ministros, parlamentares e servidores do Palácio do Planalto, a presidenta afastada classificou o processo contra ela de "impeachment fraudulento".

“Diante da decisão do Senado quero mais uma vez esclarecer os fatos e denunciar os riscos para o país de um impeachment fraudulento, um verdadeiro golpe, desde que fui eleita, parte da oposição inconformada pediu recontagem de votos, tentou anular as eleisções depois e passou a conspirar abertamente pelo impeachment, mergulharam o país num ato de instabilidade e impediram a recuperação da economia com tomar na força o que não conquistaram nas urnas”.

Dilma Rousseff admitiu que pode ter cometido erros, mas enfatizou que não cometeu crimes e que está sofrendo injustiça, a "maior das brutalidades que pode ser cometida".

"Não cometi crime de responsabilidade. Não tenho contas no exterior, jamais compactuei com a corrupção. Esse processo é frágil, juridicamente inconsistente, injusto, desencadeado contra pessoa honesta e inocente. A maior das brutalidades que pode ser cometida por qualquer ser humano: puni-lo por um crime que não cometeu", disse.

Em falas interrompidas por aplausos e gritos de apoio, a presidenta lembrou que foi eleita por 54 milhões de brasileiros e disse que o que está em jogo não é somente o seu mandato.

"O que está em jogo não é apenas o meu mandato. É o respeito às urnas. À vontade soberana ao povo brasileiro e à Constituição. São as conquistas dos últimos 13 anos. O que está em jogo é a proteção às crianças, jovens chegando às universidades e escolas técnicas. O que está em jogo é o futuro do país, esperança de avançar cada vez mais. Quero mais uma vez esclarecer fatos e denunciar riscos para país de um impeachment fraudulento. Um verdadeiro golpe", declarou.

No pronunciamento, Dilma estava acompanhada de seus ex-ministros e parlamentares aliados, como a ex-ministra Eleonora Menicucci (das Mulheres), Kátia Abreu (da Agricultura) e Giles Azevedo (assessor especial). Dilma deu a declaração no Salão Leste do Palácio do Planalto que estava lotado de servidores que vieram dar apoio à presidenta afastada. Eles entoaram palavras de ordem: “É golpe”, “Golpistas, fascistas não passarão”, “Dilma, guerreira, da pátria brasileira”.

E voltou a dizer que não cometeu crime, e que, por isso, se sente injustiçada. "Jamais compactuei com a corrupção, esse é um processo inconsistente, injusto, desencadeado contra uma pessoa inocente, é a maior brutalidade que pode ser cometida contra qualquer ser humano, puni-lo por um crime que não cometeu. Não existe injustiça mais devastadora que condenar um inocente, é uma injustiça, um mal irreparável, essa farsa jurídica de que estou sendo alvo. Como presidente, nunca aceitei chantagem alguma, posso ter cometidos erros, mas não cometi crime."

Dilma também voltou a dizer que antecessores também usaram do artifício da pedalada fiscal para ajustar contas de governo. "Atos que pratiquei foram atos legais, honestos. Atos de governo idênticos foram executados pelos presidentes que me antecederam. Não era crime na época deles e não é crime também agora. Tratam  como crime um ato corriqueiro de gestão, me acusam de atraso no pagamento do Plano Safra. É falso. A lei não exige minha participação na execução desse plano. Meus acusadores tem que saber dizer que ato pratiquei. Nada restou para ser pago, nem dívida."

Notificação

Dilma foi notificada no Palácio do Planalto pelo primeiro-secretário da Mesa Diretora do Senado, senador Vicentinho Alves (PR-TO), de seu afastamento do cargo após a proclamação do resultado da votação da admissibilidade do seu processo de impeachment na manhã desta quinta-feira (12).

O Senado aprovou, por 55 votos a favor e 22 contra, a admissibilidade do processo de impeachment da presidenta Dilma Rousseff. Com isso, o processo será aberto no Senado e Dilma é afastada do cargo por até 180 dias. Os senadores votaram no painel eletrônico. Não houve abstenções. Estavam presentes 78 parlamentares, mas 77 votaram, já que o presidente da Casa, Renan Calheiros, se absteve.

Assim que terminou sua declaração, Dilma saiu do Palácio do Planalto pela porta principal que fica no térreo do prédio. No caminho, ela cumprimentou servidores da Presidência, em sua maioria mulheres, que a recepcionaram no caminho, que estavam em um cercado próximo à rampa.

Da Agência Brasil Edição: Carolina Pimentel