Nos Estados Unidos, papa pede urgência para conter mudanças climáticas

Leandra Felipe – Correspondente da Agência Brasil/EBC Edição: Carolina Pimentel

O papa Francisco defendeu hoje (23) a agenda para conter as mudanças climáticas no planeta na primeira atividade política nos Estados Unidos. Ele fez um rápido discurso hoje (23) nos jardins da Casa Branca ao lado do presidente Barack Obama, acompanhado por milhares de pessoas. "Temos que aceitar a urgência de iniciativas para conter as mudanças climáticas e esse é um problema que não pode ser deixado para as gerações futuras. Nós estamos vivendo um momento crítico da história", disse.

Francisco elogiou a iniciativa de Obama de ter proposto a queda na emissão de carbono no país, em um momento que a Casa Branca enfrenta dificuldades para aprovar no Congresso um plano para reduzir em 32% a emissão de gás carbono pelas centrais termoelétricas até 2030. Parte da bancada de deputados e senadores é contrária argumentando que o custo econômico será muito alto.

O presidente Obama, por sua vez, deu boas-vindas ao papa. Ele brincou que o jardim não é sempre tão concorrido. "Isso é só um pequeno reflexo dos 70 milhões de católicos norte-americanos", afirmou.

Obama agradeceu o apoio do papa sobre as questões climáticas, e disse: "Santo Papa, você está aqui para nos lembrar que temos a sagrada obrigação de proteger o nosso planeta".

Em outro momento do discurso, o presidente agradeceu a ajuda de Francisco para o restabelecimento das relações com Cuba.

O papa agradeceu a acolhida na Casa Branca e disse que vem de uma"raiz de imigrantes". Durante o discurso, ele também fez um apelo contra todo tipo de discriminação.

"Católicos norte-americanos estão comprometidos com a construção de uma sociedade que é verdadeiramente tolerante e inclusiva, para salvaguardar os direitos dos indivíduos e das comunidades, e de rejeitar todas as formas de discriminação injusta", disse o pontifíce.

Depois do encontro com Obama, o papa Francisco celebra uma missa na Catedral de São Mateus e à tarde de canonização do frei Junípero Serra, um espanhol que foi missionário no México e na Costa-Oeste dos Estados Unidos no século 18.

A escolha do frei divide opiniões no país pelos relatos históricos de que ele teria usado da força e da violência na catequização de indígenas nativos.


Dilma, Temer e líderes do PMDB se reúnem para discutir redução de ministérios

Yara Aquino – Repórter da Agência Brasil Edição: Denise Griesinger

Em articulação para concluir o desenho da reforma administrativa que vai reduzir o número de ministérios, a presidenta Dilma Rousseff se reuniu na manhã de hoje (23) com o vice-presidente Michel Temer, parlamentares do PMDB e o ministro das Comunicações, Ricardo Berzoini, que participa da articulação política do governo. A expectativa é de que as mudanças sejam anunciadas antes da viagem da presidenta a Nova York, prevista para amanhã (24).

Dilma se reuniu com Temer e o deputado Leonardo Picciani (PMDB-RJ) e recebe o ministro Berzoini e o líder do PMDB no Senado, Eunício Oliveira (PMDB-CE).

Na segunda-feira (21), a presidenta também se reuniu com líderes do PMDB para conversar sobre a reforma, entre eles, Michel Temer e o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL).

Em agosto o governo anunciou que faria uma reforma administrativa com a previsão de cortar dez dos 39 ministérios. Além da extinção ou fusão de pastas, o governo promete cortar também cargos comissionados.


Alta do dólar não é um problema apenas do Brasil, diz Levy

Daniel Lima - Repórter da Agência Brasil Edição: Carolina Pimentel

O ministro da Fazenda, Joaquim Levy, disse hoje (23) que a atual elevação da cotação do dólar faz parte de um movimento em todo o mundo e não só um problema do Brasil. Para ele, existe um processo de recuperação do país, com várias medidas que vem sendo adotadas. Segundo ele, alguns impactos do preço da moeda americana no mercado interno são em consequência de efeitos que estavam represados. O dólar ultrapassou a casa do R$ 4 nesta quarta-feira.

"Acredito que vamos ver maior estabilidade no dólar também. Difícil, impossível fixar qual o patamar, mas tenho certeza que essa volatilidade maior também vai se esvair na medida em que algumas questões, como a votação dos vetos e o próprio orçamento, forem devidamente equacionadas. Estes são os elementos que vão permitir a gente, inclusive recolher os frutos do que já foi feito. Esta é a estratégia de crescimento e é aí que a gente tem que se fixar, com responsabilidade fiscal e clareza de gastos ", disse após participar do Fórum de Segurança Jurídica e Infraestrutura no Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil.

“Acho que primeiro tem movimento global de câmbio e a gente tem que estar atento. O mais importante é a gente avaliar a situação do Brasil. Eu acho que o processo de recuperação da economia está em curso. Diversas medidas que foram tomadas no início do ano estão produzindo seus efeitos. Agora o que a gente vê é um certo represamento desses efeitos na economia por outras razões que não econômicas, vamos dizer assim, razões de insegurança”, acrescentou.

Questionado sobre um possível rebaixamento do grau de investimento do Brasil pela agência de classificação de risco Fitch, o ministro negou uma mudança na nota de crédito do Brasil. “As medidas estão surtindo efeito. Alguns resultados mais positivos estão sendo represados por circunstâncias que trazem uma certa incerteza. Isso tem limitado a capacidade de investimento e até a capacidade de arrecadação. Mas eu tenho a convicção de que vencida essas incertezas, a capacidade de recuperação da economia será rápida”, disse. Representantes da agência se reuniram ontem (22) com Levy no Ministério da Fazenda.




Eslováquia vai apresentar queixa a tribunal europeu contra cotas de refugiados

Da Agência Lusa Edição: Graça Adjuto

A Eslováquia vai apresentar uma queixa ao tribunal europeu contra a distribuição obrigatória dos refugiados com base no sistema de cotas, informou hoje (23) o primeiro-ministro eslovaco, Robert Fico.

“A Eslováquia não tem a intenção de respeitar as cotas obrigatórias. Apresentaremos uma queixa ao tribunal (de Justiça da União Europeia), em Luxemburgo”, disse Fico em entrevista. Ele se referiu ao acordo aprovado para a distribuição de 120 mil refugiados, que tem a oposição da Eslováquia e de mais três países do Leste europeu, segundo o site do jornal eslovaco SME.

O primeiro-ministro social-democrata deu a informação depois de uma reunião do governo sobre a questão dos refugiados. Ele reconhece que ao se recusar a acolher refugiados, como prevê o acordo, a Eslováquia se arrisca ser processada por violar a legislação europeia.

Para Robert Fico, os migrantes não querem se estabelecer na Eslováquia, mas se dirigir a países como a Alemanha e a França.

O primeiro-ministro checo, Bohuslav Sobotka, manifestou posição mais moderada, apesar de o seu país ter votado contra o acordo de distribuição de refugiados.

“Mesmo que não me agrade o sistema de cotas, não estou de acordo com isso e o nosso país votou contra ele. A Europa não deve se dividir sobre a solução da crise migratória”, disse Sobotka, segundo a agência CTK. “É por isso que não quero fazer aumentar a tensão”, acrescentou.


Coreia do Sul vai submeter automóveis da Volkswagen a novos testes

Da Agência Lusa Edição: Graça Adjuto

Jornalistas e emissoras de televisão se posicionam na entrada da fábrica da Volkswagen em Wolfsburg, na AlemanhaJulian Stratenschulte/DPA/Agência Lusa
A Coreia do Sul vai submeter os automóveis da Volkswagen a novos testes de emissões de poluentes depois de o fabricante admitir ter falsificados os resultados em 400 mil carros nos EUA. A informação é do Ministério do Meio Ambiente sul-coreano.

As avaliações devem começar em meados de outubro e vão se estender também “aos veículos que anteriormente passaram com êxito nos testes”, indicaram fontes à agência de notícias Yonhap.

Segundo funcionários do Ministério do Meio Ambiente, serão submetidos a testes os modelos Golf e Jetta, da marca alemã, e os A3 e A7 da Audi, que também pertence à Volkswagen.

A Volkswagen e a Audi são as duas marcas estrangeiras mais populares no mercado sul-coreano, com 15,61% e 12,56% do total de automóveis importados, respectivamente.

A Agência de Proteção do Meio Ambiente dos Estados Unidos acusou na sexta-feira (18) a empresa de falsificar o desempenho dos motores em termos de emissões de gases poluentes através de um software incorporado no veículo. A multa à Volkswagen pode chegar a US$ 18 bilhões (cerca de R$ 72 bilhões ao câmbio de hoje).

Na terça-feira (22), a Volkswagen anunciou que mais de 11 milhões de carros a diesel em todo o mundo foram equipados com um tipo de motor que poderia distorcer os dados de emissões.

Reflexos na bolsa

As ações da Volkswagen caíram hoje (23) 19,82% e atingiram 106 euros. Com isso, subiu para 35% a queda acumulada em duas sessões de pregão – desde a revelação da fraude no sistema de emissão de poluentes. Em dois dias, o grupo perdeu $ 25 bilhões de euros de capitalização.

Arrastada pelos títulos do grupo automóvel, a bolsa de Frankfurt terminou a sessão em queda, com o índice Dax recuando 3,80%.


Comissão Europeia vai investigar 19 membros por violação ao direito de asilo

Da Agência Lusa

A Comissão Europeia vai investigar 19 Estados-Membros por 40 violações da disposição sobre o direito de asilo, entre eles Espanha, Alemanha, França, Holanda e Hungria, informou hoje (23) o jornal alemão Die Welt.

De acordo com o jornal, além destes países, estão também sob investigação a Áustria e a Itália, entre outros, sendo que Portugal não é mencionado.

A Dinamarca, a Irlanda e o Reino Unido não são investigados porque não estão dentro do sistema europeu referente ao direito de asilo.

Segundo o jornal, em julgamento está a falta de adaptação da legislação destes países no que diz respeito ao reconhecimento dos refugiados, às normas mínimas de procedimento para reconhecer o direito de asilo e às condições de acolhimento dos solicitadores de asilo.

"De nada vale discutir novas regras da política migratória em cúpulas se depois a legislação em vigor é aplicada de maneira insuficiente", comentou uma fonte europeia não identificada.

O primeiro passo da investigação é uma advertência aos Estados, que terão agora dois meses para responder, sendo que se não adaptarem suas legislações nesse período poderão ser levados ao tribunal europeu.

O jornal alemão revelou estas informações horas antes da reunião de cúpula que ocorre hoje em Bruxelas os chefes de Estado e de Governo para abordar a questão da crise dos refugiados.


Líderes da União Europeia reúnem-se em cúpula de emergência sobre migrações

Da Agência Lusa

Muros de arame farpado foram instalados para impedir a entrada de migrantes em países da EuropaAgência Lusa/EPA/Yoan Lavat/Direitos Reservados
Os chefes de Estado e de Governo da União Europeia reúnem-se hoje (23) em Bruxelas numa cúpula extraordinária para debater soluções à maior crise migratória registada na Europa desde a 2ª Guerra Mundial.

Depois do acordo sobre a distribuição de 120 mil refugiados, ontem (22), apesar da oposição de países do Leste europeu, os dirigentes europeus deverão, nesta quarta-feira, esforçar-se por tentar resolver a origem do drama dos migrantes e propor soluções conjuntas.

Antes da reunião de emergência, a chanceler alemã, Angela Merkel, o presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, e o presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, participam de uma reunião do grupo do Partido Popular Europeu (PPE, direita) no Parlamento Europeu.

Esta cúpula europeia é classificada pelo Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur) como “a última oportunidade”.

Os mais recentes números fornecidos pela Organização Internacional das Migrações (OIM), divulgados na terça-feira em Genebra, apontam para a chegada de 467.153 migrantes e refugiados à Europa desde o início do ano pelo Mar Mediterrâneo, além de 2.870 mortos ou desaparecidos.

À Grécia, chegaram este ano 336.968 (cerca de 175 mil são sírios e 50 mil, afegãos) e na Itália entraram 127.266 (cerca de 30 mil procedentes da Eritreia, 15 mil da Nigéria e 6 mil da Síria).


Agenda do papa nos Estados Unidos inclui desafios políticos e religiosos

Leandra Felipe - Correspondente da Agência Brasil Edição: Talita Cavalcante

Em viagem aos EUA, papa Francisco se encontra com o presidente norte-americano,  discursa no Congresso e participa da Cúpula da ONUAngelo Carconi/Ansa/Agência Lusa
Durante os seis dias de visita aos Estados Unidos, o papa Francisco terá uma agenda política e religiosa diversificada. Ele deve tentar avançar no tema das relações com Cuba, intercedendo pelo fim do embargo imposto pelos Estados Unidos ao país, e endossar a luta pelo combate à pobreza e redução de efeitos das mudanças climáticas como diretrizes globais.

No campo religioso, papa Francisco tem como desafio fortalecer a Igreja – que apresentou redução no número de fiéis – e tratar questões polêmicas como o casamento entre pessoas do mesmo sexo, a imigração e o aborto.

No encontro com o presidente norte-americano, Barack Obama, previsto para as 9h15 (10h15 no horário de Brasília), a expectativa é que Cuba seja um dos primeiros pontos da conversa. Depois de quatro dias no país caribenho, de se encontrar com Fidel Castro e com o presidente da ilha, Raúl Castro, Francisco disse durante a viagem para os Estados Unidos, que quer o fim do embargo econômico.

O tema do embargo é um dos mais sensíveis da agenda, mas em entrevista dentro do avião durante o deslocamento, papa Francisco afirmou que deseja o fim do embargo e que a situação se resolva em um acordo.

Apesar da declaração incisiva, o papa disse que não pretende tratar do assunto no discurso que fará no Congresso norte-americano hoje à tarde. A visita dele ao plenário é histórica. Nunca antes um pontífice havia ido ao plenário das Casa Legislativas dos Estados Unidos.

Mas a visita causa polêmicas internas. A imprensa norte-americana divulgou comentários de alguns senadores conservadores que já avisaram que podem boicotar o discurso por entender que o papa "se envolve em temas políticos" e tem que um viés "esquerdista", por fazer críticas ao capitalismo e defender uma política social de combate às desigualdades.

Cúpula da ONU

Na Organização das Nações Unidas (ONU) o papa vai ver pela primeira vez a bandeira do Vaticano ser hasteada e participará da Cúpula das Nações Unidas para o Desenvolvimento Sustentável 2015, na sexta-feira (25).

A presença dele na abertura do evento, que vai apresentar oficialmente a Agenda para o Desenvolvimento Sustentável para 2030, é significativa porque o discurso do papa – de redução das desigualdades e combate à pobreza – vem ao encontro dos temas propostos e diretrizes que deverão ser adotadas globalmente pelos países membros da ONU.

No contexto de pedir mais comprometimento dos países na busca de metas propostas em relação às mudanças climáticas, o papa também deve abordar o tema, tendo em vista a proximidade da COP21 a Conferência do Clima, em Paris, marcada para dezembro.

Outros temas que podem surgir na agenda política são a questão da imigração e dos refugiados, além do crescimento do Estado Islâmico.

Desafio religioso

O papa chega aos Estados Unidos em um momento em que o país se prepara para as eleições presidenciais e já há uma disputa intensa nos principais partidos, Republicanos e Democratas, para a escolha dos candidatos.

No pano de fundo da visita, os pré-candidatos discutem questões como o Islamismo, expulsão de imigrantes ilegais, casamento gay e descriminação do uso de drogas. Nesse contexto, ele participará de celebrações em Washington, Nova York e, no encontro das famílias, na Filadélfia.

O papa visita o país em um momento em que o número de católicos praticantes norte-americanos vem caindo. Há oito anos, 24% se diziam católicos, este ano, a última pesquisa apontou para 21% de fiéis. As igrejas neopentecostais cresceram no país, assim como as religiões orientais.

Mas, segundo o Pew Reserch Center, um centro de estudos sobre religião e tendências no país, cerca de 45% das pessoas nos Estados Unidos declaram ter algum tipo de conexão com a fé católica.

"Seria como dizer que a pessoa é católica não-praticante", explicou à Agência Brasil, o teólogo Luiz Wesley de Souza, professor da Emory University em Atlanta.

Uma pesquisa encomendada pelo Washington Post-ABC News, no último domingo (20), revelou que 70% dos norte-americanos tem uma "impressão favorável" do papa Francisco.

"Ele tem credibilidade hoje para tocar em temas sensíveis e ele leva a doutrina social da Igreja, para a agenda global", acrescenta o teólogo.

*Colaborou Gislene Nogueira

Matéria alterada para corrigir informação. A visita do papa durará seis dias, e não cinco.


Primavera começa hoje e terá chuvas atípicas

Andreia Verdélio - Repórter da Agência Brasil Edição: Talita Cavalcante

No dia 23 de setembro é oficialmente declarado o início da Primavera no Hemisfério Sul. No Hemisfério Norte, inicia-se o outono Antonio Cruz/Agência Brasil
A primavera começou oficialmente hoje (23), às 5h21, e a estação será de chuvas atípicas em quase todo o país. Segundo o meteorologista do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), Mozar Salvador, no próximo trimestre, de outubro a dezembro, o Brasil estará praticamente dividido em duas grandes áreas: uma terá chuva acima da média e outra, abaixo.

As temperaturas também serão proporcionais às chuvas. “Nas regiões onde a probabilidade de chuva ficar abaixo da média a tendência é que as temperaturas fiquem mais altas. E, em dias de chuva, a temperatura máxima tende a diminuir um pouco”, explica.

O meteorologista diz que o fenômeno do El Niño já está em curso há alguns meses e que seus efeitos são notadamente registrados em todo o país, com chuvas acima da média no Sul e Norte e seca no Nordeste. A próxima estação deve seguir essa tendência.

Na Região Sul e na parte sul das regiões Sudeste e Centro-Oeste, como áreas dos estados de São Paulo e Mato Grosso do Sul, a probabilidade é que as chuvas fiquem acima da média. “Estamos vendo que, desde o início de setembro, esse perfil tem seguido o padrão previsto, com muitas chuvas no Sul e chuvas regulares em áreas do Sudeste”, acrescenta.

Já nas regiões Norte e Nordeste e a parte norte do Sudeste e Centro-Oeste, como o estado de Goiás, o Distrito Federal e o norte de Minas Gerais, a probabilidade é que as chuvas fiquem abaixo da média.

Mozar Salvador pondera que essa previsão do Inmet [http://www.inmet.gov.br/portal/index.php?r=clima/prev_estocastica] é trimestral e que o volume de chuvas pode variar entre os três meses, com mais chuvas em um mês e menos em outro. De acordo com ele, não é possível também afirmar que o volume de chuvas será regular em todos os locais. Para o meteorologista, apesar de o estado de São Paulo ter a chance de chuvas regulares ou acima da média, pode não chover, por exemplo, nas regiões de captação das bacias com deficit de recursos hídricos.

Estações do ano

Segundo o Observatório Nacional, o início da primavera é quando ocorre o segundo equinócio do ano: quando o dia e a noite têm a mesma duração. O primeiro equinócio ocorreu no início do outono, em 20 de março.

As estações do ano são decorrentes da inclinação do eixo da Terra em relação ao Sol. Em setembro, o Sol chega à linha do Equador, indo de Norte para Sul – o que marca o equinócio de primavera no Hemisfério Sul e de outono no Hemisfério Norte.

A partir daí, segundo o Observatório, os dias ficarão cada vez longos e as noites cada vez mais curtas, até a entrada do verão, no dia 22 de dezembro, quando ocorre o solstício de verão, com o maior dia e a menor noite do ano. Os dias, então, vão ficando cada vez menores até que no equinócio do outono novamente o dia e a noite têm a mesma duração. Depois, os dias continuam ficando mais curtas e as noites mais longas até que, no solstício de inverno, é registrado o menor dia e a maior noite do ano.


Big Jato é o grande vencedor do 48º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro

Aline Leal - Repórter da Agência Brasl Edição: Aécio Amado

Big Jato, de Cláudio Assis, recebeu o prêmio de melhor Filme, na cerimônia de premiação do 48º Festival de Brasília do Cinema BrasileiroFabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil
O filme Big Jato, de Cláudio Assis, foi o grande vencedor do 48º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro. Ele ganhou o Troféu Candango em quatro das cinco principais categorias: o de melhor filme, melhor ator, dado a Matheus Nachtergaele, e o de melhor atriz, a Marcélia Cartaxo. O longa levou ainda os troféus pelo roteiro e pela trilha sonora.

O prêmio especial do júri foi para o longa Fome, de Cristiano Burlan, que venceu também na categoria de melhor som. O Prêmio Candango de melhor montagem ficou com Para minha Amada Morta, de Aly Muritiba. O filme venceu ainda na categoria de melhor direção, direção de arte e de fotografia e conquistou os prêmios de atriz e ator coadjuvante, pelos trabalhos de Giuly Blancato e de Lourinelson Vladmir  O vencedor do júri popular foi  A Família Dionti, dirigido por Alan Minas.

Quintal, de André Novais, venceu na categoria de curta ou média metragem. O filme também conquistou os prêmios de roteiro e de melhor atriz, concedido a Maria José Novais. Rapsódia para o Homem Negro foi vitorioso na trilha sonora; Tarântula, na direção de arte; Comman Action, pelo melhor som. Ainda entre os curtas e médias, A Parte do Inferno levou o prêmio de melhor fotografia.

Segundo o coordenador geral do festival, Sérgio Fidalgo, mais uma vez o público de Brasília soube prestigiar o evento. “A cada ano o festival sempre traz novidades, os filmes da mostra dão a cara do que está se fazendo em termos de audiovisual nacionalmente no ano”, disse. Sérgio destacou que este ano a diversidade, tanto de gêneros quanto de origem dos filmes, foi uma marca do festival.

Grande vencedor da noite, o pernambucano Cláudio Assis estava muito emocionado e disse que o seu filme é “plugado no social”. “Um filme de baixo orçamento, feito em três semanas, numa montanha”, afirmou o diretor de Big Jato em entrevista à imprensa, após a cerimônia de entrega dos prêmios.

A cerimônia de encerramento do festival teve também momentos de vaias, uma delas para a deputada Celina Leão (PDT). Ao entregar o Troféu Câmara Legislativa do Distrito Federal ao diretor John Howard pelo filme Santoro - O Homem e Sua Música, Celina, que preside a Câmara Legislativa, foi vaiada pelo público que lotou o Cine Brasília.

Confira a lista completa dos vencedores:

a) Prêmios oficiais

Filme de longa metragem

Melhor Filme de longa metragem - R$ 100 mil Big Jato, de Cláudio Assis
Melhor Direção - R$ 20 mil Aly Muritiba, pelo filme Para Minha Amada Morta
Melhor Ator - R$ 10 mil Matheus Nachtergaele, pelo filme Big Jato
Melhor Atriz - R$ 10 mil Marcélia Cartaxo, pelo filme Big Jato
Melhor Ator Coadjuvante - R$ 5 mil Lourinelson Vladimir, por Para Minha Amada Morta
Melhor Atriz Coadjuvante - R$ 5 mil Giuli Biancato, por Para Minha Amada Morta
Melhor Roteiro - R$ 10 mil Hilton Lacerda e Ana Carolina Francisco, por Big Jato
Melhor Fotografia - R$ 10 mil Pablo Baião, pelo filme Para Minha Amada Morta
Melhor Direção de Arte - R$ 10 mil Mônica Palazzo pelo filme Para Minha Amada Morta
Melhor Trilha Sonora - R$ 10 mil DJ Dolores, pelo filme Big Jato
Melhor Som - R$ 10 mil Flávio Gonçalves e Cláudio Bessa, pelo filme Fome
Melhor Montagem - R$ 10 mil João Menna Barreto, por Para Minha Amada Morta

Filme de curta ou média metragem

Melhor Filme de curta ou média metragem - R$ 30 mil Quintal, de André Novais
Melhor Direção - R$ 10 mil Nathália Tereza, por A Outra Margem
Melhor Ator - R$ 5 mil João Campos, por Cidade Nova
Melhor Atriz - R$ 5 mil Maria José Novais, por Quintal
Melhor Roteiro - R$ 5 mil André Novais, por Quintal
Melhor Fotografia - R$ 5 mil Leonardo Feliciano, por ÀParte do Inferno
Melhor Direção de Arte - R$ 5 mil Fabiola Bonofiglio,  Tarântula
Melhor Trilha Sonora - R$ R$ 5 mil  Rapsódia Para o Homem Negro
Melhor Som - R$ 5 mil Command Action
Melhor Montagem - R$ 5 mil Afonso é uma Brazza

b) Prêmio do Júri Popular - para os filmes escolhidos pelo público, por meio de votação em cédula própria:

Melhor Filme de longa metragem - R$ 40 mil  A Família Dionti, de Alan Minas
Melhor Filme de curta ou média metragem - R$ 10 mil Afonso é uma Brazza, de Naji Sidki e James Gama

Prêmio Especial do Júri de média/curta História de uma Pena, de Leonardo Mouramateus

Prêmio Especial do Júri de longa vai para Jean-Claude Bernadet, por Fome

Outros prêmios

Troféu Câmara Legislativa do Distrito Federal - Júri Oficial

Melhor filme de longa metragem: R$ 80 mil Santoro - O Homem e Sua Música
Melhor filme de curta metragem: R$ 30 mil A Culpa é da Foto
Melhor direção: R$ 6 mil John Howard, de Santoro - O Homem e sua Música
Melhor ator: R$ 6 mil Davi Galdeano, de O Outro Lado do Paraíso
Melhor atriz: R$ 6 mil Simone Iliescu
Melhor roteiro: R$ 6 mil O Outro Lado do Paraíso
Melhor fotografia: R$ 6 mil O Escuro do Medo
Melhor montagem: R$ 6 mil Armando Bulcão, de Alma Palavra Alma
Melhor direção de arte: R$ 6 mil O Outro Lado do Paraíso
Melhor edição de som: R$ 6 mil O Outro Lado do Paraíso
Melhor captação de som direto: R$ 6 mil O Outro Lado do Paraíso
Melhor trilha sonora: R$ 6 mil Santoro - O Homem e sua Música

Troféu Câmara Legislativa do Distrito Federal - Júri Popular

Melhor filme de longa metragem: R$ 20 mil O Outro Lado do Paraíso
Melhor filme de curta metragem: R$ 10 mil A Culpa é da Foto

Prêmio ABCV - Associação Brasiliense de Cinema e Vídeo

Conferido pela ABCV – Associação Brasiliense de Cinema e Vídeo a profissional do audiovisual do Distrito Federal foi para o ator Gê Martu

Prêmio Canal Brasil

Cessão de um Prêmio de Aquisição no valor de R$ 15 mil e o troféu Canal Brasil, ao melhor filme de curta metragem selecionado pelo júri Canal Brasil:  Rapsódia para o Homem Negro

Prêmio Exibição TV Brasil

O título premiado integrará a programação da emissora.
Melhor filme de longa metragem - R$ 50 mil - foi para Santoro - O Homem e sua Música

Prêmio Marco Antônio Guimarães

Conferido pelo Centro de Pesquisadores do Cinema Brasileiro para o filme que melhor utilizar material de pesquisa cinematográfica brasileira: foi para Santoro - O Homem e sua Música

Prêmio Abraccine

O Prêmio da Crítica será atribuído e organizado, no Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, pela Abraccine (Associação Brasileira de Críticos de Cinema).
Melhor filme de longa metragem: Para Minha Amada Morta
Melhor filme de curta metragem: A Outra Margem

Prêmio Saruê

Conferido pela equipe de cultura do jornal Correio Braziliense, foi para o média Copyleft


Papa Francisco defende o fim do embargo a Cuba no voo para os Estados Unidos

Gislene Nogueira Correspondente da Agência Brasil Edição: Jorge Wamburg


O papa Francisco afirmou hoje (22) esperar que os Estados Unidos retirem o embargo comercial imposto a Cuba há mais de cinco décadas. A bordo do avião do Vaticano, rumo à capital Washington, o pontífice disse ter esperança de que os dois países fechem um acordo para acabar com o bloqueio. O papa desembarcou à tarde nos Estados Unidos.

"Meu desejo é que eles [Estados Unidos e Cuba] terminem com um bom resultado, que eles alcancem um acordo que satisfaça ambas as partes", disse o papa Francisco durante entrevista.

O papa afirmou ainda que não pretende falar sobre o assunto no Congresso dos Estados Unidos, que ele visita nesta quinta-feira (24). Será a primeira vez que um papa discursará para os parlamentares norte-americanos. Para o líder da Igreja Católica, a questão "é algo público, que está trilhando o caminho das boas relações".

Na sexta-feira passada (18), os Estados Unidos anunciaram uma série de medidas que amenizam o embargo imposto a Cuba. As novas regras permitiram que empresas norte-americanas abram escritórios e lojas em Cuba. As companhias passam também a ter autorização para oferecer serviços de internet e de telecomunicações. Viagens de transferências bancárias também foram facilitadas. A remoção total do embargo financeiro, econômico e comercial depende, no entanto, da aprovação do Congresso norte-americano.

Ainda no avião, o papa foi questionado sobre a prisão de dissidentes do regime cubano durante a viagem à ilha. Ele disse não ter conhecimento direto sobre as detenções. O papa falou do trabalho que a Igreja Católica faz na ilha. Segundo ele, a igreja lista os prisioneiros à espera de indulto e mais de duas mil pessoas receberam o perdão do governo de Cuba até agora.

Segundo a imprensa internacional, entre 100 e 150 dissidentes foram presos durante a visita do papa a Cuba.


Contação de Histórias

Próxima parada: Madre Deus (Bahia) - dia 25.09.2015, sexta-feira

Sábado, 26.09, em Salvador - Aguarde.

EUA abrem investigação criminal para apurar alterações em carros da Volkswagen

Da Agência Brasil Edição: Talita Cavalcante

O executivo-chefe da Volkswagen, Martin Winterkorn, em pronunciamento no site da empresa, em que se desculpa pelas alterações nos veículosEPA/Julian Stratenschulte/Agência Lusa/Direitos Reservados
Autoridades dos Estados Unidos abriram investigação criminal para apurar as alterações em veículos, fabricados pela Volkswagen, para reduzir a emissão de gases poluentes em cerca de meio milhão de carros a diesel vendidos no país.

A investigação será feita pela divisão do Departamento de Justiça responsável pelas questões relacionadas a recursos naturais.

A fabricante alemã, que admitiu ter um software nos carros que altera os testes de controle de poluição, já está sob a investigação dos Estados Unidos pela Agência Ambiental Federal (EPA), que poderá impor uma multa de até US$ 18 bilhões de dólares (cerca de 15,9 bilhões de euros).

A Agência de Proteção Ambiental da Califórnia também faz suas próprias investigações sobre a Volkswagen, que também está exposta às queixas coletivas de compradores que se considerarem enganados. Também foram abertas investigações na Alemanha e na Itália.

O escândalo, que causa polêmica na Europa, estará também "nas próximas semanas" no centro de uma audiência do Congresso dos Estados Unidos, de acordo com dois deputados da Subcomissão de Energia e Comércio da Casa dos Representantes.

O grupo Volkswagen anunciou hoje (22) que mais de 11 milhões de carros a diesel em todo o mundo foram equipados com um determinado tipo de motor que poderia distorcer os dados de emissões.

Em comunicado, a fabricante faz questão de esclarecer que "os veículos novos do grupo Volkswagen com motores diesel UE 6, atualmente disponíveis na União Europeia, estão em conformidade com os requisitos legais e as normas ambientais", mas que os veículos "com motores tipo EA 189, envolvendo cerca de 11 milhões de automóveis em todo o mundo", poderão ter discrepâncias nos dados das emissões.

Custos

O grupo Volkswagen anunciou nesta terça-feira que vai fazer uma provisão de 6,5 bilhões de euros no terceiro trimestre deste ano para cobrir custos potenciais por ter alterado as emissões de gases nos seus carros nos Estados Unidos.

Em comunicado, a fabricante alemã disse que, perante essa provisão, os resultados financeiros do terceiro trimestre "poderão estar sujeitos a avaliação", sendo que a previsão de lucros para 2015 "poderá estar sujeita à reavaliação e ser ajustada em conformidade".

Ações

O comunicado fez com que as ações da Volkswagen caíssem hoje mais de 20% na Bolsa de Frankfurt, depois de terem perdido 17% ontem (21).

Nessa segunda-feira, o grupo Volkswagen perdeu aproximadamente 15,6 bilhões de euros, quase um quarto da sua capitalização, depois de ter admitido as alterações nos veículos. As ações do grupo alemão fecharam a sessão em queda de 23%, para 125,40 euros, sendo que o presidente da Volkswagen, Martin Winterkorn, cuja renovação do mandato estava prevista para o ocorrer durante o Conselho de Supervisão de sexta-feira (25), vê o cargo em risco.

A Volkswagen não especificou quantos modelos foram alterados, mas alguns dos veículos que incluem o motor são o Golf, Jetta, Beetle da Volkswagen e o Audi A3.

*Com informações da Agência Lusa

CFM suspende idade limite para mulheres usarem técnicas de reprodução assistida

Paula Laboissière - Repórter da Agência Brasil Edição: Juliana Andrade

Mulheres com mais de 50 anos que desejam ser mãe poderão usar técnicas de reprodução assistidaArquivo/Agência Brasil
Mulheres com mais de 50 anos que queiram engravidar vão poder utilizar técnicas de reprodução assistida, desde que assumam os riscos do procedimento. A decisão faz parte de resolução divulgada hoje (22) pelo Conselho Federal de Medicinal (CFM) que atualiza as regras para reprodução assistida no Brasil.

O coordenador da Câmara Técnica de Ginecologia e Obstetrícia do CFM, José Hiran, ressaltou que a entidade continua defendendo o limite máximo de 50 anos para a mulher passar por esse tipo de procedimento. Isso porque, segundo ele, há graves riscos tanto para a mãe, como hipertensão e diabetes gestacional, quanto para o feto, como prematuridade. “Cada caso deverá ser analisado pelo profissional que toma conta do procedimento”, disse Hiran.

Outra mudança anunciada trata do uso da reprodução assistida por casais homoafetivos do sexo feminino. As novas regras permitem a chamada gestação compartilhada – quando o embrião gerado por meio do óvulo de uma das mulheres é implantado na parceira. Segundo o diretor da Sociedade Brasileira de Reprodução Assistida, Adelino Amaral, a alteração, neste caso, foi apenas na redação, para que não surgissem dúvidas entre casais ou entre os próprios médicos.

A resolução também trata da doação de gametas (espermatozoides e óvulos). No caso de gametas do sexo feminino, só poderá ocorrer da seguinte forma: mulheres com até 35 anos em processo de reprodução assistida poderão doar óvulos para outras que não podem mais produzi-los, em troca do custeio de parte do tratamento. “Trata-se do princípio da solidariedade”, destacou o diretor.

O texto faz ainda alterações no capítulo que trata do diagnóstico genético pré-implantação de embriões. Segundo Amaral, a regra vale para casos em que sabidamente existe uma doença genética na família, como hemofilia ou distrofia muscular progressiva. A estratégia consiste em utilizar a evolução da medicina para evitar que uma criança nasça com graves problemas de saúde, além de permitir a seleção de embrião compatível para doar células-tronco a um irmão doente, por exemplo.

A primeira resolução do CFM que trouxe normas éticas para a utilização de técnicas de reprodução assistida no Brasil foi publicada em 1992. As atualizações seguintes vieram em 2010, 2013 e agora, em 2015. A previsão da entidade é que o texto seja publicado até a próxima quinta-feira (24) e, em seguida, entrará em vigor.

As resoluções são as únicas normas no país que tratam diretamente do assunto, já que o Congresso Nacional ainda não aprovou nenhuma lei sobre o tema. A estimativa é que existam 106 clínicas de reprodução assistida no país, responsáveis por mais de 60 mil transferências de embriões apenas no ano passado.


Papa apela para novo tipo de "revolução" em Cuba: a reconciliação

Da Agência Lusa Edição: Graça Adjuto

O papa Francisco pediu hoje (22), durante missa na cidade de Santiago de Cuba, berço da Revolução Comunista de 1959, um novo tipo de revolução no país, de reconciliação.

Francisco, que segue nesta terça-feira de Cuba para a primeira visita aos Estados Unidos, celebrou sua última missa na viagem ao país, na basílica dedicada a Nossa Senhora da Caridade de El Cobre, a padroeira da ilha – uma Virgem Maria miscigenada que simboliza as raízes espanholas e africanas da região.

Francisco louvou Maria como a personificação de “uma revolução de ternura” e apelou aos cubanos a seguirem o exemplo dela “para construir pontes, derrubar muros, plantar sementes de reconciliação”.

O argentino de 78 anos, o primeiro papa latino-americano, encontrou-se com famílias e abençoou a cidade do sudeste, a segunda maior do país, antes de partir para Washington.


Levy diz que crescimento do país depende de imaginação e não de fórmulas mágicas

Daniel Lima – Repórter da Agência Brasil Edição: José Romildo

O ministro da Fazenda, Joaquim Levy, disse hoje que o Brasil necessita de imaginação e não da ilusão de fórmulas mágicas para que a economia chegue ao crescimento. Ao se dirigir a participantes de um seminário da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), que está sendo realizado no Itamaraty, em Brasília, Levy defendeu a construção pela sociedade brasileira de uma agenda de crescimento que envolva equilíbrio fiscal.

“A gente tem de ter humildade e as pessoas têm de entender a razão desse esforço [em busca do crescimento]. As pessoas precisam se motivar, ter a confiança de que esta transição vai nos levar a uma economia mais aberta, dinâmica, vigorosa. A gente terá esse desenvolvimento econômico”, disse.

O ministro voltou a defender reformas estruturais na economia brasileira para aumentar a produtividade, como a simplificação na arrecadação de tributos e a melhoria na qualificação da mão de obra. “Vamos aproveitar a nova classe média, que foi criada. Dar oportunidade para a classe média. A palavra no Brasil tem que ser oportunidade para ascensão da classe média, [e esta necessita] adquirir novas habilidades e novas capacidades no mercado de trabalho”, afirmou.

Levy observou que o mercado de trabalho no mundo está passando por transformações. Segundo ele, é importante para a sociedade rever o funcionamento do Estado para que este possa atender às necessidades da população do país, a sétima economia do mundo. “Temos que ter uma economia com conteúdo cada vez mais tecnológico, capaz de concorrer e gerar emprego de qualidade, em que a produtividade seja a sustentação do crescimento. A gente não pode viver só do cartão de crédito. A gente não pode viver só gastando colchão fiscal. A gente tem que crescer e ter uma nova fase através da produtividade”.

Levy se disse “antenado” para os desafios da economia. Segundo ele, “o desafio do governo, não é restaurar o passado, é facilitar o futuro”. Depois de sua palestra, o ministro voltou ao Ministério da Fazenda onde terá encontro com representantes da agência de classificação de risco Fitch.


Croácia pede à Sérvia que reencaminhe refugiados para outros países

Da Agência Lusa Edição: Graça Adjuto

O primeiro-ministro croata, Zoran Milanovic, pediu hoje (22) à Sérvia que reencaminhe os refugiados para a Hungria e Romênia, além da Croácia, libertando assim as 35 mil pessoas que chegaram à fronteira da Sérvia nos últimos dias.

"Eu não acuso a Sérvia, mas peço que enviem os migrantes para a Hungria, Romênia e Croácia também e, em seguida, nós vamos encaminhá-los a todas as direções", disse o chefe do governo croata aos jornalistas.

Belgrado deixou de enviar refugiados para a Hungria desde quarta-feira passada (16), quando um muro de arame farpado bloqueou a fronteira com a Hungria.

A declaração do primeiro-ministro croata é feita no mesmo dia em que os ministros do Interior da União Europeia se encontram a fim de buscar uma solução para a crise dos refugiados. A Agência das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur) lançou um deafio aos países da União Europeia para que mostrem "se são verdadeiramente uma união, com uma política comum, ou apenas um conjunto de países que atuam individualmente".

Governo vai investir R$10 milhões para multiplicar doação de órgãos


Foto: Manu Dias/GOVBA
Promover ações que incentivem a população e capacitem os profissionais de saúde para multiplicar o número de doação de órgãos na Bahia é o objetivo da Política Estadual de Incentivo à Doação de Órgãos, Tecidos e Transplantes, lançado pelo governador Rui Costa, na manhã desta terça-feira (22), no auditório da Secretaria de Educação, no Centro Administrativo da Bahia (CAB), em Salvador. Para isso, mais de R$ 10 milhões serão investidos, por ano, para alavancar desde a doação, passando pela captação, chegando até a fase de acompanhamento antes e depois dos transplantes para os pacientes – os quatro pilares do plano estadual. A ideia é que os recursos sejam utilizados, entre outras áreas, para reduzir as dificuldades na realização de transplantes, incluindo estímulo financeiro às equipes médicas e hospitais, até o investimento em equipamentos, exames e medicamentos de alto custo na capital e interior.

Durante a cerimônia de lançamento do plano estadual, o governador falou sobre o que classificou como mais uma das ações para desenvolver a saúde na Bahia. "Eu acredito que com determinação e trabalho todos os desafios podem ser superados. Esse ano, em termos de recursos, está muito difícil para a Bahia, mas aqui queremos fazer mais e melhor, gastando menos, e por isso estamos apostando nessa iniciativa. Primeiro porque daremos qualidade de vida a milhares de pessoas, mas como se isso tudo não bastasse, vamos reduzir o custo de tratamentos, com o transplante. Depois de um cerca de um ano, cada transplante realizado vai significar redução do custo de tratamento. Queremos expandir a estrutura transplantadora cada vez mais e, além da rede pública, vamos incentivar a realização de parcerias com a rede privada para quem queira disponibilizar sua estrutura para esses procedimentos", destacou Rui, que afirmou acreditar que a falta de recursos serão superadas com as estratégias corretas, que, além de economia, promovem qualidade e melhoria de vida do povo baiano.

Atualmente, dois mil baianos estão na fila de espera por um transplante de órgão, mas a ideia é reduzir e, no caso de alguns órgãos, como a córnea, zerar essa fila de espera. Para o secretário da Saúde do Estado, Fábio Vilas-Boas, sociedade, pacientes e profissionais da área estão envolvidos no plano e são fundamentais para o desenvolvimento e sucesso dessas ações. "Com a participação de todos, vamos eliminar os impasses para a doação e transplantes, sejam eles educacionais, técnicos, de capacitação ou estrutural. Estamos apoiando as equipes médicas e os pacientes com estrutura e com medicação e iremos eliminar os atuais impedimentos para que quem precisa receba assistência. É uma política inovadora e única no Brasil, que vai alavancar e transformar a Bahia numa pátria transplantadora", falou.

O objetivo é desenvolver essas atividades no estado em um curto prazo, cerca de um ano. Entre as metas estão as de triplicar a doação e o transplante de córnea no primeiro ano; dobrar a doação de órgãos sólidos no primeiro ano; além de aumentar em 50% o número de transplantes de órgãos sólidos a partir do ano que vem e nos anos seguintes, até zerar a fila de espera. Além de aumentar a quantidade de transplantes, a política estadual ainda deve realizar procedimentos que não estavam sendo feitos na Bahia, como os transplantes de coração, desativado desde 2009. De acordo com o secretário Fábio Vilas-Boas, até o final deste ano, o primeiro procedimento de coração acontecerá no Hospital Ana Nery.

Sucom Bahia

Muçulmanos iniciam hoje peregrinação para Meca

Da Agência Lusa

Milhares de muçulmanos começam hoje a se deslocar para o vale de Mina, em Meca, para a peregrinação que dura seis dias, no maior encontro anual muçulmano do mundo.

Este ano, a peregrinação para a cidade santa é marcada pela tragédia ocorrida há dez dias, após um acidente com uma grua (equipamento usado em obras), que caiu no interior da grande mesquita de Meca e causou a morte a 107 pessoas e ferimentos em 238.

Quase 2 milhões de pessoas são esperadas na peregrinação deste ano, em meio à guerra da Arábia Saudita no Iêmen e no momento em que aumenta a violência jihadista em alguns países muçulmanos.

Anteriormente marcada por tumultos e incêndios que mataram centenas de pessoas, a peregrinação tem ocorrido sem incidentes na última década, depois de melhorias na segurança.

A peregrinação está entre os cinco pilares do islamismo e todos os muçulmanos a fazem pelo menos uma vez na vida.

No decorrer da celebração, os peregrinos ficam em tendas construídas especialmente para o evento. A cidade só ganha vida nesta época do ano.

Durante as peregrinações não se deve usar mais nada além das vestimentas brancas próprias (ihram). Os pés devem permanecer descalços, devido à crença de que, durante a celebração todos os sinais de riqueza devem ser retirados do corpo, simbolizando que perante Deus todos são iguais.

Papa Francisco encerra visita a Cuba e segue para os Estados Unidos

Leandra Felipe - Correspondente da Agência Brasil/EBC Edição: Graça Adjuto

Papa se encontra com Fidel Castro em CubaEPA/Cubadebate/Alex Castro/Agência Lusa/Direitos Reservados
O papa Francisco encerra hoje (22) viagem de quatro dias a Cuba, depois de uma vasta agenda de celebrações e de ter se encontrado com os irmãos Castro. De manhã, ele celebra missa na Basílica Menor e depois terá encontro com famílias na Catedral de Santiago de Cuba, antes de deixar a ilha e embarcar para Washington. Durante a visita, a imagem de facilitador da reconciliação entre os Estados Unidos e Cuba foi reforçada.

De maneira geral, a agenda política e o conteúdo das conversas e reuniões que teve não foram detalhadas. Tanto o Vaticano quanto o governo cubano foram discretos e não divulgaram informações detalhadas sobre as conversas entre o papa Francisco, o ex-presidente Fidel Castro e o presidente Raúl Castro. Ele também evitou falar publicamente sobre os dissidentes e sobre a liberdade política.

A imprensa internacional, que acompanha a visita do Papa, mostrou imagens de prisões de pessoas em meio às celebrações. Ativistas entrevistados afirmaram que entre 50 e 100 pessoas foram detidas e houve ameaças para que dissidentes não saíssem de casa. De acordo com o Vaticano, o Papa não se pronunciou sobre as denúncias de detenções.

Com relação aos encontros com Raúl e Fidel Castro, somente a troca de presentes e informações gerais sobre as conversas foram divulgadas. Segundo o Vaticano, a conversa com Fidel durou 40 minutos e eles falaram de religião e de temas internacionais, em tom informal. A imprensa oficial cubana divulgou imagens do encontro, mas sem áudio.

Os encontros com Raúl Castro também foram discretos. Publicamente, eles trocaram presentes e se cumprimentaram durante as missas celebradas em Havana e na cidade de Holguín, terra natal dos líderes cubanos.

Depois de se reunir com o governo cubano, o Papa terá ampla agenda em Washington - primeiro com o presidente Barack Obama e depois no Congresso norte-americano. A questão do embargo econômico e o fechamento da prisão que os Estados Unidos mantêm em Guantânamo são temas sensíveis.

Antes da chegada do Papa Francisco a Cuba, Obama telefonou para Raúl Castro. Depois dos quatro dias na ilha, o papa se encontrará amanhã (23) com o presidente norte-americano na Casa Branca.

Durantes as celebrações, missas e reuniões com sacerdotes, o papa destacou a importância do perdão e da reconciliação. Ele defendeu que as pessoas sirvam aos menos favorecidos e não a ideais. Ontem, ele pediu pela reconciliação com os Estados Unidos durante uma oração na Basílica Menor do Santuário da Virgem da Caridade.

"Mãe de reconciliação, reúne teu povo disperso pelo mundo, faz da Nação cubana um lugar de irmãos e irmãs."



Líder talibã pede que Afeganistão cancele acordo de segurança com Estados Unidos

Da Agência Lusa Edição: Graça Adjuto

O novo líder dos talibãs disse hoje (22) que o Afeganistão deve cancelar seu acordo de segurança com os Estados Unidos da América e expulsar todas as tropas estrangeiras, se deseja a paz no país.

Mullah Mansour fez o apelo em sua primeira mensagem, desde que assumiu a liderança do movimento, após a morte do seu fundador, Mullah Omar, ter sido confirmada em julho.

“Se a administração de Cabul quer acabar com a guerra e estabelecer a paz no seu país, isso só é possível acabando com a ocupação e revogando todos os tratados militares e de segurança com os invasores”, disse Mansour, em mensagem em inglês publicada no portal dos talibãs e divulgada para assinalar o festival muçulmano Eid-ul-Adha.

Ataque

No país vizinho, Paquistão, os talibãs atacaram hoje um acampamento das Forças Armadas, em Peshawar, e 32 pessoas morreram, incluindo 16 que rezavam em uma mesquita situada no interior da base.

O ataque foi perpetrado por um grupo de pelo menos 13 talibãs, armados e vestidos com uniforme policial, que antes de serem abatidos mataram 32 pessoas, incluindo três militares, e fizeram mais de 20 feridos.

O ataque à base foi o maior no Paquistão contra alvos militares, desde o de dezembro passado, contra uma escola em Peshawar ligada ao Exército, em que morreram 125 crianças.

Na ocasião, tal como agora, o ataque foi reivindicado pelo principal grupo talibã paquistanês, o TTP, que em dezembro assegurou que a ação tinha sido uma reação às ofensivas do Exército paquistanês, lançadas nas regiões de Khyber e na área tribal de Waziristan.



Organização denuncia "despejo forçado" de milhares de civis pelo Egito no Sinai

Da Agência Lusa

A organização Human Rights Watch (HRW) denunciou hoje (22) o “despejo forçado” de milhares de civis e a destruição de centenas de edifícios pelas autoridades egípcias para criar uma “zona segura” no norte da península do Sinai, na fronteira com Gaza.

Em relatório publicado nessa terça-feira, a organização de defesa de direitos humanos mostra que, entre julho de 2013 e agosto de 2015, o Exército egípcio demoliu 3.255 edifícios e desalojou milhares de moradores em uma área de 79 quilômetros quadrados, incluindo a localidade de Rafah, com 78 mil habitantes. Foram destruídos 685 hectares de cultivo, privando os agricultores do seu meio de subsistência.

No relatório À procura de outra pátria, a HRW destaca que muitas famílias do norte do Sinai ficaram sem casa e foram separadas, vivendo agora em tendas em espaços abertos ou acampamentos informais, ou foram obrigadas a se retirar para áreas mais distantes, como o o Delta do Nilo ou o Cairo. Tudo para, “presumivelmente, eliminar a ameaça dos túneis de contrabando” entre o território egípcio e Gaza, pelos quais é transportado todo tipo de produto, incluindo armamento, diz o documento. Para a HRW, a atuação do governo egípcio é “desproporcional”.

A organização norte-americana destacou que as autoridades egípcias não ofereceram provas de que, por meio desses túneis, os grupos radicais recebam armas e outro tipo de apoio.

A HRW assegurou que as retiradas começaram em julho de 2013, após o golpe militar que derrubou o então presidente Mohamed Morsi, e foram aceleradas em outubro de 2014, depois de um ataque contra as forças de segurança em que pelo menos 28 soldados morreram.

As Forças Armadas estão "demolindo arbitrariamente milhares de casas” e "destruindo bairros inteiros”. As ações começaram antes de o governo egípcio ter ordenado, por decreto, a criação de uma “zona segura” na fronteira, em novembro de 2014, segundo comprovou a organização em imagens de satélite.

A HEW denuncia ainda que o Egito não fez distinção entre edifícios civis e outros e empregou métodos pouco precisos para a demolição dos imóveis, como explosivos, maquinaria pesada e até o bombardeio com um tanque.

União Europeia volta a tentar hoje acordo sobre distribuição de refugiados

Da Agência Lusa

Migrantes que cruzaram fronteira da Sérvia com a Croácia aguardam em campo para fazer registroEPA/Antonio Bat/Agência Lusa/Direitos Reservados
Os ministros dos Assuntos Internos da União Europeia voltam a se reunir hoje (22), em Bruxelas, em busca de um acordo sobre o programa de destribuição de refugiados sírios entre os Estados-Membros, um dia antes de uma cúpula extraordinária de líderes europeus.

Na reunião ministerial anterior, em 14 de setembro, os 28 adotaram formalmente o plano de recolocação de 40 mil refugiados que chegaram à Itália e à Grécia – sobre o qual já havia acordo político desde julho. Mas, sobre a nova proposta apresentada à Comissão Europeia, de reinstalar mais 120 mil refugiados, não houve consenso, motivando este novo encontro, assim como um Conselho Europeu extraordinário, ao nível de chefes de Estado e de Governo, que terá lugar já na quarta-feira, e que se espera que seja decisivo.

Já descartado parece estar um sistema de cotas obrigatório, recusado com veemência por países como Hungria, Polônia, República Checa e Eslováquia, que voltaram a se encontrar ontem (21), em Praga, e a se opor à repartição proposta por Bruxelas, embora garantam que trabalharão para um “acordo comum”.

Portugal estará representado na reunião de hoje pela ministra da Administração Interna, Anabela Rodrigues, que na semana passada indicou em Bruxelas que o governo respondeu favoravelmente à proposta da comissão, que atribui a Portugal uma “cota” de cerca de 3 mil refugiados (além dos 1,5 mil previstos no quadro do plano de recolocação de 40 mil pessoas com necessidade de proteção internacional).

Países da OCDE receberam mais de 800 mil pedidos de asilo em 2014

Da Agência Lusa Edição: Graça Adjuto

Os países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) enfrentam grave crise de refugiados, com mais de 800 mil pedidos de asilo em 2014, diz relatório divulgado hoje (22) em Paris pela organização. O número de pedidos de asilo representou aumento de 46% em 2014 - índice não visto desde 1992, o segundo maior em 35 anos – e poderá ser ainda maior em 2015.

Os principais países de destino são a Alemanha, os Estados Unidos, a Turquia, a Suécia e a Itália. A França está na sexta posição, depois de ficar, por longo tempo, entre os três principais países de destino.

“Embora as migrações humanitárias sejam uma questão de preocupação crescente em várias regiões do mundo, principalmente na Ásia, é a Europa que registra a maior parte dos pedidos de asilo (mais de 600 mil em 2014)”. Segundo o documento, “isto é claramente uma situação de emergência, que requer resposta coordenada em nível europeu e mundial”.

“Na Europa, a crise humanitária faz parte de um contexto mais amplo de dificuldades crescentes relativas à migração irregular”, diz o texto, acrescentando que “a ausência de controle nas fronteiras líbias criou uma situação inédita, e o número de entradas irregulares, medida pela agência europeia Frontex, aumenta constantemente”.

Segundo a OCDE, nos primeiros seis meses de 2015, cerca de 137 mil pessoas desembarcaram na costa da Grécia, Itália, de Malta e da Espanha, o que corresponde a um aumento significativo de 83% em relação aos 75 mil observados no mesmo período de 2014. “O fato de essas chegadas não comportarem somente potenciais refugiados, mas também migrantes que não têm sempre a necessidade comprovada de proteção, acrescenta uma pressão suplementar”.

Para a organização, “a crise humanitária atual ocorre em um período relativamente delicado para a economia e o mercado de trabalho na Europa, assim como em um contexto de luta mundial contra o terrorismo”.

O essencial das migrações para a Europa e para os países da OCDE é sempre feito pelas vias legais. A imigração legal permanente para os países da OCDE foi 4,3 milhões de pessoas em 2014, um aumento de 6% em relação a 2013. Na União Europeia, a imigração legal proveniente de países que não pertencem ao bloco é comparável ao que é observado nos Estados Unidos, cerca de 1 milhão por ano. Conforme o relatório, a integração dos imigrantes e seus filhos necessita de políticas públicas apropriadas.

Os trabalhos recentes da organização mostram que, apesar de melhorias líquidas de uma geração para outra, em vários países, os imigrantes são mais afetados pelo desemprego, por empregos menos qualificados ou são muito qualificados para o emprego que têm, enfrentando frequentemente a pobreza.

A OCDE reúne 34 países, a maioria considerados desenvolvidos, com elevado Produto Interno Bruto e Índice de Desenvolvimento Humano.


Direito de ir e vir não é direito de dirigir, diz ativista em mobilidade urbana

Bruno Bocchini - Repórter da Agência Brasil Edição: Graça Adjuto

O diretor da Associação de Ciclistas Urbanos de São Paulo, Daniel Guth, defende o desestímulo ao uso do carro na cidade Mariana Gil/ WRI Brasil EMBARQ Brasil
Diretor da Associação dos Ciclistas Urbanos de São Paulo (Ciclocidade), uma das entidades mais ativas na defesa do uso de bicicletas na capital paulista, Daniel Guth defendeu o desestímulo ao uso de veículos na cidade e o incremento a outros modais de transporte como a bicicleta e o transporte coletivo.

Para ele, a instalação de vias exclusivas de ônibus na cidade, assim como para as bicicletas, a retirada de vagas de estacionamento para carros e o fechamento de rua aos veículos motorizados tem gerado nos motoristas o sentimento de perda de espaço e a falsa sensação da perda de direitos.

“As pessoas estão confundindo o direito de ir e vir com o direito de dirigir. Não pode haver essa confusão. Quando não é permitido a você circular de carro, não está se cerceando o seu direito de ir e vir, você pode muito bem se deslocar, a pé, de bicicleta, de transporte público, uma série de outros modos de transporte. As pessoas confundem, muitas vezes, o direito constitucional de ir e vir com o direito de dirigir”, disse Guth, em entrevista à Agência Brasil,  para marcar o Dia Nacional sem Carro, comemorado hoje (22).

A seguir, a íntegra da entrevista:

Agência Brasil: os modais bicicleta e carro não têm como se complementar sem que haja um enfrentamento entre as partes, como hoje vemos em São Paulo?

Daniel Guth: não é que existe um enfrentamento deliberado, do ponto de vista do discurso. Quando você tira uma faixa de estacionamento na rua e coloca uma ciclovia, os motoristas têm visto isso como enfrentamento. Mas isso não é enfrentamento, isso é só uma política de inclusão.

Quem se desloca de automóvel na cidade de São Paulo representa pouco menos de um terço da população, e esse um terço ocupa 80% da via pública. A via pública é para todos, não é só para o automóvel. Um único meio de transporte está ocupando 80% do espaço que é para todo mundo. Isso é chocante, isso é falta de equidade.

Quando você tira um pouco desse espaço para dar a outros modais, que têm tantos direitos ou mais, como diz a legislação, então as pessoas veem isso como enfrentamento. Mas isso tem a ver muito mais com um século de narrativa da indústria automobilística, da publicidade, do que efetivamente um enfrentamento na prática, como você citou.

Tem muito mais a ver com a sensação de perda de direitos que, na verdade, não são direitos, são privilégios. Estacionar na rua nunca foi um direito, sempre foi um privilégio, e um privilégio que a gente tem que aprender a abrir mão. Estacionar na via pública é uma privatização tosca do espaço público. Quando se retira estacionamentos, as pessoas sentem que perderam direito.

Há uma confusão entre direito de ir e vir e direito de dirigir. Não pode haver essa confusão. Quando não é permitido a você circular de carro, não está se cerceando o seu direito de ir e vir, você pode muito bem se deslocar, a pé, de bicicleta, de transporte público, uma série de outros modos de transporte. As pessoas confundem muitas vezes o direito constitucional de ir e vir com o direito de dirigir.

No caso do fechamento de ruas para carros, como ocorre na Avenida Paulista, o debate, em vez de ser feito no sentido de entender que esse espaço tem de ser devolvido às pessoas, que podem usufruir a avenida de outra maneira, as pessoas elas encaram isso como um enfrentamento, como se tivessem perdendo direitos. Isso tem a ver muito mais com uma análise subjetiva, social, cultural, do que com enfrentamento direto, um embate, uma acareação de ideias, de argumentos.


Agência Brasil: há muita resistência dos motoristas?

Guth: não há nenhuma medida de desestímulo ao uso do carro que não seja acompanhada de uma resistência dos motoristas. E não é falta de diálogo, não é falta de argumentos, não é falta de campanhas, é simplesmente o fato de que essas pessoas estão sentindo a perda de privilégios.

Todas as cidades do mundo que entenderam que o modelo “rodoviarista” tem um limite - há um ponto em que a cidade não anda mais porque não há sistema que comporte a quantidade de automóveis - passaram a criar medidas e políticas públicas que, de certa forma, criaram resistências porque tiveram que tirar espaço desse único modal que reinou nas cidades.

Nova York, Londres e Paris passaram por isso, Bogotá passou por isso, Buenos Aires tem passado por isso, a Cidade do México tem passado por isso, e não estou só falando de cidades europeias, estou falando de cidades vizinhas nossas. São Paulo tem de enfrentar isso com serenidade, com argumentação, porque não é uma questão de bicicleta contra o carro, transporte público contra o carro, não.

É uma questão de dar maior equidade àqueles que merecem ser incluídos, aqueles que sempre estiveram marginalizados, e isso significa obviamente tirar espaço do carro. Isso não é um enfrentamento, isso é um processo natural, que tem que acontecer.


Agência Brasil: em que medida o uso da bicicleta pode dar mais acesso à cidade e à cidadania?

Guth: a bicicleta é um veículo porta a porta. Você consegue sair da sua origem e chegar a seu destino com esse único meio de transporte. Isso dá autonomia, garante direito ao deslocamento. É um veículo econômico, não apenas porque é mais barato comprar uma bicicleta, mas também porque a manutenção é mínima, é com a sua própria energia que você vai se deslocar.

Ela não requer nenhuma outra mediação de combustível, a não ser a sua própria energia, o que também garante maior direito à cidade, uma vez que ela pode ser acessível a todos, todos que tenham condições físicas de utilizá-la. Outro elemento importante é a velocidade, a bicicleta traz um elemento importante para a relação com a cidade que é velocidade mais baixa.

Faz com que a pessoa tenha uma relação de maior troca, de maior diversidade de trocas com a cidade, seja com o comércio de rua, seja com as pessoas. Ao pedalar a uma média de 10 a 15 quilômetros por hora, você está muito mais afeito a consumir em uma loja, a parar para cumprimentar alguém, a conversar com as pessoas, a interagir com a cidade de outra maneira, coisa que com outros meios de transporte, no caso o carro, ônibus ou o metrô e trem, você não consegue fazer.

Há vários outros elementos, como promover a saúde, seja para a cidade seja para si mesmo, a sensação de pertencimento e de senso crítico da cidade, Todo mundo que passa a se deslocar de bicicleta naturalmente acaba tendo uma visão mais crítica sobre o meio urbano. Passa a sentir as agruras da cidade de uma maneira mais intensa, seja a violência do trânsito, sejam os cheiros, a falta de infraestrutura, a qualidade do asfalto, a feiura e a beleza da arquitetura. Ou seja, em cima de uma bicicleta você consegue perceber a sutileza dos elementos urbanísticos de maneira muito mais intensa, o que aguça o senso crítico.


Agência Brasil: hoje se comemora o Dia Mundial Sem Carro. Como você avalia as alternativas a esse meio de transporte em São Paulo?

Guth: é um dia de concentração de esforços para mostrar que outra cidade, do ponto de vista da mobilidade, é possível. São Paulo chegou a um esgotamento do modelo “carrocêntrico”, de só nortear as políticas de mobilidade em uma visão exclusivista nesse modelo “rodoviárista”. Um novo paradigma para a mobilidade urbana é necessário, e ele está em curso.

Nós temos o amparo bastante forte de legislações, sejam elas federais, estaduais ou municipais, que colocam a devida prioridade para a mobilidade urbana a partir do transporte coletivo, e depois dos modos ativos de transporte, que são majoritariamente a bicicleta e o pedestre.

Tendo esses marcos legais importantes, a gente entende que a cidade de São Paulo tem feito isso, talvez com um pouco mais de intensidade, e por isso tem gerado mais debates. [A cidade] tem passado a inverter a lógica que sempre foi vigente. E, necessariamente para isso, é preciso desestimular o uso do carro.

São Paulo tem tomado diversas medidas para desestimular o uso do carro, de maneira piloto. Mudanças que precisam ser feitas, como por exemplo a remoção de faixas de estacionamento nas ruas, a criação de mais infraestrutura cicloviária, a criação de corredores e faixas exclusivas de ônibus, a ampliação de calçadas, a retirada de vagas de estacionamento para ampliar as calçadas, para que quem queira caminhar a pé possa fazer isso com conforto e segurança.

O que o Poder Público faz ao dar prioridade ao transporte coletivo, aos modos ativos de transporte, não é nada mais do que seguir o que a legislação já manda. Então, não há nenhuma grande iluminação de um gestor, político ou prefeito. O que há é o cumprimento do que está na legislação. Que precisa ser intensificado.


Rara condição genética faz homens nascerem sem pênis

POR Ana Luísa Fernandes

Uma a cada 90 crianças da República Dominicana passam a vida achando que são uma coisa para, aos 12 anos, descobrirem que são outra. Entenda aqui o curioso caso dos meninos que nascem como meninas


Ser um homem sem um pênis parece estranho para você? É assim que os "Guevedoces" vivem até mais ou menos os 12 anos de idade. Guevedoce quer dizer literalmente "pênis aos 12", e é uma rara condição genética, encontrada principalmente na República Dominicana. Os meninos que nasceram como "meninas" foram estudados pela primeira vez nos anos 70, pela médica norte-americana Julianne Imperato-McGinley. Ela achou curiosa a história que circulava, dizendo que na República Dominicana as garotas estavam ganhando pênis. Foi então que ela descobriu o que era o grande mistério.


Antes da puberdade, Johnny era conhecido como Felicita.
No começo da vida uterina, o feto não tem sexo. Mesmo que possua os cromossomos XX (mulheres) e XY (homens), até as primeiras semanas nenhum órgão sexual aparece. O pênis e o clitóris têm a mesma origem, e o que os diferencia são os hormônios sexuais, que, no caso do homem, "comandam" a tranformação do órgão primitivo em um pênis. Quem faz isso é a dihidrotestosterona, que se origina da testosterona. Mulheres não produzem dihidrotestosterona, ou seja: possuem clitóris. Para os homens, a ação do hormônio é o desenvolvimento do pênis. Os Guevedoces possuem uma deficiência na enzima 5-alfarredutase, que faz a conversão da testosterona. Sem conversão, sem pênis. E assim nascem as crianças com o que parece ser uma vagina. Essa condição não é restrita à República Dominicana, apesar de ser mais frequente em uma parte da população do país.
Mas então, por que no início da puberdade os pênis dos adolescentes começam a crescer, causando uma verdadeira bagunça na cabeça de qualquer pessoa sã? McGinley também encontrou uma resposta para isso. No começo da adolescência, como qualquer outro garoto comum, eles recebem uma alta dose de testosterona. Em um adolescente qualquer, isso causa crescimento de pelos, suor, aparecimento de músculos e de desejo sexual. Nos Guevedoces, todos esses sintomas são acompanhados pelo crescimento do pênis e dos testículos. A partir daí, a maioria não possui mais problemas com os órgãos sexuais, e continuam se desenvolvendo normalmente. Mas é claro que uma mudança desse porte é bastante traumática, especialmente na adolescência, quando o jovem está mais suscetível ao famoso bullying. Tanto que alguns preferem fazer a cirurgia de redesignação sexual. No caso, a mudança de sexo na verdade não é exatamente uma mudança, mas sim uma continuidade.


Fonte: Revista Superinteressante

Cientistas descobrem como medir o Universo em 3D

POR Camila Almeida 

Essa ferramenta também pode nos dar pistas de como o universo se expandiu.

A distância na Universo é medida em anos-luz, com distância aproximada de 10 trilhões de quilômetros. Isso é equivalente a quase 800 mil voltas na Terra. Você sabe: fica tudo tão longe que até a luz do Sol, que nos aquece todas as manhãs, chega aqui com um atraso de mais de oito minutos.

Os pesquisadores da Universidade de Columbia, então, se perguntaram como era possível continuarmos medindo as distâncias do Universo com a nossa escala convencional, sem levar em conta as distorções do cosmos. Então, eles sugerem uma nova forma de dimensionar essas distâncias cósmicas, utilizando explosões de energia. O método permitiria posicionar galáxias distantes em três dimensões e, assim, mapear o cosmos.

Essas explosões são um fenômeno novo, e ainda não se sabe o que as provoca. Algum fenômeno astrofísico está causando essas rajadas de energia que aparecem como flashes de ondas de rádio. Os cientistas acreditam que pode haver milhares deles por dia. "Nós acreditamos que nós vamos ser capazes de usar esses flashes para montar um retrato de como as galáxias estão espalhadas através do espaço", afirmou Kiyoshi Masui, coordenador da pesquisa.

À medida que essas rajadas rápidas de rádio chegam à Terra, elas aterrisam em momentos diferentes, que variam de acordo com seus comprimentos de onda. Os pesquisadores propõem usaro o atraso entre os tempos de chegada de diferentes frequências para mapear o cosmos. E todos esses sinais que chegam à Terra dá uma idéia de quantos eletróns e, por tabela, quantas estrelas, gases e matéria escura estão entre a Terra e o ponto de origem da explosão.


Um rádio-telescópio do Canadá poderia oferecer o primeiro conjunto de dados regulares dessas rajadas rápidas de rádio. O equipamento se chama CHIME (Experimento Canadense de Mapeamento de Intensidade de Hidrogênio). "Se conseguirmos construir um arquivo de eventos cosmológicos, poderemos usar essas informações para construir um catálogo de galáxias", afirmou Kris Sigurdson, que faz parte do projeto do CHIME.

Além de poder construir uma imagem tridimensional do cosmos, essa ferramenta poderá ser usada para mapear a distribuição de material no universo e, assim, ampliar a nossa compreensão de como ele evoluiu.


Fonte: Revista SuperInteressante

Fundir ministérios da Educação e da Cultura seria retrocesso, diz Juca Ferreira

Vladimir Platonow - Repórter da Agência Brasil Edição: Aécio Amado

O ministro da Cultura, Juca Ferreira, disse hoje (21) que seria um retrocesso uma eventual fusão entre os ministérios da Educação e da Cultura, como chegou a ser especulado nos meios políticos nas últimas semanas. O ministro informou que não recebeu nenhuma sinalização da presidenta Dilma sobre uma possível fusão de sua pasta com a da Educação.

O ministro da Cultura, Juca Ferreira, participou na noite desta segunda-feira (21) da cerimônia de abertura do Seminário Internacional Cultura e Desenvolvimento, no Rio Fernando Frazão/Agência Brasil
“Ela não sinalizou e, por não ter sinalizado, eu não acredito que vá haver. É um rumor que até tem uma base, alguém propôs, mas não acredito nessa possibilidade de fusão. Seria um retrocesso muito grande”, afirmou Juca aos jornalistas, antes do início do evento.

O ministro participou na noite desta segunda-feira da cerimônia de abertura do Seminário Internacional Cultura e Desenvolvimento, que contou com a presença da diretora-geral da Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (Unesco), Irina Bokova.

Ele explicou que a Cultura tem particularidades que precisam de um gerenciamento próprio e que a pasta não se fortaleceria se fosse fundida com a da Educação. “Sob o ponto de vista gerencial e administrativo, é importante que funcionem separado, porque têm as tecnologias de patrimônio, as tecnologias de museus, toda a vida do mundo artístico que precisa ser agilizada e as questões do campo da cultura popular. Se você funde, reduz a capacidade do Estado de tratar com a profundidade que a área cultural merece. Eu não acredito e não recomendo que se leve adiante essa ideia.”

Juca citou dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), que demonstram a distância que os brasileiros ainda têm dos equipamentos e instrumentos culturais. “Os dados detectados pelo IBGE e pelo Ipea é que pouco mais de 5% dos brasileiros entraram alguma vez em um museu, só 13% vão ao cinema e [os brasileiros leem] só 1,7 livro per capita por ano”.

De acordo com o ministro da Cultura, o país tem um deficit grande nessa área e que é preciso avançar muito, porque a cultura qualifica as relações sociais, permite a vida democrática, pois educa as pessoas a conviverem com o outro e não transformarem diferença em ódio. “Ela tem um papel de articular todas as outras dimensões da vida pública”, afirmou.

Juca Ferreira disse também que não acredita, em sua avaliação pessoal, que a reforma ministerial vá atingir os ministérios ligados aos programas sociais do governo. “Eu não acredito que os ministérios da área social sejam atingidos, porque eles têm uma força simbólica grande, de sinalizar que o Estado apoia a justiça social, igualdade, o combate ao racismo e à discriminação, apoia a luta das mulheres por direitos iguais e pelo desenvolvimento cultural. Então eu acredito que, mesmo com todas as dificuldades, é importante estrategicamente manter, e creio que o governo vá manter.”

As mesas de debate do seminário serão transmitidas ao vivo pela página do Ministério da Cultura na internet. O evento ocorre até quarta-feira (23).


Inca completa 500 cirurgias de câncer com uso de robô desde 2012

Alana Gandra - Repórter da Agência Brasil Edição: Jorge Wamburg

O robô Da Vinci permite reduzir a duração de cirurgias e o tempo de internação dos pacientes Divulgação/Inca
Primeiro hospital do Sistema Único de Saúde (SUS) a incluir a robótica em procedimentos cirúrgicos, o Instituto Nacional de Câncer José de Alencar Gomes da Silva (Inca) completou em agosto deste ano 500 cirurgias, desde março de 2012, feitas com auxílio do robô Da Vinci, equipamento adquirido em dezembro de 2011, ao custo estimado de US$ 2,6 milhões.

O cirurgião da Área de Cabeça e Pescoço do Inca, Fernando Luiz Dias, disse hoje (21) que essa ferramenta permite realizar cirurgias que, no passado, eram feitas de maneira tradicional, com índice de morbidade ou possibilidade de complicação muito elevados. Incisões externas e eventuais acessos cirúrgicos por estrutura óssea da face, no caso de cirurgias de cabeça e pescoço, faziam o paciente sofrer muito mais pelos efeitos desse acesso cirúrgico do que a retirada do tumor em si, comentou o cirurgião.

“O robô trouxe a possibilidade de fazermos essas cirurgias sem a necessidade desses acessos cirúrgicos. Fazemos diretamente pela cavidade natural, que é a boca”, informou o cirurgião. O uso da robótica reduziu o tempo das cirurgias de quatro a cinco horas para menos de uma hora e a internação, que durava de sete a oito dias, foi reduzida para três a quatro dias.

Segundo o especialista, o novo equipamento proporcionou ao corpo médico do Inca acumular uma experiência com cirurgia robótica incomparável: “Eu diria que o Inca tem hoje a maior experiência brasileira em cirurgia robótica, não só em cabeça e pescoço, mas também em outras especialidades”. Nessa área, foram operados mais de 150 pacientes desde março de 2012.

O robô é utilizado no Inca também em cirurgias de tumores abdominais, urológicos e ginecológicos. Como as cirurgias são cada vez mais rápidas com o uso do robô, os médicos do Inca podem fazer de dois a três procedimentos por dia, durante os cinco dias úteis e a expectativa é operar pelo robô entre oito e dez doentes por mês com câncer de pescoço e cabeça. O robô é cedido a cada especialidade médica durante um dia por semana.

Além de ser mais rápido, o procedimento robótico reduz a exposição de tecido corporal do paciente, que ocorre na cirurgia aberta. “A dor é muito menor, o incômodo é muito menor, a necessidade de o paciente ser submetido a uma traqueostomia também é muito menor. Enfim, existe uma série de ganhos de conforto do paciente para os quais essa cirurgia seja indicada e que auxilia na reabilitação desse paciente na sua vida cotidiana e, eventualmente, até na sua vida profissional”.




Reajuste para Judiciário é incompatível com estabilidade fiscal, diz Barbosa

Mariana Branco - Repórter da Agência Brasil Edição: Armando Cardoso

A derrubada do veto da presidenta Dilma Rousseff ao projeto de lei que prevê reajustes de 53% a 78,56% para servidores do Poder Judiciário “é incompatível com a estabilidade fiscal e o esforço do governo para reequilibrar as contas públicas”, segundo o ministro do Planejamento, Orçamento e Gestão, Nelson Barbosa.

Em nota divulgada pelo ministério, Barbosa defende a manutenção do veto, que pode cair amanhã (22), quando será apreciado no Congresso Nacional.

Nelson Barbosa reuniu-se com parlamentares e com o Judiciário para alertar sobre a inviabilidade do aumentoArquivo/Wilson Dias/Agência Brasil
De acordo com o comunicado, Nelson Barbosa considerou o aumento “indefensável do ponto de vista social e fiscal”. O ministro informou que a derrubada do veto dificultará a intenção do governo de controlar o aumento das despesas de pessoal.

O ministro disse ainda temer um possível efeito cascata para carreiras correlatas em outros órgãos e nos estados e municípios. Em maio, o Planejamento estimou que o aumento teria impacto de R$ 25,7 bilhões nos cofres públicos em quatro anos.

“Cabe destacar que, entre 2005 e 2008, todas as carreiras daquele Poder [Judiciário] tiveram suas remunerações reajustadas em percentuais próximos a 60%. Entre 2009 e 2012, não houve reajuste, mas, a partir da negociação salarial de 2012, essas carreiras foram contempladas com o índice de 15,8% pagos em três parcelas anuais. Ainda como parte da negociação, os servidores tiveram reajuste salarial de 8,4% em janeiro de 2015”, acrescentou a nota do Ministério do Planejamento.

De acordo com o comunicado, o ministro reuniu-se com parlamentares e com o Judiciário para alertar sobre a inviabilidade do aumento e apresentou uma proposta alternativa.

Por um acordo entre Supremo Tribunal Federal (STF) e Ministério do Planejamento, os percentuais de aumento individual ficariam entre 16,5% e 41,5%, divididos em oito parcelas semestrais por quatro anos. A primeira parcela seria paga em janeiro de 2016, e a última em julho de 2019.

Na segunda-feira (14), o governo anunciou um pacote para cortar R$ 26 bilhões em gastos do Orçamento e aumentar receitas em 2016. Entre as medidas está o congelamento do reajuste dos servidores do Executivo Federal. Em lugar de ocorrer em janeiro, como de hábito, o reajuste será concedido a partir de agosto. A proposta do governo é aumento de 10,8% em dois anos.

Caso Uber: a culpa não é dos taxistas. É do feudalismo.

POR Alexandre Versignassi 


É medieval. Se você quiser largar seu emprego hoje para virar dono de táxi, não pode. Não pelas vias legais. Para ser dono de táxi, você precisa de uma licença da prefeitura. Um “alvará”. Só que as prefeituras não têm emitido alvarás. Em São Paulo, onde o que não falta é passageiro, a posição oficial é imperiosa: “A prefeitura entende que a cidade tem a quantidade de licenças adequada à demanda da população”.

Dá para negar? Dá. Os usuários que abraçaram o Uber provaram que existe, sim, demanda por mais táxis – ou por táxis melhores. São Paulo, Rio, BH e Brasília, as cidades onde o Uber opera, se viram do dia para a noite com muito mais “taxistas” – entre aspas, já que os motoristas do Uber não dependem de alvará. Eles só se inscrevem no Uber, têm os antecedentes criminais checados e, se tudo estiver ok, os carros deles passam a aparecer no aplicativo do serviço.

Para chegar chamando atenção, o Uber estreou no Brasil em 2014 exclusivamente na versão gourmet, a “UberBlack”, que só aceita inscrições de sedãs seminovos com ar e banco de couro. Os motoristas também parecem selecionados a dedo. É difícil achar um que não trate os passageiros com a graciosidade de um mordomo britânico. E tudo isso custa só um pouco mais do que um táxi em Bandeira 1, um pouco menos do que uma Bandeira 2, mesmo à noite. É classe executiva a preço de econômica. Até por isso o Uber vem dando certo em 58 países.

Só tem uma coisa. Os carros do Uber são tão ilegais quanto as vans clandestinas de lotação – até por isso começaram a tramitar projetos de lei para banir o serviço. Quem manda no transporte público, afinal, é o governo.

Mas é aí que mora o problema. Para conseguir uma placa de táxi em São Paulo sem ferir a lei, só se você viajar no tempo e voltar para 2011, quando a prefeitura liberou suas últimas 1.200 licenças, elevando para 34 mil o número de taxis na cidade.

A concorrência em 2011 foi nível Federal de Medicina: 23 candidatos por vaga. Só que a prova não era por mérito. Nunca foi. A prefeitura sorteia os alvarás com base nos números da loteria federal. Uma vez sorteado, o motorista fica com o alvará para sempre.
Se ele resolver pendurar o taxímetro um dia, pode passar a licença para um filho. Na falta de herdeiros, não precisa devolver para a prefeitura: ele pode doar para algum conhecido. Vender para engordar a aposentadoria? Não. Não pode. A prefeitura avisa que “o comércio de alvará é punido com a cassação da licença”.
Mas tem lei que pega e lei que não pega. Essa proibição não pegou, e o comércio de alvarás rola solto: “A prefeitura autoriza transferir. Como dinheiro não fala, eu coloco ele no bolso e transfiro”, disse  o presidente do Sindicato dos Taxistas Autônomos de São Paulo, Natalício Bezerra Silva, numa entrevista para a Folha em 2013.

É lógico. Não tem como impedir o comércio de algo que tenha um valor tão descaradamente óbvio. Se as vagas de editor da Super fossem definidas por sorteio, eu garanto que venderia a minha quando estivesse na bica de me aposentar, mesmo que a pena prevista fosse a prisão perpétua. Vale o risco.

Quem compra o alvará de um taxista leva junto o direito de estacionar num determinado ponto (que também foi definido lá atrás em algum sorteio). Logo, um alvará que traga de carona uma vaga no Aeroporto de Congonhas pode custar R$ 300 mil. Uma licença qualquer, pelo menos R$ 100 mil – o mesmo tanto que você gastaria comprando um carro bom o bastante para fazer parte da frota do Uber.

Aí é claro que os taxistas acabam partindo para a porrada. Se a prefeitura vai e resolve legalizar o Uber de uma vez, sem limite nenhum, a roleta do cara que pagou 100 contos para virar taxista cai no “Perde Tudo”. E nem adianta o sujeito ir reclamar na Justiça, já que, oficialmente, ele nunca pagou nada pelo alvará.

Isso não é capitalismo: é um sistema feudal. Um fóssil econômico da Idade Média que continua vivo, no meio da rua. E esse protecionismo maluco nem é um problema exclusivamente brasileiro. Funciona mais ou menos assim no mundo todo.

Só que o protecionismo não existe à toa também. A coisa começou em Nova York, na ressaca da Crise de 1929. Quando bateu a Grande Depressão, uma turba de desempregados resolveu virar taxista, na falta de alternativa melhor. De uma hora para a outra, a frota chegou a 30 mil carros. É quase o que São Paulo tem hoje, mil anos depois. Resultado: com o excesso de oferta, o preço das corridas caiu além da linha vermelha. O sujeito podia trabalhar 20 horas por dia e não conseguir o mínimo para se manter. O sistema todo perigava entrar em colapso, já que os taxistas não podiam mais pagar nem pela manutenção dos próprios carros. Em 1937, então, o prefeito Fiorello La Guardia (o do aeroporto) decidiu limitar o número de taxistas, criando o sistema de alvarás as we know it. A frota diminuiu para 12 mil. E as coisas entraram nos eixos.

Por outro lado, exageraram na dose. Até 2011, Nova York ainda tinha só 13 mil táxis. Até por isso o Uber entrou na cidade esmerilhando: em quatro anos, colocaram 12 mil carros na praça. Isso fez a prefeitura de NY abrir o olho e estrear uma nova modalidade de alvará, em 2013: a dos táxis verdes, autorizados a operar só na periferia. O objetivo é chegar a 18 mil verdes em 2016, totalizando 40 mil táxis. A novidade tornou o sistema de licenças menos medieval, olha só. O Uber? Bom, a ideia do governo lá era instituir um limite na quantidade de carros deles. Mas deixaram quieto por enquanto, em troca de a empresa passar informações sobre a realidade da demanda por táxis em NY.

Uma iniciativa dessas seria bem-vinda por aqui. A própria legalização do Uber não seria um bicho de sete cabeças. É que não existem só taxistas autônomos. Há empresas também. A lei permite que um empreendedor tenha centenas de alvarás sob um único CNPJ, e contrate motoristas. Então basta que as nossas prefeituras tratem o Uber como uma empresa de táxi qualquer. Se a de São Paulo soltar, sei lá, mil alvarás para o Uber, a frota da cidade vai aumentar em 3% – um trisco no mercado dos taxistas tradicionais, e um ganho notório para a população.

E as prefeituras também poderiam aproveitar o embalo e exterminar outro anacronismo do mundo dos táxis. Primeiro, legalizar de cara o comércio de alvarás, como acontece nos EUA, pelo simples fato de que esse comércio existe, e não vai deixar de existir enquanto o sistema não mudar – e quem faz uma compra dessas precisa estar tão protegido pela lei quanto quem compra um imóvel. E aí, num segundo momento, que mudem de vez o sistema. Que as prefeituras troquem os sorteios de licenças por concursos, licitações ou seja lá o que for – uma empresa não escolhe seus prestadores de serviço por sorteio; por que uma cidade deveria?



Fonte: Revista Superinteressante

Walter Carvalho fala sobre novas tecnologias e diz que o cinema nunca vai acabar

Cibele Tenório - Repórter do Portal EBC Edição: Ana Elisa Santana

Se você já se sentou em uma cadeira de cinema para assistir aos filmes Cazuza – O Tempo Não Pára, Carandiru e Amarelo Manga ou se encantou com séries que fogem da estética padrão da tevê aberta como Amores Roubados e O Canto da Sereia, então você já foi apresentado ao trabalho de Walter Carvalho. Nascido na Paraíba, Carvalho é o principal diretor de fotografia do cinema brasileiro há algumas décadas. Desde 2001, ano em que codirigiu Janela da Alma, ele diz ter "perdido o medo", passando a assumir a direção de seus próprios filmes, como o documentário Raul - O Início, o Fim e o Meio, que levou mais de 170 mil pessoas ao cinema, um das maiores bilheterias brasileiras do gênero.

O cineasta Walter Carvalho durante a abertura do 48º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil
É dele a câmera vertiginosa que segue os convidados da festa no remake da novela O Rebu, exibida pela Rede Globo em 2014. Também tem a assinatura dele uma das mais belas sequências de Central do Brasil, filme fotografado por Walter: Dora (Fernanda Montenegro) procura em desespero o garoto Josué (Vinícius de Oliveira) em uma romaria. Para dar o tom místico da cena, Walter pediu à produção que providenciasse uma vela para cada fiel/figurante e essa foi a única luz usada na cena.

Com um currículo extenso que inclui ainda filmes emblemáticos do cinema brasileiro como Terra estrangeira,  Lavoura Arcaica, Madame Satã, Abril despedaçado, O céu de Suely e Budapeste, Walter Carvalho continua produzindo. Na abertura da 48ª edição do Festival Brasília do Cinema Brasileiro, realizada no último dia 15, o cineasta apresentou Um Filme de Cinema, documentário que traz entrevistas com diretores como Ruy Guerra, José Padilha, Hector Babenco, Gus Van Sant. Segundo Walter, é uma tentativa de "entender o que é fazer cinema". O Portal EBC conversou com o diretor após uma oficina de direção de fotografia conduzida por ele dentro da programação do Festival de Brasília.



Portal EBC: Você já falou que no primeiro encontro com um diretor você fica tentando capturar, na conversa, as palavras ou as imagens que ele fala, porque isso não vai se repetir. Como é construída a parceria entre o diretor de fotografia e o diretor do filme?
Walter Carvalho: Quando a gente conversa com o diretor tem sempre aquelas coisas que ele vai falando, que não exatamente sobre imagem. Eu não trouxe aqui o roteiro do Veneno da Madrugada, por exemplo, mas nele eu fui anotando palavras que tinham a ver, e que me remetiam à noite. Coisas que foram sendo ditas por ele ou no processo de criação de todos nós e aquelas palavras eu vou anotando, porque elas começam a me remeter para outras coisas que eu não tinha percebido e que não necessariamente são palavras que estejam dentro do roteiro. Numa segunda leitura eu já leio tecnicamente aquilo. Tem uma sequência que diz assim “Entardecer/ varanda da casa de Ana”, eu já sei que é uma varanda e que é o entardecer. Então eu já estou estabelecendo a cor, a tarde é diferente do meio-dia, em termos de temperatura e cor, a colorimetria. Então, se eu vou ver as locações com a produção e com os outros departamentos, eu vou tentar achar junto com eles a melhor varanda que no entardecer o sol esteja por ali. Se o sol não está por ali, mas a varanda é boa, vai estar numa varanda onde não tem o sol batendo, eu vou ter que fabricar esse sol com os refletores. Então você começa a descobrir a fotografia mecânica daquele roteiro. E isso você vai aos poucos descobrindo. E a fotografia que não aparece, que não está explícita ali, está nas entrelinhas dos personagens, do roteiro em si, das indicações do roteiro. É um processo que quando eu chego no final, quando eu acabo de filmar o filme, eu estou pronto pra fazê-lo, mas aí eu já filmei.

Portal EBC: Outra coisa que você falou aqui foi sobre o medo de assumir a direção. Eu não sei quanto tempo levou e quanto tempo você trabalhou como diretor de fotografia. Não sei se foi o Janela da Alma o seu primeiro filme...
Carvalho: Não. Eu tinha feito antes até um filme meu sozinho, um curta e tal. Longa, o Cazuza veio antes do Janela, eu acho. Mas quando eu falo medo, não é o medo de assumir; é o medo de fazer. Não é assumir, porque antes de assumir sozinho a direção ou dividir um longa, eu de certa forma já me desafiava dentro do filme. Me desafiava a contribuir, não como fotógrafo, mas em um nível da direção, e na medida em que eu fui andando por esse caminho e fui sendo receptivo com os colegas. Eu comecei a entender como isso é difícil. Então eu comecei a adquirir, em vez de experiência, o medo. O medo de dirigir e o medo foi sendo de uma forma tão forte comigo que eu acabei sendo desafiado por ele e não pela experiência.

Portal EBC: A sua entrada no cinema foi pela porta do documentário. Eu não sei se você tem um balanço, porém mais da metade dos seus filmes são...
Carvalho: Ficção. Hoje em dia, sim. Eu não sei, teve uma época que era meio empate.

Portal EBC: Você parece ter uma preferência pelo documentário. Tem a ver com o ofício do fotógrafo, de ter um olhar para a realidade?
Carvalho: A preferência não é pelo documentário, minha preferência é pelo próximo que eu vou fazer. Eu não tenho preferência de gênero. A minha preferência é o próximo filme. Não consigo achar que vai ser melhor eu fazer um documentário ou ficção. No momento que eu estou fazendo aquele filme e para mim aquele é o melhor filme que eu estou tendo a chance de me realizar enquanto fotógrafo e diretor.

Portal EBC:  E sobre as novas plataformas? Hoje em dia todo mundo tem um celular, pode produzir vídeos. O que você acha disso? Isso muda a relação das pessoas com o audiovisual, com o cinema?
Carvalho: Não, eu acho que não vai matar o cinema. O cinema nunca vai acabar. O mistério da imagem numa sala escura, com uma história numa tela grande que faz com que você se apaixone, se identifique, isso nunca vai acabar. Eu acho que muda a estrutura do cinema, a maneira de distribuição, e a maneira de circulação dos filmes. Cada vez mais o cinema feito nas novas tecnologias aproxima o cinema das instalações, aproxima o cinema das artes plásticas, né? Mas é uma mudança muito radical na forma de distribuir, na forma de chegar ao público como produto. O cinema, os diretores, os produtores falam muito mais de produto do que do meu filme. O cara não fala assim “meu produto” ele fala “é meu projeto”. E depois tem toda uma mecânica burocrática em volta de tudo isso que dificulta o que é cinema, o que é fazer um filme.

Portal EBC: Você fala da burocracia dos editais de audiovisual?
Carvalho: É. Da burocracia de quem produz o cinema no Brasil. São de leigos em relação ao próprio processo do cinema. O burocrata que está por trás do balcão examinando o roteiro não sabe como é que faz um roteiro, porque o roteiro não é pra ser lido, o roteiro é pra ser filmado. Então quem lê o roteiro sem saber como é que filma e nada é a mesma coisa. Entende? A burocracia criada em torno do cinema hoje é um empecilho pra quem quer produzir filme. Tem muita gente que desiste de enfrentar esse processo. Não se ganha o prêmio de uma determinada instituição: “Ah ganhei um concurso e tenho R$ 300 mil para fazer meu filme”. O fato de você ganhar não significa que você vai receber no próximo ano. Outro dia um amigo estava me falando que vai receber um dinheiro agora de um projeto que ele ganhou em outubro do ano passado. Então tudo isso é um desânimo. Por isso que eu queria fazer um filme muito pessoal, com dois atores somente, mas se alguém não chegar para mim e falar “me dá que eu vou correr atrás e vou ser responsável por isso”, eu não vou fazer.

Portal EBC: Você falou, antes da exibição de Um filme de cinema no Festival de Brasília, que você teria feito esse filme para descobrir mais sobre o que é fazer cinema e sobre você também.
Carvalho: Continuo tentando.

Portal EBC:  Eu queria que você falasse um pouco sobre as suas descobertas durante o filme.
Carvalho: Pois é, eu descobri que tenho que continuar tentando. Porque a cada descoberta ela ramifica. Quando eu faço um filme que eu acabo, termino o filme, eu sempre levo comigo mais do que eu deixo no filme. Eu tento inverter essa equação, mas não consigo. Sempre levo mais do filme do que eu deixo de mim. Então, se eu sinto dessa forma significa que o processo de fazer ele é enriquecido a cada filme. Então, eu estou consciente de que cada vez mais eu preciso fazer mais, para compreender mais. Não sei se eu, fazendo menos, vou compreender mais. Mas pode ser que eu esteja fazendo mais e possa compreender menos. Mas, numa equação ou na outra, eu preciso fazer. Porque é sempre uma novidade, é sempre uma experiência nova. Se nada eu levar do processo daquele trabalho, se nada valeu a pena, levo comigo a experiência humana daquele momento.