Condenação de Bolsonaro é vitória para todas as mulheres

Wilson Dias/Agência Brasil e Marcelo Camargo/ Agência Brasil

A deputada federal Maria do Rosário (PT-RS), ganhou, nesta quinta-feira (17), a ação judicial contra o também deputado Jair Bolsonaro (PP- RJ) por agressão verbal dita no plenário.

No episódio, ocorrido em dezembro de 2014, Bolsonaro disse que não a estupraria porque “ela não merece”.

Na época comentei:



Ele foi condenado a pagar R$ 10 mil a deputada.

“Considero que isso é uma vitória que pertence a toda as mulheres”, disse a deputada. “Independente do valor, essa condenação tem um sentido, mostra que a imunidade parlamentar não pode servir para incitação da violência e do ódio contra as mulheres.”

O deputado é também denunciado pelo Ministério Público por incitação ao crime de estupro e quebra de decoro. Processo, que pode resultar na cassação do deputado, ainda está em tramitação.

Heraldo Souza, da Rádio Cabriola.
Ouça outros comentários de Heraldo Souza no Podcast Cabriola: www.radiocabriola.com


Europa concorda em reduzir em 40% as emissões de gases de efeito estufa

Da Agência Lusa Edição: Graça Adjuto

A União Europeia (UE) chegou hoje (18) a um acordo sobre o objetivo de reduzir em 40% as emissões de gases de efeito estufa até 2030 e em 50% até 2050, na comparação com os níveis de emissão de 1990.

Os ministros do Meio Ambiente do bloco se reuniram hoje, em Bruxelas, para definir a posição dos 28 membros para a Conferência de Paris (COP 21) sobre o clima e concordaram também e na meta de reduzir as emissão a “quase zero”, até 2100.

Os ministros reafirmaram ainda, nas conclusões da reunião, a necessidade de manter o aquecimento global abaixo dos dois graus Celsius.


Uso facultativo de extintor em automóveis passa a valer a partir de hoje

Paula Laboissière - Repórter da Agência Brasil Edição: Graça Adjuto

Resolução do Conselho Nacional de Trânsito está publicada no Diário Oficial da UniãoMarcelo Camargo/Agência Brasil
O uso de extintor de incêndio em automóveis passa a ser facultativo no Brasil a partir de hoje (18), conforme resolução do Ministério das Cidades publicada no Diário Oficial da União.

A decisão foi tomada ontem (17) pelo Conselho Nacional de Trânsito (Contran) e envolve utilitários, camionetas, caminhonetes e triciclos de cabine fechada.

O equipamento continua obrigatório para todos os veículos usados comercialmente para transporte de passageiros, caminhões, caminhão-trator, micro-ônibus e ônibus, além de veículos destinados ao transporte de produtos inflamáveis, líquidos e gasosos.

A obrigatoriedade do uso do extintor estava em vigor no país desde 1970. Segundo o governo, a decisão pelo uso opcional do equipamento foi tomada após encontros com representantes dos fabricantes de extintores, do Corpo de Bombeiros e da indústria automobilística.

Autoridades de trânsito vão continuar a fiscalizar o uso de extintores de incêndio nos veículos em que seu uso é obrigatório. A punição para quem não estiver com o equipamento ou para quem estiver com o equipamento com validade vencida inclui multa de R$ 127,69 e cinco pontos na carteira de habilitação.


Campanha incentiva imigrantes a se tornarem cidadãos dos Estados Unidos

Da Agência Lusa Edição: Graça Adjuto

O governo dos Estados Unidos lançou, nessa quinta-feira (17), uma campanha liderada pelo presidente Barack Obama, para incentivar 8,8 milhões de imigrantes legais no país a se tornarem cidadãos norte-americanos. A campanha, cujo lema é "Stand Stronger", foi apresentada em um vídeo pelo próprio presidente, em que destaca os benefícios da cidadania norte-americana.

“Ao passar a ser um cidadão norte-americano, você dá um passo importante para garantir esse sonho a todos nós. A promessa de melhores oportunidades de trabalho, os direitos e liberdades de que goza qualquer norte-americano e a possibilidade de dar algo mais ao país que agora chama de casa”, afirma o presidente.

“Não se trata de mudar quem você é, mas sim de acrescentar um novo capítulo à sua viagem como cidadão norte-americano e à nossa jornada como nação de imigrantes”, acrescentou.

A campanha "Stand Stronger" conta como "embaixadores presidenciais", com o chefe espanhol José Andrés (naturalizado), a atriz Diane Guerrero, o músico Dave Matthews e o ex-jogador de basebol mexicano dos Los Angeles Dodgers Fernando Valenzuela, também naturalizado norte-americano.

De acordo com estimativas recentes, há aproximadamente 13,3 milhões de residentes permanentes nos Estados Unidos, e 8,8 milhões deles podem requerer a cidadania”, informou a Casa Branca.


Refugiado é eletrocutado no Canal da Mancha

Da Agência Lusa

Um refugiado foi eletrocutado hoje (18) perto da entrada do Canal da Mancha, na França, quando tentava subir no teto de um trem para seguir viagem até a Inglaterra, informou a polícia.

“Pouco antes da meia-noite, um migrante – provavelmente sírio – foi encontrado morto no teto de um vagão de mercadorias no Canal da Mancha”, disse um porta-voz da polícia à agência de notícias francesa AFP.

Trata-se da décima morte de um migrante perto do Canal da Mancha, em Calais, desde 26 de junho passado que envolve pessoas que tentam chegar à Inglaterra, de acordo com uma fonte oficial ouvida pela AFP.

A data em questão corresponde ao início da crise migratória na região de Calais e da primeira morte de um migrante clandestino etíope no Canal da Mancha.

Questionado pela AFP, a Eurostar indica que a questão migratória ainda não teve repercussões no tráfego, que pode tornar-se mais complicado este fim de semana, com o início, hoje à noite, da Copa do Mundo de Rugby na Inglaterra, com milhares de torcedores tricolores esperados em Londres para a final de sábado entre Itália e França.

De acordo com fonte do Eurostar, não houve interrupção do tráfego após este novo acidente, uma vez que o vagão de mercadorias estava num anexo.

O grupo Eurotunel confirmou as informações e reiterou o seu apelo aos clandestinos para não tentarem subir nos trens de mercadorias, que permitem uma viagem de 35 minutos entre Coquelles (França) e Folkestone (Inglaterra).

“Deploramos o que aconteceu e que prova, uma vez mais, que qualquer tentativa de travessia ilegal na Mancha comporta riscos consideráveis”, indicou um porta-voz do Eurotunel à AFP.

Cerca de 3 mil migrantes, provenientes principalmente da Africa, do Afeganistão e da Síria, encontram-se na região de Calais na esperança de entrar em Inglaterra, que por eles é considerada um eldorado. Atualmente, cerca de 4 mil migrantes estão num campo de refugiados a cerca de 40 quilômetros de Calais.

No final de julho passado, o grupo Eurotunel estimou em cerca de 2 mil as tentativas de "invasão" por noite no Canal da Mancha.

Para evitar isso, foram realizados no local vários trabalhos durante o verão, incluindo barreiras nas proximidades, bem como um anel viário que leva ao porto de Calais, que veio a diminuir o número de tentativas de entrada (entre 100 a 200 por noite, em meados de agosto) e passagens clandestinas em caminhões.

México exige do Egito indenização para vítimas de ataque a turistas

Da Agência Lusa Edição: Graça Adjuto

O governo do México exigiu nessa quinta-feira (17) das autoridades egípcias as garantias necessárias para que as famílias das vítimas do ataque de domingo (13) recebam uma indenização, informou o Ministério dos Negócios Estrangeiros.

No domingo, 12 pessoas morreram, incluindo oito mexicanos, na sequência de um bombardeio aéreo das forças de segurança contra um grupo de turistas no Deserto Ocidental. Eles teriam sido confundidos com combatentes jihadistas, muito ativos no país, sobretudo após a destituição forçada pelo militares do ex-presidente Mohamed Morsi, em julho de 2013.

O Ministério dos Negócios Estrangeiros informou, em comunicado, que, segundo instruções da ministra dos Negócios Estrangeiros, Claudia Ruiz Massieu, o subsecretário Carlos de Icaza convocou o embaixador do Egito, Yasser Shaban, para apresentar nota diplomática.

Na nota, o governo mexicano "exige as garantias necessárias para que as vítimas do trágico e lamentável ataque ocorrido no dia 13 de setembro, todas elas civis inocentes e seus familiares, recebam a reparação integral do dano, incluindo a indenização”.

As autoridades mexicanas voltaram a pedir ao governo egípcio “uma investigação exaustiva, transparente e profunda que proporcione, sem demora, uma explicação objetiva dos fatos e apure as responsabilidades”, para punição de acordo com as normas internacionais".

Os seis turistas mexicanos feridos no ataque de domingo no Egito iniciaram a viagem de volta ao México ontem, juntamente com a ministra Claudia Ruiz Massieu.

A bordo do avião presidencial também seguiram os parentes das vítimas, tanto dos feridos, quanto dos mortos, cujos corpos serão repatriados quando forem concluídas as investigações das autoridades egípcias. A chegada do avião ao aeroporto da Cidade do México é aguardada hoje.

O Egito diz que os turistas entraram em “área restrita” do Deserto Ocidental e foram mortos “por engano” pelas forças de segurança. Elas perseguiam um grupo de jihadistas que tinham raptado e matado um egípcio acusado de colaborar com as Forças Armadas.


Croácia chega a limite da capacidade de acolhimento

Da Agência Lusa

Migrantes que cruzaram fronteira da Sérvia com a Croácia aguardam em campo para fazer registroEPA/Antonio Bat/Agência Lusa/Direitos Reservados
O ministro do Interior croata, Ranko Ostojic, declarou hoje (18) que a capacidade de acolhimento de refugiados está saturada, depois da entrada no país de 13 mil migrantes, desde a manhã de quarta-feira.

"Registamos, até o momento, 13 mil migrantes em território da Croácia, e esse número indica que as nossas capacidades de acolhimento estão saturadas", declarou o ministro, citado pela emissora de televisão N1.

"Temos a obrigação de registar [os migrantes] devido às regras europeias. Essas pessoas podem pedir a proteção da Croácia e o nosso principal objetivo neste momento é estabilizar o acolhimento e ajudar quem precisa de ajuda", acrescentou.

"Fechamos os postos fronteiriços devido ao grande número de entradas", explicou Ranko Ostojic.

De acordo com a televisão pública sérvia (RTS), 30 ônibus que transportam migrantes chegaram esta madrugada a Sid, localidade muito próxima da fronteira com a Croácia.

A partir dali, os migrantes continuam a pé e atravessam a fronteira através dos campos.

Ontem (17), as autoridades croatas decidiram fechar "até nova ordem" sete dos oito postos fronteiriços com a Sérvia.

A decisão mantém a pressão sobre a União Europeia, cujos dirigentes vão se reunir na próxima semana para tentar ultrapassar suas divisões sobre uma resposta comum à crise migratória.

A Croácia é a nova rota para a Europa ocidental, depois do fechamento da fronteira da Sérvia com a Hungria, palco na quarta-feira de confrontos entre migrantes e forças de segurança.

Ataques do Boko Haram levam 500 mil crianças a deixar suas casas na África

Da Agência Lusa Edição: Graça Adjuto

Cerca de 500 mil crianças foram forçadas a fugir dos seus locais de origem, nos últimos cinco meses, devido à intensificação dos ataques do grupo radical islâmico Boko Haram na Nigéria, em Camarões, no Chade e Níger, anunciou hoje (18) o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef).

Com esses números, chega a 1,4 milhão o número de crianças da região que deixaram suas casas pelos ataques islâmicos, concentrados principalmente em áreas remotas do Nordeste da Nigéria.

“É alarmante ver que essas crianças e mulheres continuam a ser assassinadas, sequestradas ou utilizadas para explodir bombas”, afirmou, em comunicado, o diretor do Unicef para a África Central e Ocidental, Manuel Fontaine.

A Nigéria foi o país mais afetado, com 1,2 milhão de crianças, metade delas com idade inferior a 5 anos.

Mais 265 mil crianças foram atingidas em Camarões, no Chade e Níger. Esses países têm sido cada vez mais visados pelo Boko Haram, desde que se juntaram ao Exército da Nigéria em uma contraofensiva regional.

O Boko Haram luta para estabelecer um Estado Islâmico no Nordeste da Nigéria desde 2009.

Pelo menos 15 mil pessoas foram mortas no período.


Conselho de Segurança da ONU condena golpe de Estado em Burkina Faso

Da Agência Lusa Edição: Graça Adjuto

Os 15 países-membros do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) "condenaram veementemente” nessa quinta-feira (17) o golpe de Estado em Burkina Faso. Eles citaram a possibilidade de sanções contra os golpistas, se não entregarem o poder.

Em declaração unânime, os países reiteraram o pedido de libertação imediata do presidente, Michel Kafando, e do primeiro-ministro, detidos pelos autores do golpe militar. Eles exigiram que os autores do golpe "restaurem a ordem constitucional e entreguem o poder às autoridades civis de transição sem demora". Pediram ainda que seja respeitado o calendário da transição, "incluindo a realização de eleições livres e credíveis”, previstas para 11 de outubro.

"Os autores dessa tomada inconstitucional do poder pela força devem prestar contas", afirmam os 15 países, que se dizem "preparados para tomar medidas adicionais, se necessário".

O conselho pediu também a Burkina Faso que evite a violência.

Além disso, reafirmou o “forte apoio” aos esforços de mediação do representante da ONU na África Ocidental, Mohamed Ibn Chambas, que se encontrou ontem com o líder do golpe, o general Gilbert Diendéré.

Em entrevista hoje (18) ao semanário Jeune Afrique, Diendéré disse que a ação foi motivada pela grave situação de insegurança pré-eleitoral e prometeu libertar as autoridades da transição.

Os dois candidatos favoritos na eleição presidencial de 11 de outubro em Burkina Faso, Zephirin Diabré e Roch Marc Christian Kaboré, também condenaram o golpe de Estado.


Prever terremotos: a ciência do impossível

POR Reinaldo José Lopes


O acompanhamento de interações complexas entre tremores aumenta as chances de saber quando e onde a próxima catástrofe ocorrerá

Se o capricho dos deuses ainda pudesse ser invocado como a causa de fenômenos naturais, os terremotos estariam no topo da lista. Apesar de uma ampla rede de sensores sísmicos e de muita pesquisa nas áreas de risco, desastres como o que atingiu a Itália em abril deste ano, matando quase 300 pessoas, continuam ocorrendo. A impressão é que o único jeito de encarar a possibilidade de um terremoto é construir prédios que resistam aos tremores e estar sempre preparado para o pior.

Ou será que não? Apesar das dificuldades, muitos geólogos acreditam que dá para melhorar a capacidade atual de previsão, que permite apenas um tempo curto de preparação para a catástrofe. "Hoje você consegue fazer previsões que podem variar de algumas horas a um dia de antecedência, mas sempre dentro de uma faixa de probabilidades", diz João Willy Corrêa Rosa, professor-adjunto do Laboratório de Geofísica Aplicada da UnB (Universidade de Brasília). Um dos entraves para refinar esses resultados tem a ver com a grande variação dos processos que desencadeiam terremotos em cada lugar do planeta. O tipo de fricção e tensão entre as várias formações rochosas acaba impedindo que os resultados de estudos numa região sejam plenamente generalizados para outra.


Efeito dominó

São várias as ferramentas hoje utilizadas para tentar saber quando um terremoto dos grandes vai acontecer. Uma delas é a ocorrência dos chamados foreshocks ("pré-choques", em inglês), abalos relativamente pequenos que podem sugerir que uma catástrofe se aproxima. "Eles indicam que a falha geológica [a região de encontro entre massas de rocha que origina o terremoto] está começando a liberar energia em escala menor antes do abalo principal", diz Rosa. O problema é que não existe nada de essencialmente "pré" nos foreshocks: sua presença não necessariamente prova que uma sacudidela vai arrasar a região. Outro possível indicativo de tremores sérios é o aumento da emissão de radônio, um gás radioativo facilmente detectável que surge a partir de alterações em rochas que contenham urânio. "O terremoto vem do rompimento de rochas abaixo da superfície. Isso acaba levando à produção de radônio", explica o geólogo João Carlos Dourado, que é pesquisador da Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Rio Claro.


O terremoto que atingiu o Nepal em 2015 matou mais de 8.500 pessoas
A chave para refinar a qualidade das previsões vai ser a compreensão das interações entre os terremotos sucessivos ao longo do tempo, aposta Ross S. Stein, geofísico da Equipe de Risco de Terremotos do Serviço Geológico dos EUA. Stein e seus colegas analisaram tremores seguidos em vários locais da Califórnia e do Japão e chegaram à conclusão de que existe uma "transferência de estresse" ligada aos terremotos que acabam ocorrendo na mesma falha geológica ou em falhas vizinhas.

Grosso modo, diz Stein, o que acontece é que o estresse das rochas liberado num determinado tremor não desaparece totalmente após a mexida de terra, mas é parcialmente transferido para ou-tras áreas, pouco a pouco. Dessa maneira, cada terremoto ao mesmo tempo diminuiria o risco de novos tremores em algumas regiões e aumentaria essa probabilidade em outras. Analisando a história dos terremotos em cada pedaço da Terra, seria possível, portanto, montar um mapa detalhado de risco, ajudando os governos a prever onde o próximo grande desastre ocorrerá. Com o monitoramento online de dados sísmicos e até o uso de GPS, a esperança é que a precisão cresça. "O monitoramento de GPS já permite que você detecte movimentações muito pequenas do solo", afirma Dourado.


Essa matéria faz parte do Arquivo da Revista Superinteressante

Poluição atmosférica mata mais que câncer de pulmão

POR Ana Luísa Fernandes 

Respirar ar poluído é ruim e você já sabe. Mas que isso pode causar mais de 3 milhões de mortes por ano é um dado novo –e assustador

Um estudo feito pelo cientista Jos Lelieveld do Max Planck Institute for Chemistry, na Alemanha, revelou que a poluição atmosférica mata 3,3 milhões de pessoas por ano. O número é maior que o de mortes causadas pelo mais fatal tipo de câncer, o pulmonário, com 2,16 milhões de óbitos anuais. Dos 3,3 milhões, 75% estão concentrados na Ásia: a China fica no topo, com 1,4 milhões, e a Índia vem em segundo, com 650 mil. Não é de se estranhar, já que no ranking de maiores poluidores mundiais, os países ficam em 1º e 3º lugar, respectivamente. Os Estados Unidos e a Europa não ficam de fora: lá morrem 55 mil e 180 mil pessoas anualmente por causa da poluição. Como nada é tão ruim que não possa piorar, o estudo realizou estimativas baseadas no cenário atual de emissão de poluentes, e chegou à conclusão que, se nada for feito, em 2050 esse número vai dobrar. Ou seja: 6,6 milhões de pessoas vão morrer prematuramente a cada ano.


Se você acha que os principais culpados por esses dados alarmantes são os carros e as indústrias, está enganado. Casas que utilizam madeira e carvão para cozinhar ou para aquecimento são reponsáveis por um terço das mortes causadas pela poluição. Em segundo lugar vem a agricultura, responsável por um quinto das mortes. Os adubos químicos utlizados pela indústria agrícola liberam amônia no ambiente, que, combinada com outros produtos, como sulfatos e nitratos, forma verdadeiras partículas assassinas. Indústrias e carros entram em terceiro lugar.

Mas em um estudo relacionado, publicado na Nature Geoscience, as novidades foram otimistas para o nosso país: pesquisadores disseram que 1.700 mortes prematuras por ano foram evitadas no Brasil graças à dimuição das queimadas na floresta Amazônica. Esforços para a redução do desflorestamento vem sendo realizados desde 2004, e agora dão bons frutos. Durante a temporada da seca, a concentração das partículas poluentes atmosféricas diminui em 30%, o que melhora drasticamente a qualidade do ar e, felizmente, evita muitas mortes.



Fontes: Nature e Nature Geoscience

Nanossatélite brasileiro entra em órbita e tem sinais captados no país

Maiana Diniz – Repórter da Agência Brasil Edição: Maria Claudia

O nanossatélite brasileiro Serpens, desenvolvido pela Agência Espacial Brasileira (AEB), em parceria com universidades, foi lançado a partir da Estação Espacial Internacional Divulgação/Jaxa
O nanossatélite brasileiro Serpens, desenvolvido pela Agência Espacial Brasileira (AEB) em parceria com universidades, foi lançado na manhã de hoje (17) a partir da Estação Espacial Internacional. O lançamento do satélite foi feito pela Agência Espacial Japonesa (Jaxa). O artefato está em órbita a uma altitude de cerca de 400 quilômetros e funciona da forma prevista, sendo capaz de receber e devolver mensagens que podem ser baixadas de qualquer lugar do planeta.

Cerca de 30 minutos após o lançamento, o sistema foi ligado e as antenas do artefato liberadas, deixando o pequeno objeto pronto para se comunicar com a Terra. “Um radioamador brasileiro captou sinais e nos enviou. Decodificamos os sinais de identificação e comprovamos que é mesmo o Serpens”, comemorou o Diretor de Satélites da AEB, Carlos Gurgel. Ele explicou que o satélite tem uma assinatura única que permite a identificação.

“Agora, vamos colher mais dados e começar a trabalhar com ele. Por enquanto, estamos só rastreando”, disse Gurgel. O satélite deve ficar em órbita por cerca de 6 meses, tempo em que vai perdendo a velocidade até “cair”, sendo desintegrado após entrar na atmosfera terrestre.

Segundo Gurgel, a expectativa sobre o nanossatélite era grande, principalmente por parte dos estudantes universitários que participaram de todas as fases do projeto. “Estamos todos muito felizes com o resultado. Esta é a primeira leva de estudantes do cursos de engenharia aeroespacial que foram engajados em um projeto de verdade. Como o prazo limitado a 2 anos, eles puderam participar de todas as etapas”, afirmou.

O satélite é o primeiro do projeto Sistema Espacial para Realização de Pesquisa e Experimentos com Nanossatélites, um consórcio entre a AEB e universidades federais para o desenvolvimento de nanossatélites de baixo custo por estudantes universitários. O objetivo é capacitar profissionais e consolidar novos cursos de engenharia espacial no país.

Essa primeira missão do projeto Serpens está sendo coordenada pela Universidade de Brasília, mas a proposta é que as instituições envolvidas revezem a liderança. A previsão é que a Universidade Federal de Santa Catarina coordene o desenvolvimento do Serpens 2.

O nanossatélite custou cerca de R$ 800 mil, além dos gastos com o lançamento, cerca de R$ 3 milhões de reais, pois o Brasil não tem veículo lançador.




Dilma está disposta a encarar articulação política, diz Delcídio

Luciano Nascimento – Repórter da Agência Brasil Edição: Maria Claudia

O líder do governo no Senado, Delcídio do Amaral (PT-MS), disse hoje ((17) que a presidenta Dilma Rousseff está empenhada na busca de solução para cobrir o déficit fiscal de R$ 30,5 bilhões e assegurar a meta de superávit primário para 2016 de 0,7% % do Produto Interno Bruto (PIB).

Segundo Delcídio, Dilma está disposta a encarar a articulação política e conversar "diretamente" com parlamentares da base aliada sobre as medidas anunciadas na última segunda-feira. “A presidenta está muito empenhada. Ela vai conversar com alguns parlamentares, sim. Mas evidentemente dentro de critérios e auxiliada por seus ministros”, disse.

O senador informou que essas conversas serão acompanhadas por ministros mais próximos de Dilma que ajudarão no trabalho de articulação política com o Congresso, entre eles, Delcídio citou os ministros da Defesa, Jaques Wagner; das Comunicações, Ricardo Berzoini; da Casa Civil, Aloizio Mercadante e da Agricultura, Katia Abreu.

“Isso é importante, é fazer política. Tem que conversar, olhar olho no olho. Ouvir as opiniões [dos parlamentares], avaliar qual a expectativa deles com relação ao governo, verificar se os compromissos assumidos com os parlamentares foram cumpridos”, afirmou o líder.

Para Delcídio, o gesto “não significa inventar a roda” e “tudo quanto é governo trabalha dessa forma”. Segundo ele, a intenção é afinar a base e mantê-la "firme e confiável" nas votações no Congresso Nacional.

Ele citou, como primeiro desafio, a sessão do Congresso Nacional, marcada para a próxima semana, e destinada a analisar vetos presidenciais, entre eles o que reajuste dos salários dos servidores do Judiciário de maneira escalonada, de 53% a 78,56%. Segundo o Ministério do Planejamento, o aumento custaria R$ 25,7 bilhões nos próximos quatro anos.

Para o líder, uma derrubada de veto seria muito ruim, demonstraria uma "instabilidade política forte". "Temos que ter uma base fidelizada, não dá para arriscar", afirmou. Ele acrescentou que, mantido o veto, o desafio do governo é manter a unidade da base aliada na votação das medidas de ajuste anunciadas, entre elas a recriação da CPMF, que desde o anúncio têm gerado críticas em relação a criação de novos tributos. “O que a gente não pode é encarar votações em que alguns parlamentares votam de um jeito, outros votam de outro”, disse.

Segundo Delcídio, antes de se falar sobre o período de duração da CPMF é preciso aguardar o envio da proposta ao Congresso. O governo trabalha com a possibilidade do novo tributo durar quatro anos, mas parlamentares da base aliada já chegam a falar na possibilidade de dois anos de duração. "O governo tem o desafio grande de aprovar esses projetos para que a gente ajuste o Orçamento e volte a respirar" disse.


Dunga convoca jogadores para as eliminatórias da Copa de 2018

Vladimir Platonow - Repórter da Agência Brasil Edição: Aécio Amado

Dunga divulgou nesta quinta-feira (17) a lista com os nomes dos jogadores convocados para as duas primeiras partidas da seleção brasileira nas eliminatórias da Copa do Mundo de 2018Rafael Ribeiro/CBF
O técnico da seleção brasileira de futebol, Carlos Caetano Bledorn Verri, o Dunga, divulgou nesta quinta-feira (17) a lista com os nomes dos jogadores convocados para as duas primeiras partidas das eliminatórias da Copa do Mundo de 2018. Dos 23 atletas chamados, sete jogam no Brasil e 16 no exterior.

O anúncio dos convocados ocorreu na sede da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), na Barra da Tijuca, no Rio. Em entrevista à imprensa, Dunga disse que as eliminatórias é uma competição longa e os jogadores que não foram chamados agora devem se manter preparados. “Alguns jogadores não estarão nesta primeira convocação na lista. Nós temos uma eliminatória longa e todos devem se sentir preparados para quando forem chamados para a seleção brasileira.”

Dunga disse ainda que os jogos preparatórios para as eliminatórias foram importantes para conhecer o rendimento dos jogadores. “Durante este um ano de preparação, testamos alguns jogadores, tivemos boas experiências, outras nem tanto. Dos nossos jogadores, poucos tinham experiência de Copa América. Tivemos boas lições, que tiramos proveitos. Chegou o momento mais importante para nós, que é a eliminatória, e estamos preparados.”

A primeira partida do Brasil será contra o Chile, no dia 8 de outubro, em Santiago. Na semana seguinte, 13 de outubro, a seleção enfrenta a Venezuela, no Estádio Castelão, em Fortaleza.

A lista dos convocados

Goleiros: Jefferson (Botafogo), Marcelo Grohe (Grêmio), Alisson (Internacional). Laterais: Fabinho (Monaco), Rafinha (Bayern de Munique), Filipe Luis (Atlético de Madrid), Marcelo (Real Madrid). Zagueiros: David Luiz (Paris Saint-Germain), Miranda (Inter de Milão), Marquinhos (Paris Saint-Germain), Gil (Corinthians). Meias: Luiz Gustavo (Wolfsburg), Fernandinho (Manchester City), Elias (Corinthians), Renato Augusto (Corinthians), Lucas Lima (Santos), Oscar (Chelsea), Willian (Chelsea), Philippe Coutinho (Liverpool). Atacantes: Firmino (Liverpool), Hulk (Zenit), Lucas (Paris Saint-Germain), Douglas Costa (Bayern de Munique).

Neymar não foi relacionado por estar suspenso por dois jogos. O jogador foi expulso do jogo em que o Brasil perdeu de 1 a 0 para a Colômbia, na Copa América, e foi punido pela  Conmebol.

Fifa anuncia afastamento de Jérôme Valcke

Da Agência Brasil Edição: Armando Cardoso

A Federação Internacional de Futebol (Fifa) anunciou hoje (17) que o secretário-geral da entidade, Jérôme Valcke, foi afastado do cargo. “(...) Valcke foi colocado em licença e liberado de suas funções efetivas imediatamente até novo aviso”, informou comunicado da entidade.

“Além disso, a Fifa informou que tomou conhecimento de uma série de denúncias envolvendo o secretário-geral e solicitou uma investigação formal pelo Comitê de Ética”, acrescentou a nota.

Nesta quinta-feira, jornais de diferentes países publicaram reportagens mostrando denúncias do empresário Benny Alon sobre o dirigente da Fifa, que, de acordo com as matérias, ficava com parte do dinheiro de ingressos da Copa do Mundo de 2014, no Brasil.

Alon é proprietário de uma empresa que tinha contrato para fornecimento de ingressos da Copa com a Fifa. Segundo as reportagens, o empresário afirmou que fez um acordo com Valcke para vender ingressos do Mundial por um valor quatro vezes maior que o original. Conforme o empresário, em troca a empresa e Valcke dividiriam os lucros.


ONGs cobram criação de comissão para agenda de desenvolvimento da ONU no Brasil

Andreia Verdélio - Repórter da Agência Brasil Edição: Armando Cardoso

Representantes de organizações da sociedade civil de todo o país reúnem-se para dar continuidade ao debate sobre governança, implementação e monitoramento da Agenda Pós-2015Elza Fiúza/Agência Brasil
Representantes de organizações da sociedade civil estão negociando para que o governo federal crie uma comissão para a implementação dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) no Brasil. Os ODS vão guiar os países em uma agenda global de desenvolvimento sustentável até 2030 e substituir os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM), vigentes até o fim deste ano.

“Nossa expectativa é que seja uma comissão composta por autoridades com capacidade e poder de decisão. Que ela envolva diferentes setores do governo, até para dar conta de uma agenda tão ampla, mas que essencialmente tenha uma boa representação da sociedade civil”, disse a coordenadora geral da ONG Gestos e diretora da Abong, Alessandra Nilo.

A Abong é uma plataforma que reúne ONGs brasileiras e que faz parte do Grupo de Trabalho da Sociedade Civil para o Pós 2015, que acompanha as negociações intergovernamentais de construção dos ODS. O grupo esteve reunido em Brasília ontem (16) e hoje (17) para traçar as estratégias da sociedade civil na agenda de desenvolvimento para 2030.

A nova agenda será adotada pelos líderes mundiais na Cúpula de Chefes de Estado e Governo, que ocorrerá antes da abertura da Assembleia Geral da ONU, em setembro. A expectativa da sociedade civil é que a criação da comissão seja anunciada pela presidenta Dilma Rousseff no discurso de abertura da assembleia.

Para a representante da ONG Mirim Brasil, Sylvia Siqueira Campos, a primeira tarefa para o país é ver o que os ODS estão trazendo em termos de objetivos e metas e comparar com o que já está previsto nos planos plurianuais. “Os ODS são algo que vamos ter de redirecionar. Isso vai qualificar o tipo de investimento e o tipo de esforço que vamos empreender. A questão concreta é fazer uma revisão dos planos à luz dos ODS”, afirmou.

Alessandra Nilo acrescentou que é “extremamente importante” divulgar para a sociedade civil a existência da agenda e, ao mesmo tempo, estabelecer diálogos com os gestores locais. Segundo ela, as organizações já estão se antecipando para mobilizar os candidatos das eleições municipais de 2016 para assinatura de uma carta de adesão aos ODS e o comprometimento com a implementação da agenda nos municípios.

“O revolucionário nos ODS é que não há solução para os problemas isoladamente”, informou Alessandra, destacando que os governos precisam se articular nas três esferas e em todas as áreas. “Não se resolve a questão previdenciária sem a tributária. Os processos de educação estão ligados com prevenção da saúde.”

Integrante da Gestos/Abong, Alessandra Nilo (à direita) acha importante divulgar a existência da agendaElza Fiúza/Agência Brasil
Uma das questões de grande discussão durante a construção dos ODS foi o financiamento para o desenvolvimento. Alessandra esclareceu que não foram apontadas novas fontes de recursos pelos países. “Mas se abriu a possibilidade para algumas ações de nível nacional, por exemplo, como a taxação progressiva, em vez de uma taxação regressiva. Outro aspecto que precisamos garantir é que o sistema financeiro seja convidado a contribuir e pagar sua conta”, disse a diretora da Abong.

De acordo com a diretora, se pensarmos que as transações de câmbio movimentam US$ 4 trilhões por dia, "com uma pequena taxação que pudesse ser usada para o desenvolvimento sustentável, teríamos um volume de recursos muito grande”.

O processo de construção dos ODS começou com a Conferência Rio+20 e teve participação de 193 países. São 17 objetivos, com 169 metas universais para países desenvolvidos e em desenvolvimento. A negociação da nova agenda é considerada inovadora no âmbito da ONU, porque, diferentemente dos ODM, os ODS foram elaborados com participação direta dos estados-membros e da sociedade civil e nasceram a partir de amplas consultas no mundo todo.

Entre as propostas estão erradicar a fome e a pobreza, promover a agricultura sustentável, saúde, educação e igualdade de gênero, além de garantir o acesso à água, ao saneamento e à energia sustentável para todos, o crescimento econômico, emprego, a industrialização, cidades sustentáveis e a redução da desigualdade. Também sugerem a mudança de padrões de consumo e produção, a conservação e usos sustentáveis dos ecossistemas marinho e terrestre e a construção de sociedades pacíficas e justas.


Rock in Rio pede que população só use transporte público para o ir ao festival

Cristina Indio do Brasil - Repórter Agência Brasil Edição: Jorge Wamburg

O Rock in Rio 2015 começa amanhã (18) e a organização do festival recomenda que a população use apenas o transporte público para chegar à Cidade do Rock, na Barra da Tijuca, na zona oeste da cidade. O público vai assistir shows de artistas nacionais e internacionais nos dias 18, 19, 20, e na semana que vem nos dias 24, 25, 26 e 27.

O pedido dos organizadores é para evitar transtornos no deslocamento para o evento e diminuir a pressão no já tumultuado trânsito da região, que sofre o impacto das obras para os Jogos Olímpicos e Paralímpicos de 2016.

A vice-presidente do Rock in Rio, Roberta Medina, informou que o transporte público é a única maneira de chegar à Cidade do Rock. Não haverá estacionamento no entorno e muitas ruas estarão bloqueadas: “Estamos trabalhando há dois anos junto aos órgãos públicos para oferecer à população um esquema especial de trânsito nos dias de evento e ajudar a minimizar qualquer impacto que este setor possa trazer para as pessoas”, disse. Ela sugeriu, ainda, que quem puder, evite o deslocamento para a Barra nos dias do festival: “Pedimos que programe sua visita para uma outra data”.

Nesta 16ª edição do Rock in Rio, a Secretaria de Transportes e o Sindicato das Empresas de Ônibus do Rio de Janeiro (Rio Ônibus) fecharam uma parceria e pela primeira vez o público usará o sistema de transporte público regular, por meio do BRT, para chegar mais próximo ao local dos shows. O passageiro deverá ir até o Terminal Alvorada, que fica perto da Cidade do Rock e de lá seguirá num ônibus do BRT. Ele vai receber uma pulseira e com ela terá direito ao embarque na volta para casa. A entrega das pulseiras será feita após a passagem pela catraca especial montada no terminal. A passagem de ida e volta custa R$ 6,80. Se o passageiro não tiver o cartão RioCard pagará mais R$ 1,00, mas se devolver o cartão após o uso, terá de volta o acréscimo pago.

Quem escolher as linhas de ônibus executivos com ar-condicionado, chamadas de Primeira Classe, terá que comprar o cartão de acordo com o horário que preferir, no segundo piso do Botafogo Praia Shopping, na zona sul; e no primeiro piso do Shopping Nova América, na zona norte. Neste tipo de transporte, não há paradas durante o trajeto e o ponto final é no Terminal RioCentro, próximo à Cidade do Rock.

O horário marcado é apenas para o embarque, que será feito por ordem de chegada ao ponto, recomendada para ser feita com 15 minutos de antecedência. A volta para casa a partir de meia-noite não tem hora pré-estabelecida e o embarque poderá ser realizado até uma hora após o término do último show do Palco Mundo.

A Prefeitura do Rio fará uma fiscalização rigorosa para evitar os estacionamentos em locais proibidos, nas ruas e avenidas de acesso à Cidade do Rock, que estarão com o tráfego de carros, táxis e vans suspenso.




Extintor em carro não será mais obrigatório

Paula Laboissière – Repórter da Agência Brasil Edição: Nádia Franco

Obrigatório desde 1970, uso do extintor de incêndio em automóveis agora é facultativo  Arquivo/Agência Brasil
O uso de extintor de incêndio em automóveis passará a ser facultativo no Brasil, conforme decisão tomada hoje (17) pelo Conselho Nacional de Trânsito (Contran). A mudança na legislação envolve utilitários, camionetas, caminhonetes e triciclos de cabine fechada. Porém, o equipamento permanece obrigatório para todos os veículos usados comercialmente para transporte de passageiros, caminhões, caminhão-trator, micro-ônibus e ônibus, além de veículos destinados ao transporte de produtos inflamáveis, líquidos e gasosos.

Segundo informações do Ministério das Cidades, a obrigatoriedade do uso do extintor estava em vigor desde 1970. De acordo com a pasta, a decisão pelo uso opcional do equipamento foi tomada após encontros com representantes dos fabricantes de extintores, do Corpo de Bombeiros e da indústria automobilística.

“Estudos e pesquisas realizadas pelo Denatran [Departamento Nacional de Trânsito] constataram que as inovações tecnológicas introduzidas nos veículos resultaram em maior segurança contra incêndio”, diz o ministério, ao destacar o corte automático de combustível em caso de colisão, a localização do tanque de combustível fora da cabine de passageiros e a flamabilidade de materiais e revestimentos.

Ainda de acordo com a pasta, dados da Associação Brasileira de Engenharia Automotiva mostram que, dos 2 milhões de sinistros em veículos cobertos por seguros, 800 tiveram incêndio como causa. Desse total, apenas 24, o equivalente a 3% dos casos, informaram que usaram o extintor.

O governo também ressaltou que o uso obrigatório do extintor em automóveis é mais comum em países da América do Sul, como Uruguai, Argentina e Chile. “Nos Estados Unidos e na maioria das nações europeias, não existe a obrigatoriedade, pois as autoridades consideram que a falta de treinamento e o despreparo dos motoristas para o manuseio do extintor geram mais risco de danos à pessoa do que o próprio incêndio”, ressaltou o ministério.

Autoridades de trânsito vão continuar a fiscalizar o uso de extintores de incêndio nos veículos em que seu uso é obrigatório. A punição para quem não estiver com o equipamento ou para quem estiver com o equipamento com validade vencida inclui multa no valor de R$ 127,69 e cinco pontos na carteira de habilitação.

Governo tem plano A e está empenhado em aprová-lo, diz Nelson Barbosa

Mariana Branco - Repórter da Agência Brasil Edição: Armando Cardoso

Os ministros Nelson Barbosa e Joaquim Levy estiveram hoje na Comissão Mista de Orçamento para detalhar as medidas do governoValter campanato/Agência Brasil
O ministro do Planejamento, Orçamento e Gestão, Nelson Barbosa, disse hoje (17) que o governo tem um plano A para o corte de gastos e aumento de receitas em 2016. “Não [há estratégia alternativa"]. Respondendo a jornalistas, que queriam saber se existe um plano B, o ministro afirmou que o governo tem um plano A "e estamos empenhados em aprová-lo”,

Nelson Barbosa e o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, estiveram nesta quinta-feira na Comissão Mista de Orçamento (CMO), onde, por mais de cinco horas, detalharam as medidas do governo.

De acordo com Barbosa, ele e Levy explicaram aos deputados e senadores principalmente a questão das emendas parlamentares. O pacote anunciado pelo governo prevê se valer das emendas para recompor os gastos discricionários previstos na Proposta de Lei Orçamentária Anual (PLOA).

As emendas parlamentares seriam usadas para repor corte de R$ 3,8 bilhões no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e também em programas de saúde prioritários.

Segundo Nelson Barbosa, a negociação com o Congresso Nacional faz parte do processo de implementação do pacote e o governo está iniciando esse esforço.

“Faz parte da discussão parlamentar críticas e sugestões. Isso é um processo natural de aprovação de qualquer medida legislativa. Apresentamos nossos argumentos e vamos defendere a aprovação”, afirmou o ministro. Ele disse acreditar que, após a reunião de hoje, haja maior esclarecimento sobre as medidas.

O governo anunciou segunda-feira (14) corte de despesas de R$ 26 bilhões no Orçamento de 2016, além de medidas para redução de gastos tributários e aumento de receitas. Ao todo, o pacote soma R$ 64,9 bilhões. Com as medidas, o governo espera recuperar o equilíbrio fiscal e a credibilidade com os investidores internacionais.

Em 31 de agosto, o Executivo entregou ao Congresso Nacional a proposta orçamentária para 2016, com previsão de déficit de R$ 30,5 bilhões. Uma semana depois, a agência de classificação de risco Standard & Poor's rebaixou a nota de crédito do Brasil de BBB- para BB+, retirando o grau de investimento do país. O grau é dado a países considerados bons pagadores e seguros para investir.


Nova CPMF vai vigorar até o fim de 2019, diz Levy

Wellton Máximo – Repórter da Agência Brasil Edição: José Romildo

A nova Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF) vai durar quatro anos, confirmou hoje (17) o ministro da Fazenda, Joaquim Levy. Segundo ele, a proposta de emenda à Constituição (PEC) a ser enviada ao Congresso estabelecerá a vigência do tributo até o fim de 2019 com o objetivo de financiar o déficit da Previdência Social.

O ministro falou a jornalistas depois de uma audiência de mais de cinco horas na Comissão Mista de Orçamento do Congresso. Acompanhado do ministro do Planejamento, Nelson Barbosa, Levy explicou o pacote de corte de gastos e aumento de tributos anunciado no início da semana para fazer o Orçamento de 2016 ter superávit primário de R$ 34,4 bilhões.

“A gente deve enviar a CPMF com prazo de quatro anos. Acho que essa é a medida que nos permitirá ultrapassar o ciclo de desaceleração e fortalecer o quadro fiscal. Não vamos esquecer que a gente teve de mudar a meta [de superávit primário] este ano, mas a gente tem compromisso de voltar a fortalecer o quadro fiscal nos próximos anos”, declarou Levy.

Assim como declarou anteontem (15) em entrevista à NBR, televisão do governo federal, Levy reiterou que a CPMF com alíquota de 0,20% é a medida que elevará as receitas do governo, com menor custo para a sociedade. “Temos confiança de que a CPMF, principalmente com a alíquota proposta, é a medida mais adequada neste momento, com menor impacto sobre o setor produtivo, com menor impacto inflacionário e capaz de proporcionar os recursos necessários no momento para amortecer o déficit da Previdência”, disse.

O ministro destacou que a CPMF é imprescindível para segurar os resultados negativos que a Previdência Social tem registrado nos últimos anos. Levy destacou que o governo pretende discutir medidas de médio e de longo prazo para reestruturar o sistema de aposentadorias e pensões. “Muitas pessoas entendem que é necessário discutir a Previdência, não para fazer mudança repentina agora, mas para organizar o futuro. A Previdência é a maior despesa do governo. A gente tem de planejar para a frente, inclusive com a criação de fóruns [de discussão entre o governo e a sociedade]”, afirmou.

Levy disse ainda que o pacote de ajuste fiscal envolve medidas adicionais, como a eliminação de ministérios, que, segundo ele, será anunciada até o fim da próxima semana pela presidenta Dilma Rousseff. Ele reiterou que, embora o Congresso possa alterar a PEC da CPMF e as medidas provisórias a serem enviadas pelo Poder Executivo, o governo não recuará de nenhuma proposta anunciada. “Não há intenção de modificar as propostas a serem enviadas. Vamos enviar o que foi anunciado. Evidentemente depois há o processo legislativo, de discussão, mas essa é uma segunda etapa”, concluiu.

A proposta do governo é de uma alíquota de 0,2%. Governadores tem pressionado, no entanto, para elevar a cobrança para 0,38% com parte dos recursos sendo repassado para estados e municípios. Ontem, o governador do Rio de Janeiro, Luiz Fernando Pezão, após encontro com o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, disse que os estados têm um déficit na previdência pública ultrapassará R$ 100 bilhões.

Depois, Luiz Fernando Pezão se reuniu com parlamentares da base aliada e mais cinco governadores – Bahia, Tocantins, Piauí, Alagoas, Ceará – e representantes de Sergipe e do Rio Grande do Sul reiteraram, na Câmara dos Deputados, que são a favor da nova CPMF.


Bicudo e Reale entregam pedido de impeachment com ajustes e novos argumentos

Carolina Gonçalves - Repórter da Agência Brasil Edição: Graça Adjuto

O jurista Miguel Reale Júnior e a filha do procurador aposentado Hélio Bicudo, Maria Bicudo, entregam ao presidente da Câmara pedido de impeachment da presidenta Dilma Rousseff Wilson Dias/Agência Brasil
O jurista Miguel Reale Júnior e a advogada Maria Lúcia Bicudo, filha do ex-deputado e um dos fundadores do PT Hélio Bicudo, entregaram hoje (17) à Câmara o complemento do pedido de impeachment da presidenta Dilma Rousseff, protocolado no último dia 10. O presidente da Casa, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), dera prazo até o dia 23 para que Bicudo fizesse ajustes formais, como o reconhecimento de firma em cartório. O pedido é o 13º em análise sobre o tema. Outros cinco já foram arquivados.

Como Reale Júnior subscreveu o pedido e acrescentou argumentos, a entrega acabou se transformando em um ato conjunto. “Há problemas gravíssimos de decretos editados sem autorização da Câmara, relativos a créditos suplementares”, disse o ex-ministro da Justiça do governo Fernando Henrique Cardoso, ao falar dos acréscimos ao texto.

Ao se unir ao ato, Maria Lúcia Bicudo defendeu que o impeachment é o primeiro passo para a reconstrução de valores no país. “Precisamos deixar de lado a corrupção e a mentira e caminhar para o novo. Temos que abrir o caminho para os jovens, para que este Brasil seja digno e íntegro”, afirmou.

A entrega do documento a Cunha foi acompanhada ainda por líderes da oposição – entre eles Carlos Sampaio (PSDB-SP), Mendonça Filho (DEM-BA) e Paulinho da Força (SD-SP).

O Palácio do Planalto informou que não vai comentar o assunto.


Dilma se reúne pela segunda vez com líderes da Câmara para “medir temperatura”

Carolina Gonçalves – Repórter da Agência Brasil Edição: Maria Claudia

Na segunda reunião com deputados, desde que anunciou o pacote de medidas econômicas para solucionar o déficit previsto para o próximo ano, a presidenta Dilma Rousseff “falou pouco e ouviu muito”, segundo o líder do governo na Câmara, José Guimarães (PT-CE). Ele descreveu o encontro, que também teve a presença dos ministros Aloizio Mercadante (Casa Civil) e Ricardo Berzoini (Comunicações), como “uma reunião descontraída” para ouvir os parlamentares e medir a temperatura no Congresso.

Segundo o líder, Dilma informou aos parlamentares que irá apresentar o resultado da reforma administrativa prometida pelo Planalto na próxima quarta-feira (23), com a redução dos ministérios. Para Guimarães, isso pode melhorar o clima diante do pacote anunciado e a possibilidade de retomada da CPMF.  Ele garantiu que os rumores sobre mudanças na estratégia anunciada pelo governo não passam de especulação. “Não foi tratado nada que está sendo especulado. Não houve discussão sobre mudanças nas medidas anunciadas”, disse.

Durante o encontro, os líderes governistas levantaram pontos que podem dificultar a aprovação da criação de um novo imposto. Guimarães classificou como “disposição” para encontrar soluções e aprová-las. Para ser aprovada como proposta de emenda à Constituição, a nova contribuição tem que ter 308 votos favoráveis no plenário da Câmara (3/5 dos deputados).

O líder do PSD, Rogério Rosso disse ter a impressão de que a presidenta está “aberta ao diálogo e focada no ajuste” e de que está assumindo “mais diretamente” a articulação com parlamentares – papel que foi comandado, nos últimos meses, pelo vice-presidente Michel Temer.

Mesmo com a aproximação de Dilma e sua base, Rosso avaliou que a aprovação do imposto não será fácil, ainda que tenha o apoio dos governadores, que querem receber parte da nova arrecadação. “Mesmo com a adesão dos governos, os 308 [votos na Câmara] ainda estão longe, porque é preciso dialogar coma a sociedade. A sociedade tem repulsa às palavras imposto e contribuição”, afirmou.  “Ainda que não foi estudado um plano B”, acrescentou.

O presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), voltou a criticar o pacote de medidas, e defendeu que a saída para o país é resultado de um conjunto de ações que tem como primeiro passo um corte “real” dos gastos públicos. “O governo começa a ganhar credibilidade na hora em que começa a cortar efetivamente seus gastos e, neste pacote, tem apenas R$ 2 bilhões de cortes e, destes, R$ 200 milhões estão sendo anunciados pela redução de ministérios. Se eu, aqui, com contingente muito menor de mão de obra, cortando apenas hora-extra tenho uma economia de R$ 80 milhões ano, como é que cortar ministérios e todas as assessorias economia apenas R$ 200 milhões?”, perguntou.

Para Cunha, que assumiu uma posição de independência do governo no primeiro semestre deste ano, o governo só vai começar a recuperar confiança de agentes econômicos quando mostrar controle das contas “pela sua ação e não com aumento de carga tributária ou com artifício de transferir despesa para terceiros”. Cunha não comentou a durabilidade da nova CPMF, que não foi enviada ainda como proposta para o Congresso, e voltou a defender que o dinheiro da repatriação de recursos no exterior seja repassado a estados e municípios para sanar, por apenas um ano, a situação dos governos locais.

Perguntado sobre a decisão da Mesa Diretora da Câmara em relação às cotas de recursos parlamentares, Eduardo Cunha garantiu que não houve qualquer aumento de custo na Casa. Ele explicou que o ato permite que os deputados remanejem, dentro do volume total de recursos, os gastos em determinados itens. “Você tem correção de preço de combustível e você não adequou. Se adequar, sem alterar cota total, você vai ter que gastar menos em outro item”, exemplificou.

O presidente da Câmara afirmou que nem todos os parlamentares usam igualmente os valores destinados a cada rubrica e que estes valores são apenas uma espécie de referência. “Tem um limite por item. Se o parlamentar vai usar em cursos, vai ter menos dinheiro para usar em gasolina. Mas foi zero de gasto a mais [para a Casa]. Não foi aprovado e nem será aprovado”, assegurou, destacando que a direção das decisões da Mesa são opostas a criação de despesas. Esta semana, o colegiado aprovou um corte de horas extras na Casa que, segundo cálculos de assessores, vai representar uma redução de despesas de R$ 80 milhões a cada ano.


Governo federal garante novas ações para revitalizar Velho Chico na Bahia



A revitalização do Rio São Francisco na Bahia está em pauta entre os governos estadual e federal. Nesta quinta-feira (17), uma boa notícia foi anunciada para um dos mais importantes rios do Brasil - o governo federal garantiu a liberação de R$ 2 milhões para ações de revitalização. Este valor será aplicado na implantação de dois viveiros - um na cidade de Barra, beneficiando o afluente Rio Grande, e o outro em Bom Jesus da Lapa, vocacionado para a Bacia do Rio Corrente. As mudas vão contribuir na recuperação de matas ciliares.

A decisão foi oficializada durante reunião, em Brasília, entre o ministro da Integração, Gilberto Ochi, o secretário-executivo da Casa Civil da Presidência, Marco Antônio, o diretor- presidente da Agência Nacional de Águas (ANA), Vicente Andreo, o secretário nacional de Recursos Hídricos, Osvaldo Garcia, e, representando o Estado da Bahia, o secretário estadual da Casa Civil, Bruno Dauster, e o titular da Representação estadual na capital do País, Jonas Paulo.

“A revitalização é condição de sobrevivência do Rio São Francisco. Estamos em seca prolongada e a vazão do rio tem caído nesses últimos cinco anos”, disse Dauster. No mesmo sentido, o representante Jonas informou que em alguns pontos é possível atravessá-lo a pé. Por isso, o trabalho de revitalização é de longo prazo e o governo baiano pleiteará mais recursos.

Ainda sobre o tema água, Dauster aproveitou a ocasião para um novo alerta sobre a situação emergencial de abastecimento humano nas cidades do Médio São Francisco e nas que ficam no entorno do Lago do Sobradinho, no nordeste da Bahia. Ficou acertado que o Estado apresentará o mais rápido possível um estudo sobre a situação das localidades ao ministro Ochi e à Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf). O ministro, em resposta, disse que se for caracterizada situação de emergência, atuará para resolver o problema.

Secom Bahia

Incêndio na Chapada Diamantina começa a ser controlado



Foto: Mateus Pereira/GOVBA
As chamas que atingem o Parque Nacional da Chapada Diamantina desde o último dia 11 estão controladas em algumas áreas. O trabalho integrado entre Governo do Estado, IcmBio (Governo Federal), brigadistas voluntários e prefeituras municipais conseguiu controlar as chamas em Mucugê. Segundo o analista ambiental do IcmBio, Pablo Casella, alguns focos de incêndio ainda permanecem no Vale do Capão e na Serra do Garapá, em Andaraí.

Um helicóptero disponibilizado pelo Governo do Estado faz o transporte da equipe que combate o fogo e dois aviões do IcmBio lançam água. Estão envolvidos na Operação Bahia Sem Fogo 50 brigadistas do IcmBio, voluntários e 23 bombeiros militares. Até o momento, a extensão do fogo atingiu o equivalente a 4900 campos de futebol.

O Parque Nacional da Chapada Diamantina completa 30 anos nesta quinta-feira (17).

Secom Bahia

Croácia não tem capacidade para receber mais refugiados, diz ministro

Da Agência Lusa

Migrantes que cruzaram fronteira da Sérvia com a Croácia aguardam em campo para fazer registroEPA/Antonio Bat/Agência Lusa/Direitos Reservados
O ministro do Interior da Croácia, Ranko Ostojic, advertiu hoje (17) que o seu país deixou de ter capacidade para continuar recebendo refugiados, após a entrada de 7 mil pessoas ontem (16), provenientes da Sérvia.

“Neste momento, esgotamos nossas capacidades e nas conversas com dirigentes do Acnur [Alto Comissariado da ONU para os Refugiados] e da União Europeia [UE] dissemos que a Croácia está cheia”, declarou Ranko Ostojic à agência croata Hina.

Em paralelo, e segundo a página digital da BBC, centenas de imigrantes tentaram hoje brevemente, e sem sucesso, romper o cordão policial colocado em Tavornik, na fronteira da Sérvia com a Croácia. Após momentos de tensão, a situação se normalizou.

O ministro croata emitiu o aviso no posto fronteiriço de Tavornik, onde continuam chegando refugiados após o fechamento da fronteira húngara e que forçou migrantes, provenientes do Médio Oriente e Ásia, a procurar uma rota alternativa.

Ranko Ostojic disse que quem pretender requerer asilo será conduzido para um centro de registo em cumprimento das normas europeias e quem não pretenda solicitá-lo será considerado imigrante ilegal. “Não somos um país em que num certo momento não possa ser solidário, mas neste momento pedimos [aos restantes países de onde provêm os refugiados] que parem a afluência”, disse. “Não é aceitável que a Croácia seja tratada como um país em que se devem respeitar os acordos internacionais e que isso não seja feito nos países vizinhos que estão sendo atravessados pelos imigrantes”, explicou.

O número de chegadas à fronteira croata superou quase o dobro as previsões do governo de Zagreb, que tinha calculado a chegada nos próximos dias de 4 mil refugiados no seu percurso em direção à Eslovénia, para depois seguirem pela Áustria em direção à Alemanha ou países escandinavos.

Ranko Ostojic tinha dito antes que a Croácia podia “responder a uma primeira vaga de 1,5 mil refugiados por dia”, mas sem deixar de informar que seriam acionados novos dispositivos caso esse número aumentasse.

Já a chefe da diplomacia de Zagreb, Vesna Pusic, advertiu que o país pode enfrentar a chegada de vários milhares de refugiados, mas não de dezenas de milhares.

A televisão estatal sérvia RTS informou que durante a noite de quarta-feira para quinta-feira chegaram à fronteira croata 40 ônibus e 180 táxis com refugiados, que depois cruzam a pé a fronteira servo-croata, e que estavam chegando mais migrantes.

A partir da fronteira, os refugiados são conduzidos em trens e ônibus para centros de acolhimento.

Ontem, a Croácia manifestou a disposição em estabelecer corredores que permitam aos refugiados cruzar de forma rápida e organizada o seu território a caminho do Norte.

O primeiro-ministro croata, Zoran Milanovic, criticou duramente a política da Hungria em relação aos refugiados ao considerar que “os muros que se erguem não apenas nada detêm, mas também enviam uma mensagem horrorosa e perigosa”.

Janot é reconduzido ao cargo de procurador-geral da República

Pedro Peduzzi e Luana Lourenço – Repórteres da Agência Brasil Edição: Denise Griesinger

O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, foi reconduzido hoje (17) ao cargo pela presidenta Dilma Rousseff para mais dois anos de mandato. Em cerimônia no Palácio do Planalto, Janot reafirmou o compromisso de atuação por um Ministério Público forte e autônomo. O procurador se emocionou ao agradecer sua família pela “paciência, abnegação e estímulo” durante o período à frente da Procuradoria-Geral da República (PGR).

 “A existência de um Ministério Público forte e autônomo é fundamental para o direito de todas instituições”, disse Janot, após citar como marca de sua primeira gestão o diálogo aberto com as demais instituições.

Janot elogiou a presidenta Dilma e os senadores por terem acatado a indicação de seu nome para o cargo e reiterou compromissos assumidos durante o primeiro mandato. No início de agosto, Janot obteve 799 votos, entre os 1,2 membros do Ministério Público, para integrar a lista tríplice da Associação Nacional dos Procuradores da República. Depois, passou por sabatina de mais de dez horas na Comissão de Constituição e Justiça no Senado e teve a recondução aprovada no plenário e publicada no Diário Oficial.

A presidenta Dilma Rousseff reconduz o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, ao cargoJosé Cruz/Agência Brasil
Em discurso, durante a cerimônia, Dilma defendeu a democracia como o limite da atuação de qualquer autoridade no país e disse que os ilícitos devem ser punidos, mas com respeito ao princípio do contraditório e da ampla defesa. A presidenta também voltou a defender a legitimidades dos que são escolhidos pelo voto.

“Todos queremos um país em que a lei é o limite. Muitos de nós lutamos por isso justamente quando as leis e os direitos foram vilipendiados. Queremos um país em que os políticos obtenham o poder por meio de votos e aceitem o veredito das urnas; [um país] em que os governantes se comportem rigorosamente segundo as atribuições, sem ceder a excessos; em que os juízes julguem com liberdade e imparcialidade, sem pressões de qualquer natureza e desligados de paixões político-partidárias, jamais transigindo com a presunção da inocência de quaisquer cidadãos”, disse Dilma.

A presidenta lembrou dos esforços que seu governo tem feito para aprimorar a lei e garantir a liberdade de atuação das instituições de investigação e fiscalização, entre elas a PGR. Disse ainda que seu governo tem o compromisso de não compactuar com ilícitos ou malfeitos. “Nunca se combateu a corrupção tão severamente. (...) Nunca usamos poder governamental direta ou indiretamente para bloquear para obstaculizar investigações que, nos termos da nossa legislação, devem ser realizadas como firmeza e todas as garantias pelas autoridades competentes”.

A presidenta destacou o clima político de tensão que o país atravessa e defendeu que o “confronto de ideias se dê em um ambiente de civilidade e respeito”, independente da divergência de opiniões. “Todos podemos e devemos contribuir para que a civilidade prevaleça e para que a tolerância e o respeito à diversidade, que sempre caracterizaram a vida dos brasileiros, voltem a imperar”, pediu.

“Nesses tempos em que, por vezes a luta política provoca calor quando devia emitir luz, torna-se ainda mais relevante o papel da Procuradoria-Geral como defensora do primado da lei, da Justiça e da estabilidade das instituições democráticas”, avaliou.

Perfil

Bacharel e mestre em direito pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), onde se especializou em direito comercial, Janot tem também especializações na área de meio ambiente e consumidor pela Scuola Superiore di Studi Universitari e di Perfezionamento S. Anna, em Pisa, na Itália.

Tornou-se procurador da República em 1984, ano em que atuou como procurador-chefe substituto da Procuradoria Regional do Distrito Federal, cargo que ocupou até 1987. Foi promovido a procurador regional da República em 1993 e subprocurador-geral em 2003. Ocupou, ainda, os cargos de coordenador-Geral do Centro de Pesquisa e Segurança Institucional do MPF, e diretor-geral da Escola Superior do Ministério Público da União.

Janot foi também professor de direito processual civil da Universidade do Distrito Federal e, em 1994, secretário de Direito Econômico do Ministério da Justiça. Por meio de mandato eletivo, foi presidente da Associação Nacional dos Procuradores da República entre 1995 e 1997. Ele ocupa o cargo de procurador-geral da República desde setembro de 2013.



6 diretores que trazem diversidade para Hollywood

Por Darllam Cruz

Você já parou para pensar em quantos filmes você viu recentemente que não foram dirigidos por homens brancos? A diversidade não é o forte de Hollywood. A indústria cinematográfica americana tem um histórico de exclusão, e também de pessoas que conseguiram quebrar esse teto de vidro e se estabelecer, não sem dificuldades, nessa cultura hegemônica. Esse ano, todas as pessoas indicadas nas categorias principais do Oscar são brancas, e não há mulheres entre os diretores indicados. A única pessoa que foge um pouquinho do padrão é o mexicano Alejandro Gonzáles Iñárritu, diretor de Birdman (que, apesar de latino, é homem e branco).

A SUPER preparou uma lista com alguns cineastas que quebraram e continuam quebrando paradigmas em Hollywood levando para a telona temas, visões e sensibilidades diversas. Deixamos de fora os diretores alternativos, claro, para deixar mais clara a noção de que não é tão fácil encontrar exceções aos padrões de Hollywood.



1. Spike Lee



O diretor Spike Lee foi por muito tempo a voz negra mais proeminente em Hollywood. Em filmes como Faça a Coisa Certa, de 1989, e Malcolm X, de 1992, o diretor contemplou a temática racial e abriu as portas para uma discussão acerca dos direitos civis, racismo, segregação, crimes urbanos, pobreza e outros problemas sócio-políticos. Mesmo sendo um divisor de águas, levando o cinema do gueto para o grande público, a Academia fez vista grossa para o diretor. Ele foi indicado somente pelo roteiro de Faça a Coisa Certa e pelo documentário 4 Little Girls, de 1997.



2. Jane Campion



Em 1976, a italiana Lina Wertmüller foi a primeira mulher indicada ao Oscar de Melhor Direção, pelo filme Pasqualino Quatro Belezas. Desde lá, o Oscar tinha uma tradição de ignorar diretoras que só foi quebrada por Jane Campion, em 1994, pelo drama O Piano. O filme, aclamado pela crítica e pelo público, foi indicado a oito Oscars e acabou levando os prêmios de Melhor Atriz, Melhor Atriz Coadjuvante e Melhor Roteiro Original, para Campion. Ainda que um pouco esquecida pela indústria, Campion continuou a realizar filmes, lançando o mais recente, O Brilho de uma paixão, em 2009. Seu trabalho mais recente foi a excepcional minissérie para a televisão Top of the Lake.



3. Sofia Coppola


Completamente execrada depois da sua atuação na parte final da trilogia O Poderoso Chefão, dirigida por seu pai, Francis Ford Coppola, Sofia Coppola passou por uma reinvenção por trás das câmeras. Seu filme de estreia, As Virgens Suicidas, foi um prelúdio da carreira de Sofia como diretora: uma voz singular na captura da melancolia e solidão. Com seu filme seguinte, Encontros e Desencontros, de 2003, Sofia Coppola conseguiu ser a terceira mulher a ser indicada ao prêmio de Melhor Direção no Oscar.



4. Kathryn Bigelow



Kathryn Bigelow vinha de uma carreira de filmes menores até tomar o mundo de assalto com Guerra ao Terror, drama implosivo sobre um grupo de soldados que desarmam bombas na Guerra do Iraque. O filme foi a sensação do Oscar de 2010: levou os prêmios de Melhor Filme, Melhor Roteiro Original, Melhor Edição, Melhor Mixagem de Som e Melhor Edição de Som. Mas Guerra ao Terror fez história por fazer com que Bigelow, quarta e última mulher indicada ao prêmio, fosse a primeira a levar o Oscar de melhor diretora. Posteriormente, Bigelow dirigiu A Hora Mais Escura sobre a caçada e a captura do terrorista Osama Bin Laden, e, embora tenha sido cotada pela crítica como mais uma possível indicação, acabou ignorada.



5. Steve McQueen



Steve McQueen não tem uma filmografia extensa, tendo lançado apenas três longas: Fome, de 2008; Shame de 2011 e 12 Anos de Escravidão, de 2013. Mas a carreira do diretor, negro e britânico, foi proporcional à qualidade de seus filmes: a história de Solomon Northup, contada em 12 Anos de Escravidão, arrebatou o público e a crítica e se tornou um dos maiores sucessos do ano. Mesmo não levando o Oscar de melhor diretor, o longa ganhou vários outros prêmios e fez com que McQueen se tornasse o primeiro cineasta negro a levar o prêmio de Melhor Filme.



6. Ava DuVernay


A diretora Ava DuVernay dirigiu em 2014 o filme Selma, sobre os bastidores do movimento negro nos Estados Unidos na década de 60, focando na marcha das cidades de Selma até Montgomery, momento fundamental na luta pelo direito de voto dos negros e nas barreiras quebradas com esforço por ativistas do movimento, liderados por Martin Luther King Jr. (David Oyelowo). O filme reverberou tanto por sua qualidade quanto por seus paralelos com a crise racial que os Estados Unidos enfrentam atualmente. Pelo filme, DuVernay se tornou a primeira mulher negra a ser indicada ao prêmio de Melhor Direção no Globo de Ouro, mas a Academia não foi tão convidativa: o longa recebeu indicações apenas para Melhor Filme e Melhor Canção Original.


Fonte: Revista SuperInteressante

Conheça o movimento Mamilo Livre

por Felipe Cotrim


Não estranhe se você se deparar com fotos de mamilos femininos e masculinos estampados em muros e postes da capital paulista. Trata-se do movimento Mamilo Livre, inspirado no internacional Free the Nipple. Idealizado pela psicóloga Letícia Bahia, autora do blog feminista Reflexões de uma lagarta, e pela fotógrafa Julia Rodrigues, autora do projeto ‘Pode Não Pode'; o propósito do movimento é questionar a censura do corpo feminino. Julia selecionou algumas fotos de seu projeto e as disponibilizou no site do movimento (traduzido em 14 línguas) para que pessoas de qualquer lugar do mundo possam imprimir e começar a participar da causa. Na cidade de São Paulo, já é possível encontrar as obras coladas pela Avenida Paulista, Rua Augusta, Largo da Batata, Minhocão, Sé, entre outras regiões.

“Nossa motivação é ver as pessoas questionarem essas normas criadas acerca do nosso corpo”, diz a fotógrafa. “Sabe o que eu achei engraçado esses dias? Minha avó viu o projeto e veio falar que sutiãs de bojo fizeram as mulheres esquecerem de seus mamilos e ficaram preconceituosas quando o bico do peito aparece na roupa, e que ela é sempre recriminada pelas amigas por andar por aí sem sutiã. Sei que a principio parece uma bobeira, mas isso diz muito sobre o como a imagem do seio feminino até para as próprias mulheres foi sendo limitada pela censura”.

Segundo um dos pontos do manifesto, “esconder ou exibir os mamilos deve ser escolha, não obrigação. Para qualquer pessoa, de qualquer sexo, raça ou religião e em qualquer idade”. Segundo Julia, “Um sonho, seria viver num momento em que o torso feminino não seja visto sempre como um espetáculo pornográfico digno de censura. Um mamilo é um mamilo, que nem os dos moços. Se eles podem, deveríamos poder também. Não é que eu queira sair por aí sem camisa, entende?”.

O site ensina o passo-a-passo para as pessoas que quiserem aderir ao movimento, e foi criado um Tumblr para serem postadas as fotos de suas colagens por aí.

Perguntada sobre até quando elas pretendem continuar com o projeto, Julia brinca: “Não vamos colocar uma meta, deixaremos em aberto e quando atingirmos ela, nós triplicaremos a meta”.

A psicóloga Letícia Bahia durante um dia de colagens (Foto: Divulgação)

A fotógrafa Julia Rodrigues, cola algumas imagens pela cidade (Foto: Divulgação)

(Foto: Divulgação)

(Foto: Divulgação)

(Foto: Divulgação)

(Foto: Divulgação)


Fonte: Elást!ica

5 episódios com armas químicas que entraram para a história

Por Darllam Cruz


Em 2013, um atentado que matou quase 1500 pessoas na Síria despertou o século 20 para um horror antigo: a utilização de armas químicas para aniquilar rapidamente um grande número de pessoas. O potencial de destruição das armas químicas preocupa tanto civis quanto líderes militares, que tentaram a todo custo banir o seu uso em situações de conflito. Veja como esses agentes químicos letais foram utilizados com o passar dos anos e as consequências desastrosas desses atos.


1. Primeira Guerra Mundial (1914-1919)


A Primeira Guerra Mundial também ficou conhecida como a “guerra dos químicos”, pois foi a primeira a introduzir gases venenosos e mortais no combate. Com uma forte indústria química que vinha do século XIX, a Guerra que durou de 1914 a 1918 teve várias experiências com esse novo instrumento letal. Em 1915, em Ypres, na Bélgica, a Alemanha abriu várias caixas de gás clorídrico na direção das tropas aliadas, condenando muitos a uma morte agonizante. Ao fim da guerra, o uso de armas químicas havia proliferado em ambos os lados – incluindo agentes como fosgênio, cianeto e gás mostarda, um agente químico que causa queimadura severa na pele, olhos e sistema respiratório e que é absorvido por inalação, ingestão ou contato com a pele e os olhos. Horrorizados com os efeitos e com o pavor gerado por esses ataques, em 1925 quinze países assinaram o Protocolo de Genebra, tratado que proibia o uso de armas químicas e bacteriológicas. O número de mortos nesses ataques ultrapassou os noventa mil e mais de um milhão ficaram feridos.


2. Alemanha Nazista (1933-1945)



A Alemanha liderada por Adolf Hitler enfrentou várias batalhas durante a Segunda Guerra Mundial, mas não era durante os conflitos armados em que o ditador fazia uso de armas químicas para fins de extermínio de população. Durante a guerra, milhões de judeus foram transportados para campos de extermínio, mais notadamente Auschwitz, na Polônia ocupada pelos nazistas. Os judeus eram sufocados em câmaras de gás usando Zyklon B, um pesticida a base de ácido cianídrico, cloro e nitrogênio criado pelos próprios alemães e utilizado por proporcionar eficientemente uma morte rápida. Aproximadamente seis milhões de judeus morreram no Holocausto, além de ciganos, homossexuais, deficientes e prisioneiros soviéticos.


3. Massacre de Halabja (1988)


O ataque químico em Halabja, no Curdistão Iraquiano,   que ficou conhecido também como Massacre de Halabja, ou Sexta-feira Sangrenta, ocorreu no dia 16 de maio de 1988. Durante o encerramento da Guerra Irã-Iraque, o regime de Saddam Hussein utilizou armas químicas para remover curdos de cerca de 40 vilas no norte do Iraque. No ataque foi utilizado gás mostarda e sarin, um líquido sem cor nem cheiro que causa extrema devastação no sistema nervoso, levando as pessoas expostas a perderem as funções corpóreas e, se não tratadas imediatamente, a entrarem em coma ou sofrer falência respiratória. No ataque indiscriminado, homens, mulheres e crianças sufocaram até a morte. A atrocidade impulsionou a criação da Convenção das Armas Químicas das Nações Unidas em 1997, um pacto internacional banindo a produção, estoque ou uso de armas químicas. Apenas sete nações – incluindo a Síria – não assinaram a lista. O massacre de Halabja deixou cerca de cinco mil mortos. O conflito militar entre Irã e Iraque teve várias vítimas de armas químicas a mais do que o ataque aos curdos. Hussein também utilizou gás mostarda e sarin contra o Irã para mudar a guerra a favor do Iraque e obrigar Teerã, capital da República Islâmica do Irã, a negociar. A treta continua: documentos recentes da CIA revelaram que os Estados Unidos sabiam do uso das armas químicas, mas decidiram não agir por medo de uma vitória iraniana. O total de mortos ultrapassou vinte mil pessoas.


4. Crise dos reféns em Dubrovka (2002)



Na noite do dia 23 de outubro, cerca de 800 pessoas estavam num teatro em Dubrovka, em Moscou, conferindo a apresentação de um musical. De repente, 42 militantes chechenos liderados por Movsar Barayev (foto) entraram armados no teatro e fizeram todos os presentes de refém. Eles seram membros de um grupo separatista da Chechênia, que, na época, estava em guerra com a Rússia. A reivindicação era pelo fim do conflito e pela retirada dos militares russos na região. O sequestro e a negociação dos chechenos com o governo russo durou mais de 48 horas e só acabou quando os russos soltaram um gás tóxico desconhecido no sistema de ventilação do teatro. Quase todos os militantes morreram. Como se não fosse o suficiente, mais de 100 reféns também foram vítimas do gás. O governo russo nunca revelou qual era o gás usado no ataque e a ação extrema foi bastante criticada na época. Há estimativas de que mais de 200 pessoas tenham morrido. Mas os detalhes sórdidos do caso foram guardados a sete chaves, como segredo de estado. Por isso, não dá para ter certeza. Desde 2002, muitas teorias surgiram sobre a substância. Uma das mais aceitas é que se tratava de um derivado do fentanil, um anestésico poderosíssimo, 100 vezes mais potente que a morfina, que pode fazer com que as pessoas simplesmente deixem de respirar.


5. Ataque Químico de Ghouta (2013)


No dia 21 de agosto de 2013, um ataque do governo sírio durante a Guerra Civil da Síria resultou em mais de 1500 mortes, sendo 426 delas crianças. Áreas controladas ou disputadas pela oposição nos arredores de Ghouta, próximo a Damasco, capital síria, foram atingidas por foguetes contendo sarin. As milhares de vítimas mortas no atentado não apresentavam feridas físicas. Em janeiro de 2015, foi confirmado pelo secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-Moon, que armas químicas foram usadas em grandes escala, o que resultou na morte de inúmeros civis. A ONU considerou o ataque um crime de guerra e uma violação grave – o pior uso de armas químicas em civis no século XXI, e o mais significativo desde Halabja.


Bônus: Guerra do Vietnã (1955-1975)


“Eu adoro o cheiro de napalm pela manhã. Tem cheiro de vitória”. A frase imortalizada pelo personagem Coronel Bill Kilgore no filme Apocalypse Now captura a brutalidade banal do massacre que os Estados Unidos promoveram em sua guerra contra o Vietnã do Norte entre 1965 e 1975. Milhões de litros de napalm incendiário foram utilizados para desfolhar as densas florestas nos quais os inimigos vietnamitas se escondiam. A substância gelatinosa pega fogo e se gruda ao corpo, queimando músculos e ossos, gerando feridas terríveis e morte. Os Estados Unidos também despejaram cinquenta milhões de litros de Agente Laranja, um herbicida químico extremamente forte, para destruir todas as plantas. Esses desfolhantes devastaram o habitat natural, e seus agentes infiltraram no solo e nas reservas de águas, levando a população a sofrer com vários problemas de saúde como câncer e síndromes neurológicas por gerações. Mais de um milhão de vidas foram tiradas nesse ataque, e mais de quatrocentos mil crianças vietnamitas nasceram vítimas de malformações congênitas. Mas, apesar do potencial destruidor, napalm não é exatamente uma arma química, pois precisa ser adicionado à gasolina para funcionar direitinho.



Fonte: Revista Superinteressante

Aspirina - Vem de uma flor, cura a dor, mas pode causar morte e pavor.

POR Laura Folgueira



 É a aspirina, o remédio mais conhecido do mundo




1. O buquê de noiva

A aspirina é o nome comercial do ácido acetilsalicílico (tente falar isso rápido), um derivado do ácido salicílico. A substância existe em uma flor muito usada em buquê de noivas, as do gênero Spiraea, e é comum em toda a Europa. Hipócrates, em 4 a.C., já tinha notado que ela diminuía a dor. Mas foi só em 1899 que o químico alemão Felix Hoffmann conseguiu uma fórmula estável do ácido.


2. O acaso

Hoffmann estava tentando achar algo que aliviasse o reumatismo de seu pai quando trombou com o ácido. Ele trabalhava com materiais de despejo em uma fábrica de corantes chamada Bayer. Sim, a Bayer só virou farmacêutica depois de registrar a patente da aspirina em 1900. Depois disso, resolveu investir em remédios (e lançou até a heroína, tirada do mercado em 1913).


3. O diluente de sangue

A aspirina inibe a ação das prostaglandinas, uma substância que age como um hormônio, que ajuda na coagulação sanguínea. (Por isso, a aspirina é proibida em caso de dengue hemorrágica: ela inibe a coagulação.) As prostaglandinas também são responsáveis por irritar os nervos e por enviar o sinal de dor ao cérebro.


4. A cura...

Um estudo de 2010, da Universidade de Oxford, descobriu que 1 dose diária de 75 mg (é pouco: 1 comprimido tem 500 mg) diminui o risco de morrer de câncer - qualquer um - em 20%! Outro uso clássico da aspirina é para proteger o coração de doenças, já que ela também impede a formação de coágulos. Mas...


5. ...E a morte

...Antes de começar a tomar, é bom saber que há estudos mais recentes que contestam o uso diário, já que a aspirina pode causar sangramentos. Estima-se que o uso indiscriminado de aspirina - e de outros anti-inflamatórios não esteroides - mate quase 8 mil pessoas por ano só nos EUA e no Canadá.


Fontes Bayer Health Care; Enciclopédia Britânica; Annals of Internal Medicine.


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