Dilma defende na Paraíba a democracia e o direito à manifestação

Marcelo Brandão - Repórter da Agência Brasil Edição: Armando Cardoso

A presidenta Dilma Rousseff discursou durante evento de promoção do Dialoga Brasil, novo canal de comunicação do governo com a populaçãoRoberto Stuckert Filho/PR
A presidenta da República, Dilma Rousseff, enalteceu hoje (4), em Campina Grande, na Paraíba, a democracia, que, segundo ela, permite o direito à manifestação, mesmo que seja contrária ao seu governo.

Durante discurso no evento de promoção do Dialoga Brasil, novo canal de comunicação do governo com a população na internet, a presidenta afirmou que o direito das pessoas se manifestarem, "mesmo contrário ao meu governo, é um direito sagrado, desde que sem violência".

"Nós sabemos que o preço da intolerância é a divisão, transformar o outro em um inimigo”, acrescentou Dilma às vésperas do desfile cívico-militar de 7 de setembro, quando são esperadas manifestações contra o governo. “Na minha época, se manifestar de forma clara contra o governo dava cadeia, quando não dava coisa pior. Portanto, essa conquista preservaremos a todo custo, com imprensa livre e manifestação de opinião. Isso Interessa a esse país”, disse.

No discurso, Dilma também citou o Bolsa Família e o Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (Pronatec) como exemplos de que o governo está trabalhando para dar igualdade de oportunidades a todos, apesar das “eventuais falhas” de gestão.

“Acho que a principal característica do governo, em que pese nossas eventuais falhas, foi olhar para o povo desse país e perceber que somos diferentes uns dos outros, mas temos de ter as mesmas oportunidades. É isso que caracteriza o meu governo. A oportunidade social e o direito das regiões.”

Em um momento de descontração, Dilma respondeu a várias pessoas da plateia que insistiam em levantar cartazes para ela durante o discurso. Com bom humor, a presidenta interrompeu e pediu para abaixarem os cartazes por um motivo simples: ela não enxergava nada. “Não adianta levantar papel, eu não enxergo à noite. Sou cega que nem uma coruja. Se bem que não sei se a coruja enxerga bem ou não."

A Paraíba foi o quinto estado a receber Dilma e ministros para o lançamento do Dialoga Brasil. O governo já havia lançado o programa em Brasília, na Bahia, em Pernambuco e no Ceará. O site foi criado para estimular a participação digital nas atividades governamentais. As pessoas podem opinar sobre políticas públicas existentes e propor outras iniciativas. Uma das novidades é que a população poderá conversar com os ministros, em bate-papo online, pelo site da plataforma.



Programa apoia apresentações no país de 83 espetáculos teatrais

Alana Gandra - Repórter da Agência Brasil Edição: Aécio Amado

Oitenta e três espetáculos teatrais foram selecionados pelo Programa Petrobras Distribuidora de Cultura (PDCC) para circulação em todo o país. O anúncio foi feito hoje (4), no Rio de Janeiro, durante evento na sede da BR Distribuidora, subsidiária da Petrobras, cujo programa tem a parceria do Ministério da Cultura.

Os 67 projetos selecionados na categoria adulto e os 16 na categoria infantojuvenil receberão R$ 15 milhões para o biênio 2015/2016. Segundo informou a assessoria da BR Distribuidora, as apresentações ocorrerão em 119 municípios, sempre franqueadas ao público ou com preços populares.

O secretário de Fomento e Incentivo à Cultura do Ministério da Cultura, Carlos Paiva, disse que na medida em que as empresas fazem seleções públicas para definir a aplicação de recursos de incentivo fiscal, elas “qualificam os resultados dos mecanismos de fomento do Ministério da Cultura. O Programa Petrobras Distribuidora de Cultura insere critérios de mérito artístico-cultural diante de um panorama da rica produção teatral brasileira e resguarda princípios de descentralização dos recursos aplicados, avançando, a cada ano, no equilíbrio regional de seus resultados”.

O caráter inclusivo da edição 2015 do PDCC foi ressaltado pelo secretário. De acordo com ele, todas as apresentações oferecerão um meio de acessibilidade, como libras (linguagem brasileira de sinais) ou audiodescrição. Além disso, em todas as cidades, haverá encontros com grupos locais, visando proporcionar o intercâmbio de linguagens e práticas cênicas. "Além de potencializar o intercâmbio artístico, o programa, nesta edição, destaca a necessidade de medidas de acessibilidade, tema ainda periférico nas produções teatrais”, disse Carlos Paiva.

O programa objetiva apoiar projetos teatrais não inéditos que tenham relevância no cenário cultural do país. Nesta edição, ele recebeu 635 inscrições de 22 estados, registrando aumento de 42% em relação à seleção anterior.

No período compreendido entre 2009 e 2014, a BR viabilizou a circulação de 160 espetáculos teatrais, totalizando mais de duas mil apresentações em todos os estados. O público beneficiado superou 500 mil pessoas, informou a estatal.


Senadores dizem concordar com declarações de Temer sobre popularidade do governo

Mariana Jungmann – Repórter da Agência Brasil Edição: Maria Claudia

O senador Romero Jucá (PMDB-RR) disse hoje (4) que todos os políticos concordam com as declarações de ontem (3) do vice-presidente Michel Temer, de que nenhum governo resiste a três anos e meio de mandato com índice tão baixo de popularidade como o atual.

“A declaração do vice-presidente Michel Temer é verdadeira. Todos os políticos avaliam dessa maneira. Agora, é preciso pegar a declaração inteira. O presidente diz que dessa forma não pode continuar, vai ter muita dificuldade, mas diz também que o governo precisa fazer um esforço no sentido de melhorar a economia para recuperar a popularidade. Ele aponta um direção”, afirmou Jucá, ex-líder do governo no Senado.

Na avaliação do senador, a crise econômica está piorando e deve começar a se refletir mais fortemente na perda do emprego. Por isso, segundo Jucá, o governo precisa agir e fazer reformas estruturais que permitam sair dessa situação. “O governo tem que agir. A economia está paralisada, o governo não consegue dar segurança jurídica, não tem a credibilidade necessária para os agentes econômicos investirem. O governo não consegue também sinalizar a previsibilidade da economia e não consegue mostrar qual a saída no fim do túnel. Com isso, os agentes econômicos travaram, cada um faz na sua cabeça o pior cenário econômico, e isso faz com que as pessoas fiquem mais conservadoras”, disse.

Assim como Jucá, o senador oposicionista José Agripino Maia (DEM-GO) concordou com as declarações de Temer que, segundo ele, é um “homem experimentado em política”. “Ele sabe que popularidade você só recupera com qualidade de governo e credibilidade. Ele sabe que Dilma, além de perder os dois, ainda convive com a improbidade. Então, a declaração que ele deu é a declaração de um vice-presidente que conhece a intimidade do governo e que declara coisas que, para o governo, são perigosas e comprometedoras”, disse.

O líder do DEM, senador Ronaldo Caiado (GO), considerou “óbvia” a declaração do vice-presidente e indagou o que o partido de Temer pode fazer diante da situação. “O que o PMDB vai fazer diante disso? Ocupar cargos no governo, usar a Presidência do Senado para alongar a crise? Não é possível Temer ficar numa posição cômoda, uma hora dizer que é preciso alguém para reunificar [o país] e outra falar o que o Brasil já sabe. É igual ao médico não tratar e só dizer ao paciente com dor que, se continuar assim, ele vai morrer. É preciso fazer algo além do jogo de cena”, afirmou.

As declarações de Michel Temer foram feitas ao participar de um debate promovido pelo Movimento Política Viva, na noite de quinta-feira (3), em São Paulo.

Bolívia critica "falta de resposta" do Brasil sobre caso Pinto Molina

Marcelo Brandão – Repórter da Agência Brasil Edição: Maria Claudia

O governo boliviano criticou ontem (3), em nota oficial, a “falta de resposta oficial” do governo brasileiro no episódio envolvendo o ex-senador boliviano Roger Pinto Molina, que fugiu para o Brasil em 2013. Na nota, o Ministério das Relações Exteriores da Bolívia relembrou o caso, citando a fuga de Molina com auxílio de “funcionários diplomáticos brasileiros”, referindo-se à participação do diplomata Eduardo Saboia no caso.

“O Ministério das Relações Exteriores do Estado Plurinacional da Bolívia lamenta a falta de resposta oficial do governo brasileiro às várias solicitações formais apresentadas como emergência da entrada do senhor Roger Pinto Molina à sede da embaixada daquele país na cidade de La Paz, pedindo asilo diplomático; a facilitação de sua fuga para o território brasileiro em cumplicidade com funcionários diplomáticos brasileiros [...]”. Procurado, o Itamaraty não se manifestou a respeito da nota do governo boliviano.

O governo boliviano citou ainda o Comitê Nacional para Refugiados (Conare), do Ministério da Justiça. A nota critica a apreciação do pedido de refúgio por parte do Conare, ressaltando que Molina responde a “vários processos penais” por crimes de corrupção pública. Diz ainda que o Conare já teria concedido refúgio à Molina, conforme “noticiado por meios de comunicação”. A assessoria do Ministério da Justiça, no entanto, não confirmou a concessão de refúgio a Molina até o fechamento desta reportagem.

Em agosto de 2013, dois meses após assumir como encarregado de negócios (substituto temporário do embaixador) na Bolívia, e reiterar ao Itamaraty as dificuldades vividas por Pinto Molina, Saboia, com mais de 20 anos de carreira, decidiu organizar a saída do senador, opositor do presidente Evo Morales.

Antes de sua ida ao Brasil, o então senador chegou a ficar 455 dias abrigado na Embaixada do Brasil, em La Paz. Cerca de 22 horas depois de sair da capital boliviana, em um carro da embaixada brasileira, escoltado por fuzileiros navais, Pinto Molina chegou a Corumbá, em Mato Grosso do Sul, na fronteira com a Bolívia, no dia 24 de agosto, de onde viajou para Brasília.

Na época, o atual ministro de segunda classe do Itamaraty defendeu-se, afirmando que esteve duas vezes em Brasília e  informou a seus superiores que Molina sofria de depressão e estava com problemas renais. Saboia disse que pediu para deixar o posto em La Paz e ser transferido para outro país ou voltar para o Brasil. O salvo-conduto para o senador deixar a Bolívia era negado pelas autoridades bolivianas, sob a alegação de que o parlamentar respondia a processos judiciais no país, por suspeita de corrupção.

A repercussão do caso acabou levando a presidenta Dilma Rousseff a substituir, poucos dias depois, o então chanceler Antonio Patriota por Luiz Alberto Figueiredo, que, à época, era o representante do Brasil na Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova York. Quase dois anos depois da entrada no país, Pinto Molina continua vivendo em Brasília.



Ativista argentina diz que não há mais espaço para ditaduras no continente

Vladimir Platonow - Repórter Agência Brasil Edição: Armando Cardoso

A ativista dos direitos humanos argentina Estela de Carlotto, presidenta do grupo Avós da Praça de Maio, repudiou a possibilidade da volta de militares ao poder na América Latina, como pregam alguns grupos durante manifestações de rua no Brasil e em outros países do continente.

A ativista argentina Estela de Carlotto participa de debate sobre direitos humanos na Bienal do Livro do Rio de JaneiroVladimir Platonow/Agência Brasil
“[Não há mais espaço], de nenhuma maneira. Os países da América Latina não devem ter mais governos de poder ilícito e de força tirânica. Acredito que estamos preparados para nos defender”, afirmou Estela, que, aos 84 anos, finalmente conseguiu reencontrar, no ano passado, seu neto.

A comprovação foi possível por meio de exames de DNA. Quando bebê, ele havia sido tirado da filha Laura. Ela estava grávida ao ser presa e, posteriormente, foi morta no cárcere pela ditadura argentina, em 1978.

Na quinta-feira (3), Estela participou de um debate sobre direitos humanos e direito à verdade, ao lado do embaixador argentino no Brasil, Luis María Kreckler, e da ativista dos direitos humanos brasileira Nadine Borges. A conversa ocorreu no estande da Argentina, país homenageado este ano na Bienal do Livro, no Centro de Convenções Riocentro.

Presidenta desde 1989 das Avós da Praça de Maio, grupo formado por mulheres que buscam até hoje os netos roubados pela ditadura, Estela classificou como maus cidadãos as pessoas que defendem a volta dos militares ao poder ou a interrupção de mandatos democraticamente eleitos.

“Assim também ocorre na Argentina, mas não devem ser muitas pessoas. Devem ser más pessoas. Elas dizem que estavam melhor em uma ditadura, com um governo de força e não democrático. Nós sabemos quem são os que buscam voltar a um passado sinistro. Talvez precisemos lembrar a essas pessoas o que ocorreu, porque podem ter perdido a memória. É injusto e ilegal que se retire um governo eleito pelo povo.”

Informações sobre as Avós da Praça de Maio podem ser obtidas na página do grupo na internet. Até hoje, elas conseguiram recuperar a identidade de 117 pessoas, recém-nascidos que eram tirados à força dos pais, torturados e mortos em cativeiro, e dados para adoção, muitas vezes para famílias ligadas à ditadura.




Incidência de raios no Brasil já pode ser prevista com 24 horas de antecedência

Maiana Diniz - Repórter da Agência Brasil Edição: Armando Cardoso

No próximo verão, as informações do sistema estarão disponíveis para os meios de comunicaçãoMarcello Casal Jr/Agência Brasil
Um serviço inédito de previsão de raios foi lançado  hoje (4) pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), em São José dos Campos, São Paulo, durante cerimônia de comemoração dos 54 anos do Intituto. O sistema permite prever a incidência de descargas atmosféricas com 24 horas de antecedência.

De acordo com o INPE, a partir do próximo verão as informações do sistema estarão disponíveis para os veículos de comunicação, como já ocorre com a previsão do tempo.

O sistema foi desenvolvido por uma equipe multidisciplinar de físicos, matemáticos, geógrafos, engenheiros e técnicos de computação do Grupo de Eletricidade Atmosférica (ELAT), vincualdo ao INPE. O coordenador do ELAT, Osmar Pinto Junior, informou que o objetivo do serviço é evitar mortes e acidentes causados por raios.

“Hoje temos cerca de 120 mortes por ano e 500 pessoas feridas, ou seja, 620 pessoas são atingidas por ano no Brasil. A proposta é que a divulgação da previsão permita que as pessoas se organizem para evitar acidentes.”

O Brasil é o país com maior incidência de raios no mundo. “São entre 50 e 60 milhões de descargas por ano, com maior volume no verão”, disse Osmar. Segundo ele, todas as regiões do país têm áreas com alta incidência de raios, como a parte oeste dos estados da Região Sul e a área da Grande São Paulo, no Sudeste, e o estado do Piauí, no Nordeste.

O coordenador do ELAT acrescentou que a previsão funciona a partir de programas de computador que medem dados que indicam o comportamento atmosférico. “É um processo parecido com o da previsão do tempo. Nesse caso, identificamos as variáveis que influenciam a formação dos raios.”

Para saber onde ocorrerão raios, o sistema compara informações da Rede Brasileira de Detecção de Descargas Atmosféricas sobre vento, temperatura, umidade e concentração de gelo em diferentes alturas na atmosfera, dentro das nuvens e no solo.






Fotos de animais ameaçados de extinção no Brasil

Por: Fábio Paschoal

Saiba quais espécies brasileiras correm risco de extinção, como a onça-pintada, o maior felino das Américas, e a pequenina ararinha-azul


A onça-pintada é o maior felino das Américas. Possui um papel importante no ecossistema: seleciona indivíduos inexperientes, machucados, doentes ou mais velhos o que acaba resultando em benefício para a própria população de presas. Infelizmente, fazendeiros abatem o felino para proteger seus rebanhos. No Pantanal, o Projeto Onçafari tenta salvar a espécie através do ecoturismo, mostrando que a onça pode ter mais valor se permanecer viva.
O Brasil é o país com maior biodiversidade de espécies no mundo, junto da Indonésia. Nosso país conta com a Amazônia, o Cerrado, o Pantanal, a Caatinga, a Mata Atlântica e os Pampas. Esses seis biomas, tão diferentes, oferecem habitats distintos e permitiram o surgimento de novas espécies durante a evolução.

No entanto, a Mata Atlântica já perdeu mais de 90% de sua área original, o Cerrado cede espaço para a soja e para a cana-de-açúcar. Na Amazônia uma área equivalente ao estado do Sergipe é desmatada a cada ano e a Caatinga e o Pantanal sofrem modificações em sua paisagem.

O soldadinho-do-araripe vive na Caatinga. É a ave mais ameaçada da família dos dançarinos (Pipridae), aves que se alimentam basicamente de frutos e possuem uma corte muito elaborada. Os machos exibem cores vistosas enquanto as fêmeas possuem cores discretas. O desmatamento para a plantação de monoculturas e criação de gado e o crescimento urbano desordenado são os principais problemas enfrentados pela espécie.
Muitas espécies sentem essa perda de habitat e algumas acabam extintas. Assim, o Ministério do Meio Ambiente em parceria com a Fundação Biodiversitas elaborou o Livro Vermelho da Fauna Brasileira Ameaçada de Extinção, lançado em 2008, que lista 627 espécies brasileiras ameaçadas de extinção, com base nos critérios utilizados pela União Internacional para a Conservação da Natureza, na sigla em inglês IUCN.

A maior tartaruga marinha do mundo pode pesar até 1000 quilos. Possui uma carapaça revestida de tecido coriácio, característica que lhe rendeu o nome de tartaruga-de-couro. A coleta de ovos é a principal ameaça ao réptil. Embora projetos de conservação protejam ovos e mães de caçadores ilegais, a pesca acidental e o comércio legal de sua carne e óleo em alguns países mantém a espécie em risco de extinção.
Segundo o Livro Vermelho da Fauna Brasileira Ameaçada de Extinção, 13% dos anfíbios, 10% dos mamíferos, 17,8% das borboletas, 19% das plantas e 21% dos peixes do mundo se encontram aqui.

Em 2009 começou um novo mapeamento da fauna brasileira para elaboração da Lista de Espécies da Fauna Brasileira Ameaçadas de Extinção. 1 383 especialistas da comunidade científica se envolveram no processo de estudo de 12 256 espécies e utilizaram s critérios da IUCN (União Internacional para a Conservação da Natureza, na sigla em inglês).

Escalador e saltador ágil, o gato-maracajá é muito bem adaptado à vida nas árvores das florestas, onde ficam suas principais presas. Possui uma cauda longa que serve de contra peso quando pula de galho em galho, garras grandes que melhoram a aderência em troncos e pode saltar 2,5 metros para cima em um único impulso. Foi muito caçado por sua pele nas décadas de 1960 e 1970, mas o desmatamento e a perda de habitat são as maiores ameaças à espécie nos dias de hoje.
Segundo o portal de notícias do ICMBio, a baleia-jubarte (Megaptera novaeangliae) e a arara-azul (Anodorhynchus hyacinthinus), que tiveram suas populações recuperadas, foram algumas das 170 espécies (14 mamíferos, 23 aves, 2 répteis, 45 invertebrados terrestres, 82 peixes e invertebrados aquáticos) que saíram da categoria de animais ameaçados de extinção. No entanto, a nova lista possui 1 173 animais ameaçados divididos em três categorias: Criticamente em Perigo (CR), Em Perigo (EN) e Vulnerável (VU)

A estimativa é que existam cerca de 1,8 milhão de espécies no Brasil, mas somente 10% são conhecidas pela ciência. A taxa de descrição de novas espécies brasileiras é de cerca de 1500 por ano.

A saíra-militar, também conhecida como pintor, se alimenta de frutos, insetos e néctar enquanto pula de um galho para o outro, colorindo a copa das árvores. É encontrada na Mata Atlântica e em populações isoladas na Caatinga.
Hoje, reservas e projetos de conservação lutam para a preservação de alguns animais ameaçados de extinção no Brasil. Mas ações menos pontuais, como o investimento em recursos renováveis, ajudaria a salvar essas espécies que têm direito à vida tanto quanto nós.

O maior primata das Américas só é encontrado na Mata Atlântica. O muriqui se alimenta de frutos, atua como dispersor de sementes de diferentes espécies de plantas e é essencial para manter a diversidade da floresta. Infelizmente o desmatamento e a caça por esporte ou alimento fazem com que a população da espécie siga diminuindo.
Quando o inverno começa a chegar, as baleias-francas-do-sul  iniciam sua migração para lugares mais quentes e rasos, onde darão a luz a filhotes longe dos predadores que espreitam em águas profundas. Em julho são avistadas as primeiras baleias no litoral brasileiro. A caça, colisões com embarcações, aprisionamento em redes de pesca, alteração do hábitat e poluição são os principais problemas enfrentados pela espécie.
Com máscara preta, olhos vermelhos, coroa azul e corpo verde, o udu-de-coroa-azul é uma das aves que se destacam na floresta. Sua cauda também chama a atenção por apresentar penas que perderam parte das franjas laterais, formando uma espécie de leque que a ave balança de um lado para o outro quando se sente observada. Possui uma distribuição grande no Brasil, sendo encontrado na Amazônia, Pantanal e Mata Atlântica. Porém, a subespécie encontrada no Nordeste sofre com a perda de habitat
Conhecidas como lobos dos rios, as ariranhas nadam em bandos de até 16 indivíduos na Amazônia e no Pantanal. O casal dominante e seus descendentes, dos dois ou três últimos anos, aprisionam peixes nas margens em uma ação coordenada. Os mais velhos dividem o alimento com os mais jovens. Porém, a pesca predatória vem reduzindo o número de suas presas. A contaminação por mercúrio proveniente da mineração e a caça ilegal são outros problemas enfrentados pela espécie.
Adornada com penas verdes e amarelas, a ararajuba é uma ave encontrada somente na Amazônia Brasileira. Infelizmente, sua beleza atraiu traficantes que as retiravam da natureza para vender como animais de estimação. Hoje existem criadouros autorizadoque podem vender os animais legalmente, mas o desmatamento ainda continua sendo uma ameaça.
O maior cervídeo da América do Sul, o cervo-do-pantal, é encontrado na Amazônia, Cerrado e na planície pantaneira. Vive próximo de áreas pantanosas e possui membranas entre os cascos que evitam que o animal afunde na lama e auxiliam na natação. A caça ilegal e a conversão de áreas alagáveis para a agricultura são as ameaças enfrentadas pela espécie
As tartaruga marinhas desovam no litoral brasileiro de setembro a março. As mães voltam às praias onde nasceram para cavar um buraco e colocar seus ovos. Assim que nascem, os filhotes começam sua jornada em direção ao oceano, mas, infelizmente, só uma pequena parcela conseguirá chegar à vida adulta. No caso da tartaruga-oliva, a coleta de ovos, a caça ilegal, a pesca acidental e a degradação e transformação das praias são as principais ameaças.
O desmatamento, a fragmentação do habitat e o tráfico de animais silvestres quase levaram o mico-leão-dourado à extinção. Porém, a Associação Mico Leão Dourado começou um programa de reprodução em cativeiro e reintrodução dos primatas na natureza. Aliado com um projeto de restauração do habitat a espécie acabou se adaptando bem à florestas degradadas e matas secundárias. Hoje, a população de aproximadamente mil indivíduos se mantém estável, em pequenas manchas de Mata Atlântica, mas possibilidade de crescimento é pequena.
O lobo-guará é um animal muito bem adaptado ao Cerrado, mas também é encontrado no Pantanal e nos Pampas. Sua cor avermelhada confunde-se com a grama seca e o deixa muito bem camuflado, as longas pernas lhe permitem enxergar acima da vegetação alta e as orelhas são responsáveis pela identificação da direção do som de uma possível presa. A grande ameaça vem do desmatamento para a criação de plantações de soja. Atropelamento nas estradas e a competição com animais domésticos também causam a diminuição da população.
Restrito aos estados de Mato Grosso e do Pará, o macaco-aranha-de-cara-branca enfrenta o desmatamento, especialmente no norte do Mato Grosso, na região do arco do desmatamento, onde grandes áreas estão sendo estabelecidas para a plantação de soja. Seu habitat é cortado por grandes estradas, como a Transamazônica. As populações acabam ficando isoladas, já que é muito raro um macaco-aranha andar pelo chão. 
O desmatamento, a falta de cavidades para reprodução, a coleta de ovos e de filhotes para tráfico e a caça para a fabricação de artefatos para serem vendidos aos turistas são as ameaças enfrentadas pela arara-azul. Graças aos esforços do Projeto Arara Azul, localizado no Pantanal – que instalou ninhos artificiais e começou um trabalho de educação ambiental com a comunidade local – a população da espécie aumentou mais de quatro vezes em 20 anos. Na Amazônia e na região das “Gerais” (Maranhão, Bahia, Piauí, Tocantins e Goiás), onde o projeto não atua, as populações permanecem estáveis.
O uacari é branco possui uma cara vermelha. Segundo os locais, se parece com um turista britânico que passou muitas horas expondo o rosto no sol forte. Essa peculiaridade lhe rendeu o apelido de macaco-inglês. É um primata especializado às condições da mata de várzea do Rio Solimões, na Amazônia. Acredita-se que toda a população esteja restrita à Reserva de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá (REDESM).
A cauda aberta em leque é usada pelo galito na época de reprodução. A ave, típica do Cerrado, sofre com o desmatamento para a criação de plantações de monoculturas e pasto para o gado.
Quando o tamanduá-bandeira vai dormir se cobre com a cauda, que funciona como um cobertor. Ela também fornece camuflagem, pois o animal fica parecido com um arbusto seco. A mãe carrega o filhote nas costas para protegê-lo contra predadores. Apesar de ser encontrado em quase todos os biomas do Brasil (Amazônia, Cerrado, Mata Atlântica e Pantanal), o desmatamento, o atropelamento nas estradas, a competição com animais domésticos e incêndios fazem com que a população da espécie siga diminuindo.
Quando o tatu-bola se sente ameaçado curva as costas, coloca a cauda ao lado da cabeça e se fecha em uma esfera de proteção. Seria difícil achar melhor mascote para a Copa do Mundo de 2014 do que um bicho que se transforma em bola e só existe no Brasil. A ONG Associação Caatinga, responsável pela campanha da mascote, espera chamar a atenção para o animal – que está ameaçado de extinção – e, a partir daí, conseguir mais apoio para preservar o habitat em que vive. Com isso, outras espécies do Cerrado e da Caatinga seriam beneficiadas.
A última ararinha-azul que pintou o céu da Caatinga foi avistada no ano 2000. Hoje, cerca de 60 indivíduos restam espalhados em zoológicos e coleções particulares, a maioria fora do Brasil. Programas de reprodução em cativeiro e reintrodução da espécie ao habitat natural tentam salvar a ave da extinção.
 Fonte: NATIONAL GEOGRAPHIC BRASIL

Arqueologia em São Paulo: cidade oculta

  Por: Ronaldo Ribeiro
Todos os dias, sem que ninguém perceba, arqueólogos escavam camadas da história de São Paulo. Eles podem encontrar peças de uso doméstico de décadas atrás. Ou revelar segredos de um imperador.
Foto: Maurício de Paiva
Uma tomografia revelou que dona Amélia foi enterrada toda de preto e com um crucifixo nas mãos. Uma das hipóteses é a de que guardou luto por dom Pedro até morrer, aos 60 anos, em 1873
« Papéis de parede - Arqueologia e paleontologia
Em meio ao frenesi diário de uma cidade como São Paulo, um evento que pode mudar a história do país talvez esteja ocorrendo bem perto de nós. Agora. Sem que seja anunciado. Sem que se possa distingui-lo.

Na véspera do feriado da Páscoa de 2012, o caos do trânsito materializou-se logo no começo da tarde no bairro do Ipiranga, sobretudo ao redor da praça que circunda o monumento erguido nas imediações do riacho em que, em 1822, dom Pedro I proclamou a independência do Brasil. Pouca gente sabe, mas o imperador ainda está lá, uns 10 metros abaixo da rua, em um mausoléu de paredes de mármore negro, e repousa ao lado de suas duas esposas, Leopoldina de Habsburgo e Amélia de Beauharnais-Leuchtenberg. A cripta imperial está fechada para uma importante solenidade. Passa das 15 horas quando dois padres carmelitas começam a rezar o Pai-Nosso em latim, diante de cientistas e representantes da família real. Os restos de dom Pedro, pela primeira vez em 180 anos, serão exumados.

O corpo está envolvido em três ataúdes. O externo, de pinho, tem alças de prata com desenhos de dragões, espadas e os brasões de Brasil e Portugal – sinal da ideologia de 1972, alguém logo argumenta na sala, ano em que foi enviado para cá por causa da afinidade entre as ditaduras militares dos dois países. Dentro dele, uma urna de chumbo amassada e, além, o caixão, de madeira rudimentar, que encerra a ossada. Muitas pessoas usam máscara para evitar a inalação de fungos. Quando o último ataúde é enfim aberto, dom Pedro ressurge no Brasil em uma versão sem retoque nem distinção. Sem glamour. O esqueleto tem a nuca fora de lugar e a cabeça voltada para a direita. Um buraco na base do crânio atesta um procedimento feito após a morte, em 1834, para a retirada do cérebro. Os presentes observam, um de cada vez, estupefatos. Sou convidado a dar uma espiada. Boa parte dos ossos está submersa em montanha de cinza e tecidos decompostos, e me parecem uma mistura insólita de cascas de árvore cobertas por açúcar de confeiteiro.

A máscara me sufoca, e preciso sair para respirar. Na rua, São Paulo segue indiferente: um skatista quase me atropela assim que piso do lado de fora do monumento. Adolescentes jogam bola na praça ou papeiam ao celular diante da imagem em bronze do imperador em seu cavalo ao empunhar a espada e gritar pela independência. A vida flui leve nessa tarde pré-feriado. Ele ficaria feliz ao vislumbrar, quase dois séculos depois, o país que, em um gesto, ajudou a criar.

Na cripta, sua memória começa a ser resgatada. A emoção toma conta do ambiente. Valdirene do Carmo Ambiel, a historiadora e arqueóloga que coordena a cerimônia como uma anfitriã do nobre português, pede a palavra. “Dom Pedro I foi o maior dos Bragança. Formou um país, foi pai excelente e militar exemplar”, diz. “Agora, finalmente, ele está em casa. E vamos cuidar dele.”

Foto: Maurício de Paiva
SÃO PAULO NÃO É ROMA, cheia de catacumbas milenares, nem Paris, com sua rede de galerias subterrâneas, muito menos Cairo, no Egito dos faraós. Mas, aos poucos, a maior metrópole do hemisfério Sul descobre uma conexão com seu subsolo, em uma atividade que começa a lançar luz sobre episódios, personagens e lugares obscuros. Os arqueólogos estão por aí. Dentro da cripta imperial, buscando entender a história oficial em uma investigação com técnicas forenses. Na rua, levantando os hábitos domésticos das famílias que viviam em um terreno antes do início de grandes obras. Ou escavando surpreendentes sítios pré-históricos – um deles com vestígios de milhares de anos no luxuoso bairro do Morumbi.

A nova arqueologia urbana desfaz uma caricatura. “A matéria-prima da atividade, na maior parte das vezes, são os objetos. Por isso, tanto se pode encontrar o arqueólogo no interior da Caatinga e da Amazônia quanto na zona urbana, pesquisando uma rede de drenagem de esgoto”, define Paulo Zanettini, um dos mais experientes do mercado. “Nosso trabalho é identificar algo que não está mais visível. Expor aquilo que o tempo encobriu”, diz. “Longe das figuras de Indiana Jones ou Tomb Raider, que buscam cidades perdidas ou tesouros que levarão a museus, o que nos interessa é saber como a sociedade era, e como se transformou. Lidamos com objetos do cotidiano, que explicam como as pessoas comiam, dormiam, educavam os filhos. É o resto da cama, do botão da roupa, do prato onde comeu.”

“Na cidade, a camada de asfalto é, em tese, a última de um grande e despercebido sítio”, explica Rafael de Abreu e Souza, enquanto caminha a meu lado, diante do mais bem-acabado retrato das transformações paulistanas que alimentam o trabalho de arqueólogos como ele. Olhamos para o alto. O teto de um vão livre de 40 metros de largura reflete, em espelhos azulados a 20 metros do chão, uma modesta casinha colonial do século 18 agora integrada ao jardim de um novo espigão empresarial na avenida Faria Lima, no bairro do Itaim. A cena intriga pedestres ou motoristas, e é um elo entre dois mundos. Enquanto um exército de operários finaliza o acabamento desse monumento ao futuro, um punhado de jovens empunha pás, espátulas e peneiras para garimpar no solo resquícios de ocupações do lugar.

No coração de uma área nobre, o terreno por duas vezes foi negociado por valores recordes – a última, em 2011, envolveu 600 milhões de reais, na maior transação do tipo registrada no município. O empreendimento que se ergueu ali faz jus aos valores: o edifício Pátio Bandeiras possui duas torres de 19 andares interligadas por outra de 11 pavimentos, as três alinhadas na cobertura por uma laje de 5 mil metros quadrados. Abriga a sede do Google e de bancos de investimentos e é o mais caro endereço comercial do país.

Sob essa riqueza contemporânea, está o passado da cidade. O sítio do Itaim figura como um dos bens tombados na lista de “casas velhas” arroladas pelo poeta Mário de Andrade em suas andanças pelo estado de São Paulo, em 1937, incumbido pelo recém-criado Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) de determinar imóveis que exigiam tombamento. Muitas dessas moradias rurais do período colonial acabaram consagradas depois como “casas bandeiristas”, ou dos bandeirantes, apesar de nem sempre registrarem a presença desses exploradores cuja mentalidade empreendedora e expansionista ficou associada à identidade paulista. (Um deles, Afonso Sardinha, que minerava ouro em cavas aos pés do pico do Jaraguá, ponto culminante da cidade, era dono da fazenda Ybiatá, onde hoje estão instaladas a Cidade Universitária e o Instituto Butantã.) Foram construídas do século 16 ao 18 com a técnica da taipa de pilão, na qual as paredes são compostas de barro socado entre duas superfícies de madeira. Também estavam sempre próximas a fontes de água, em terrenos elevados e com a frente voltada para o norte. Os tijolos tradicionais, apesar de produzidos desde o século 17, só predominariam 200 anos depois; com a riqueza do ciclo do café e a chegada dos imigrantes, a taipa foi substituída por uma arquitetura de feições europeias.


Fonte: NATIONAL GEOGRAPHIC BRASIL

Mudanças climáticas causam alterações no comportamento de beija-flores

por Elton Alisson - Agência FAPESP

O aumento da temperatura causa a diminuição da taxa metabólica das aves. Elas passam a voar menos e diminuem a procura por néctar em flores

 
As mudanças climáticas podem causar a diminuição da atividade de voo de beija-flores e, consequentemente, da polinização de vegetais por esse grupo de aves.

A constatação é de um estudo realizado por pesquisadores da Universidade de Taubaté (Unitau), em colaboração com colegas do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), da Escola de Engenharia de Lorena da Universidade de São Paulo (EEL-USP) e da University of Toronto Scarborough, do Canadá, durante o Projeto Temático “Assessment of impacts and vulnerability to climate change in Brazil and strategies for adaptation option”, realizado com apoio da FAPESP no âmbito de um acordo com o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

“Observamos que o aumento da temperatura causa a diminuição da taxa metabólica de beija-flores [a quantidade de oxigênio consumido necessário para produzir energia]. Com isso, cai a frequência de batimentos de asa das aves e, consequentemente, elas passam a voar menos e diminuem a procura por néctar em flores”, disse Maria Cecília Barbosa de Toledo, professora do Departamento de Biologia da Unitau e coordenadora do projeto, à Agência FAPESP.

Os pesquisadores estudaram oito espécies de beija-flor encontradas em diferentes níveis de altitude no Vale do Paraíba, no interior de São Paulo.

Duas das espécies são de baixa altitude – o beija-flor-rajado (Ramphodon naevius) e o topetinho-verde (Lophornis chalybeus) –, outras duas são de alta altitude – o beija-flor-de-topete (Stephanoxis lalandi) e o beija-flor de papo branco (Leucochloris albicollis) –, três ocorrem ao longo de todo o gradiente elevacional do Vale do Paraíba – o beija-flor de fronte violeta (Thalurania glaucopis), beija-flor rubi (Clytolaema rubricauda) e beija-flor de garganta verde (Amazilia fimbriata) – e a última – o beija-flor preto (Florisuga fusca) – é migratória.

O grupo de aves foi escolhido porque apresenta uma alta taxa metabólica, relacionada com fatores ambientais, como temperatura e altitude.

“Estimávamos que as mudanças climáticas poderiam causar grandes impactos em espécies de beija-flor e que, por isso, podiam ser usadas como bioindicadoras”, disse Toledo.

A fim de simular os efeitos das variações climáticas nesses animais, os pesquisadores usaram como referência o gradiente climático altitudinal da região montanhosa do Vale do Paraíba, que varia de três metros – como os das cidades de Ubatuba e Caraguatatuba – a 1,8 mil metros de altitude, como o da cidade de Campos do Jordão.

Nessas regiões, com diferentes níveis de elevação altitudinal e temperatura variável entre 10 e 30 ºC, eles avaliaram a taxa metabólica em campo de beija-flores-rubi (Clytolaema rubricauda) – uma das três espécies de beija-flor que ocorrem ao longo de todo o gradiente altitudinal do Vale do Paraíba.

Para isso, usaram um sistema em que o beija-flor é capturado e colocado dentro de uma câmara com um alimentador, no alto do recinto – composto por um tubo plástico contendo uma solução de sacarose a 20% –, e um poleiro que serve de balança para indicar o peso do animal.

Para conseguir se alimentar da solução de sacarose, a ave precisava pairar no ar e inserir a cabeça dentro do tubo de plástico do alimentador, que funciona como uma máscara respiratória, com passagem de 2,5 mil mililitros (ml) de ar por minuto.

Ao pairar no ar e inserir a cabeça na máscara respiratória, os pesquisadores conseguiam analisar a temperatura, além do volume de oxigênio consumido e o total de dióxido de carbono produzido pela ave durante o voo pairado.

Dessa forma, conseguiram estimar as taxas metabólicas dos pássaros em diferentes temperaturas ao longo do gradiente altitudinal do Vale do Paraíba.

“Esse sistema possibilita avaliarmos a taxa metabólica de beija-flores em atividade, que é o dado mais importante para mensurarmos os efeitos das mudanças climáticas no metabolismo dessas aves”, explicou Toledo.

Menos voo

Uma das constatações dos experimentos foi que o aumento da temperatura diminui a taxa metabólica do beija-flor-rubi.

A taxa metabólica da ave foi maior em uma faixa de temperatura mais amena, entre 20.1 e 25 ºC, e menor sob temperaturas mais altas, entre 25.1 e 30 ºC, indicaram os experimentos.

Nessa faixa de temperatura mais elevada, o pássaro tende a diminuir a frequência de batimento de asas, procura mais sombra para permanecer em repouso e voa menos para manter seu metabolismo e diminuir o gasto energético, explicou Toledo.

“Essa mudança de comportamento pode causar a diminuição da polinização de vegetais por essas aves”, estimou a pesquisadora. “Os beija-flores passam a visitar menos as flores silvestres em busca de néctar e, consequentemente, deixam de transportar pólen de uma flor para outra”, completou.

Algumas espécies de beija-flor possuem preferências climáticas, apontou o estudo.

O beija-flor-rubi, por exemplo, apresenta maior ocorrência no Vale do Paraíba em regiões com temperatura na faixa de 20 º a 25 ºC, e não “dá as caras” em regiões de baixa altitude durante o verão, quando a temperatura média atinge 28 ºC, disse Toledo.

“Se a temperatura aumentar, elevando a média das terras altas, provavelmente os beija-flores tentarão acompanhar essa mudança”, disse a pesquisadora.

“Observamos durante o estudo que os beija-flores apresentam variações morfométricas em função da altitude, tais como massa, comprimento e área da asa, comprimento do bico e comprimento total. Mas ainda não sabemos se poderão sofrer mudanças morfométricas rápidas a tempo de se adaptarem às mudanças climáticas”, disse Toledo.

O aumento da temperatura, contudo, não representa um fator limitante para a sobrevivência dos beija-flores, uma vez que esse grupo de aves possui alta resistência térmica.

A temperatura corpórea dos beija-flores é em torno de 40 ºC. Dessa forma, a ave é capaz de suportar de forma confortável uma temperatura ambiente em torno de 38 ºC – considerada bastante alta –, explicou Toledo.

“Os beija-flores só conseguem manter esse estresse térmico por muito tempo, entretanto, se houver energia disponível, que é o néctar das flores. E isso representa um ponto de preocupação”, ponderou.

Um estudo realizado por pesquisadores da Escola de Engenharia de Lorena, da USP, no âmbito do projeto, identificou que a quantidade de energia disponibilizada pelas plantas para os beija-flores na região do Vale do Paraíba varia de acordo com a elevação.

Algumas espécies de plantas visitadas por beija-flores em regiões de terras altas, como Campos do Jordão, possuem néctar com maior teor de sacarose – o açúcar preferido pela ave – do que em regiões de terras baixas, como Ubatuba, apontou o estudo.

“Nossa preocupação é se as plantas visitadas pelos beija-flores serão capazes de ajustar suas concentrações de néctar em tempo de acompanhar as mudanças climáticas e continuarem fornecendo energia para essas aves”, ressaltou Toledo.


Fonte: National Geographic Brasil

Nova série da Amazon mostra como o mundo seria se os nazistas tivessem vencido

POR Bruno Garattoni 




A série se chama "The Man in the High Castle", foi produzida pela Amazon e pelo diretor Ridley Scott, e se baseia em um livro escrito por Philip K. Dick (cuja obra inspirou "Blade Runner"). Ela imagina como o mundo seria se os nazistas tivessem ganho a Segunda Guerra Mundial - a julgar pelo trailer, pra lá de sinistro. A série parece bem interessante, no mesmo nível de "Narcos", do Netflix. Ela estreia em novembro - mas apenas no serviço de streaming Amazon Prime, que não está disponível no Brasil (por aqui, tende a chegar por via ilegal, torrent).  



Fonte: Revista Superinteressante

"Quem precisa mais de você é o seu pior aluno", diz escritor a professores

Vinícius Lisboa - Repórter da Agência Brasil Edição: Maria Claudia

Autor de best-sellers infanto-juvenis como "A Droga da Obediência" e especialista em letramento e técnicas de leitura, Pedro Bandeira comparou as profissões de professor e médico, em palestra hoje (5) na 17ª Bienal Internacional do Livro do Rio de Janeiro. A uma plateia cheia de fãs e professores, ele sugeriu que os docentes se atentem às diferenças entre os alunos.

"Cada aluno é diferente do outro. Você tem que ter a habilidade de cuidar de diferentes", disse ele, que comparou: "Quem precisa mais de médico? É quem está mais doente. Quem precisa mais de você? É o seu pior aluno. O seu bom aluno não precisa de você, ele anda sozinho. Mas se você não cuida do seu mau aluno, ele vai embora".

O autor deu dicas a professores que querem estimular a leitura, afirmando que alunos que têm mais dificuldades de ler podem ser incentivados, inicialmente, com trechos menores e textos ritmados. Bandeira criticou os professores que cobram que todos os alunos comecem por livros do mesmo tamanho e entendam de forma igual.

"Não existe isso. É a mesma coisa que o médico receitar o mesmo remédio para todos os pacientes", afirmou ele, que reforçou a necessidade de cuidar dos alunos com dificuldades de aprendizado: "Nossa política sempre foi essa, a de excluir. o mau aluno não interessa, eu expulso da classe. Sempre foi assim. Mas no hospital vou expulsar quem está pior?"

Outro ponto criticado pelo autor foi a preocupação com as notas. Mais uma vez comparando com o universo da medicina, ele disse que as notas são os exames de laboratório que só interessam ao médico, já que o importante é que o paciente saia curado e que o aluno aprenda.

"A nota não é importante. A nota é para você, a prova é para você, assim como o exame de laboratório é para o médico", disse ele, que ironizou: "Se você for procurar um emprego, não vão perguntar qual foi foi sua nota de ciências na 3ª série. O que importa é o que você é hoje".

Vieira vai à Colômbia e Venezuela para ajudar no diálogo entre os dois países

Marcelo Brandão – Repórter da Agência Brasil Edição: Nádia Franco


  Arquivo/ABr
O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, viajou na noite desta quinta-feira (3) para a Colômbia para ajudar no diálogo entre entre este país e a Venezuela. No dia 20 de agosto, o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, fechou a fronteira com a Colômbia, depois que um civil e três militares venezuelanos foram feridos em uma emboscada.

Nos dias que se seguiram, mais de mil colombianos foram repatriados e 4.260 abandonaram a Venezuela.

A iniciativa de enviar o chanceler brasileiro à Colômbia foi da presidenta Dilma Rousseff. O ministro das Relações Exteriores da Argentina, Héctor Timerman, acompanha Vieira no diálogo com os países vizinhos. De acordo com o Itamaraty, o objetivo da missão é “oferecer os bons ofícios para ajudar na comunicação entre as partes”. Vieira e Timerman já se encontraram com a ministra de Relações Exteriores da Colômbia, María Angela Holguín, e seguem ainda hoje para Caracas, capital venezuelana.

De acordo com o Ministério de Relações Exteriores da Argentina, Vieira entregou à ministra colombiana uma carta de Dilma, endereçada ao presidente Juan Manuel Santos. “Os ministros Vieira e Timerman buscam promover e aprofundar o diálogo entre as partes dada a importância da unidade da região e da solução pacífica e negociada das diferenças”, diz comunicado divulgado pelo ministério argentino em seu site oficial.

Os militares venezuelanos foram baleados enquanto patrulhavam a fronteira do estado de Táchira, na tentativa de evitar o contrabando de gasolina e alimentos subsidiados para a Colômbia, onde são vendidos a preços mais altos. Maduro atribuiu o ataque às “máfias paramilitares colombianas” e, além de fechar a fronteira, decretou estado de exceção constitucional em seis municípios e enviou 1,5 mil soldados à região para “restabelecer a ordem, a paz e a convivência”.

O presidente colombiano reafirmou a disposição de “colaborar e coordenar ações contra o contrabando e o crime organizado”, mas disse que o diálogo é a melhor forma de solucionar o problema. Segundo Santos, “o confronto só serve a interesses políticos, individuais e eleitorais.”


Atletas da seleção de canoagem boicotam evento-teste dos Jogos Olímpicos

Da Agência Brasil Edição: Armando Cardoso

O Desafio Internacional de Canoagem Velocidade, décimo evento-teste para os Jogos Olímpicos e Paralímpicos Rio 2016, recebeu 180 atletas de 30 paísesFernando Frazão/Agência Brasil
O Desafio Internacional de Canoagem Velocidade, décimo evento-teste para os Jogos Olímpicos e Paralímpicos Rio 2016, que começou hoje (4) e termina domingo (6), ficou marcado pelo boicote de quatro atletas da Seleção Brasileira de Canoagem. Isaquias Queiroz, Erlon de Souza, Ronilson de Oliveira e Nivalter Santos cobraram da Confederação Brasileira de Canoagem (CBCa) o recebimento de uma verba do Banco Nacional de Desenvolvimento (BNDES), em atraso há oito meses.

Além da falta do repasse, uma das reclamações foi a má condição dos alojamentos em que eles [atletas] estão hospedados, na Escola de Educação Física do Exército, na Urca, zona sul do Rio. Ronilson de Oliveira disse não entender o motivo de todos esses problemas. “Somos considerados os quatro melhores atletas de canoagem do Brasil. Merecemos isso?

A gente vê, por exemplo, os atletas que treinam lá em Curitiba sendo muito bem atendidos, bem tratados. Por que não a gente também? Por que alguns atletas recebem verba e a gente está há oito meses esperando?”

Isaquias Queiroz, Nivalter Santos e Ronilson de Oliveira reclamaram a falta de repasses da verba do BNDESFernando Frazão/Agência Brasil
Isaquias Queiroz, medalhista de ouro no Mundial de Canoagem de Milão, na Itália, reforçou a opinião de Ronilson. “Merecemos respeito. Afinal, somos os quatro nomes mais fortes do esporte no Brasil. Estamos sempre trazendo resultados significativos para o país. Se houver uma punição e ficarmos fora dos Jogos Olímpicos, vai ficar estranho para eles, que estão tirando grandes competidores de um evento do tamanho das Olimpíadas e enfraquecendo o Brasil”.

Presidente da confederação, João Tomasini, criticou a postura dos atletas. Segundo ele, os quatro nunca foram desassistidos pela CBCa. “O valor que eles cobram foi coberto pelo Comitê Olímpico Brasileiro, já que o projeto atrasou por conta de problemas burocráticos, mais especificamente uma certidão ambiental que levou 105 dias para ser expedida por um órgão de Lagoa Santa, onde eles treinam. Eles sabem disso. Ontem (3) mesmo os quatro foram informados a respeito.”

Tomasini afirmou que os atletas não foram prejudicados. Acrescentou que alguns foram até beneficiados. “O Nivalter e o Isaquias deveriam receber R$ 8 mil mensais pelo patrocínio, enquanto Erlon e Ronilson R$ 11 mil, pela colocação no mundial. Nos últimos oito meses, o comitê decidiu nivelar todos pelo máximo, elevando os valores do Isaquias e do Nivalter para R$ 11 mil. Eles não estão sendo prejudicados, mas beneficiados. Afinal, receberam do patrocinador R$ 24 mil a mais nesse período”.

Sobre a possibilidade de o boicote arranhar a imagem da competição e até mesmo dos atletas, o presidente da confederação disse estar decepcionado. “Espero que não. Estou triste com a situação. Tentamos de todas as maneiras contornar isso. Eles estão com um contrato elaborado pela confederação para ser analisado e assinado. Receberam ontem a promessa de que em dez dias, a partir da assinatura, receberão o mês de setembro. Mesmo assim, agiram desse jeito. Não sei se prejudicará o evento. Só consigo dizer que estou muito triste.”

O Desafio Internacional de Canoagem recebeu 180 atletas de 30 países. Grandes nomes internacionais participam da competição, entre eles o alemão Sebastian Brendel, o dinamarquês René Holten Poulsen, o canadense Mark de Jonge e a húngara Gabriela Szabó.

BNDES

Em nota, a gerência de imprensa do BNDES informou que, ao contrário do que alegaram alguns atletas da equipe brasileira de canoagem, não há nenhum atraso no pagamento de suas remunerações. "Acordo firmado entre a Confederação Brasileira de Canoagem (CBCa) e o Comitê Olímpico Brasileiro (COB) permitiu que não houvesse nenhuma interrupção do programa de treinamentos destes atletas — nem quanto ao pagamento de bolsas-auxílio, que está absolutamente em dia, nem quanto às condições de treinamento — enquanto um projeto específico para os atletas de canoa estava em tramitação no Ministério do Esporte e no BNDES."

Segundo a nota, atendendo pedido do treinador da equipe de canoa, o BNDES acolheu projeto para que os atletas da modalidade fiquem concentrados em Lagoa Santa (MG), separados dos atletas de velocidade. O projeto teve sua tramitação prolongada no banco em razão de atraso na liberação de licença ambiental e autorização de uso por parte da municipalidade de Lagoa Santa. No período da tramitação, o mencionado acordo entre a CBCa e o COB assegurou que o pagamento dos benefícios aos atletas fosse mantido na mais absoluta normalidade, sem atraso ou redução."

De acordo com a gerência de imprensa do banco, o projeto está aprovado, contratado e os recursos disponíveis para aplicação nas despesas previstas, inclusive o pagamento de bolsas. "Os atletas já têm em mãos o contrato de que precisam para firmar o recebimento de auxílio pelos próximos 12 meses".

A nota informa ainda que o BNDES é o patrocinador oficial da canoagem brasileira desde 2011 e que apoia projetos aprovados no âmbito da Lei de Incentivo ao Esporte. Entre as iniciativas apoiadas pelo banco estão as equipes permanentes de canoagem slalom (Foz do Iguaçu), canoagem velocidade (Curitiba), paracanoagem (São Paulo) e canoa (Lagoa Santa).

* Matéria alterada às 16h50 para inclusão de novas informações


Janot é contra pedido de José Dirceu para voltar à prisão domiciliar

André Richter - Repórter da Agência Brasil Edição: Armando Cardoso

O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, enviou parecer ao Supremo Tribunal Federal (STF) favorável à decisão que determinou a transferência do ex-ministro da Casa Civil José Dirceu para cumprir prisão preventiva em Curitiba. No mês passado, Dirceu foi preso em Brasília, por causa das investigações durante da 17ª fase da Operação Lava Jato.

Janot é contra pedido de José Dirceu para voltar à prisão domiciliar
De acordo com Janot, não há ilegalidade no decreto de prisão assinado pelo juiz federal Sergio Moro. Além disso, o procurador afirmou que não há conexão entre a prisão definitiva na Ação Penal 470, o processo do mensalão, e a preventiva, da Lava Jato.

Em 2013, Dirceu foi condenado a sete anos e 11 meses no regime semiberto, mas já cumpria prisão domiciliar antes da nova prisão. “Desse modo, não há qualquer empecilho à transferência do agravante [Dirceu] para outra unidade da Federação, local onde estão concentrados os demais atos de investigação", disse Janot.

A partir do parecer, caberá ao ministro Luís Roberto Barroso, relator das execuções penais dos condenados no processo do mensalão, julgar o pedido da defesa do ex-ministro. Por meio de seu advogado, Roberto Podval, Dirceu informou que não há motivo para a transferência, porque sempre se colocou à disposição da Polícia Federal e cumpre prisão domiciliar na capital federal, em função da condenação na Ação Penal 470.

“Embora não se invoque, no decreto prisional, a conveniência da transferência do peticionário [Dirceu] a Curitiba, temos que este, desde que teve ciência de que figurava como investigado na Lava Jato, reiteradamente dispôs-se a ser ouvido em depoimento pelas autoridades, o que nunca foi determinado", argumentou o advogado.

Ontem (4), a pedido de sua defesa, o ex-ministro foi transferido da carceragem da Polícia Federal, em Curitiba, para o Complexo Médico Penal (CMP), em Pinhais, na região metropolitana da capital paranaense.


Morre o escritor, professor e historiador Joel Rufino dos Santos

Flávia Villela - Repórter da Agência Brasil Edição: Maria Claudia

O historiador, escritor e professor Joel Rufino dos Santos morreu nesta manhã (4), no Rio de Janeiro, aos 74 anos. Ele teve complicações após uma cirurgia cardíaca em 1º de setembro e não resistiu. Autor de mais de 50 livros de ficção e não-ficção, Rufino escrevia para adultos, jovens e crianças, ganhou alguns prêmios e foi indicado mais de uma vez ao Prêmio Hans Christian Andersen, o Nobel da literatura infantil.

O ativismo de Rufino no movimento negro foi destacado pela presidenta da Ong Crioula e membro Conselho Nacional de Igualdade Racial, Lucia Xavier. “O papel que ele exerceu, tanto do ponto de vista intelectual como político, nos últimos 30 anos, foi muito importante. Construiu novos instrumentos para trabalhar as culturas afro-brasileiras, e marcou sua vida política contra o racismo, apresentando novos estudos, mas também trazendo à tona temas do nosso interesse, e que modificavam o modo de pensar da sociedade brasileira”, disse. “Acima de tudo, ele era um ativista das causas humanas, fará muita falta na nossa vida.”

Lucia lembrou que, no mês passado, Rufino salvou a vida de um ladrão que era linchado em plena Copacabana, zona sul do Rio, incidente que foi noticiado na imprensa.

Desde fevereiro, Rufino trabalhava no Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ) como diretor-geral de Comunicação e de Difusão do Conhecimento. Na sua gestão, foram realizadas iniciativas inovadoras, como a dramatização do desenforcamento de Tiradentes e um baile charme no próprio tribunal.

O presidente do tribunal, desembargador Luiz Fernando Ribeiro de Carvalho, disse que a morte de Rufino é uma grande perda para os meios intelectuais e professores. “Uma alma generosa. Vamos guardar do professor os melhores exemplos. A nós, Joel Rufino vai deixar a semente do seu exemplo, de um homem dedicado ao humanismo e à causa pública”.

Em abril, o historiador participou da 2ª Bienal do Livro de Brasília em que foi um dos debatedores sobre a diáspora africana e a construção do país.

Nascido em Cascadura, zona norte do Rio, era filho de pernambucanos. Cursou história na antiga Faculdade de Filosofia da Universidade do Brasil, onde começou a carreira de professor. Foi um dos co-autores da História Nova do Brasil, um marco da historiografia brasileira. Durante a ditadura militar, exilou-se na Bolívia e depois no Chile. Voltou ainda na ditadura clandestino e foi preso três vezes. As cartas que escreveu na prisão foram transformadas no livro Quando eu voltei, tive uma surpresa, em 2000.

Com a Lei da Anistia, foi reintegrado ao Ministério da Educação e convidado a dar aulas na graduação da Faculdade de Letras e, posteriormente, na pós-graduação da Escola de Comunicação, Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Obteve da universidade os títulos de Notório Saber e Alta Qualificação em História e Doutor em Comunicação e Cultura. Recebeu também, do Ministério da Cultura, a comenda da Ordem do Rio Branco, por seu trabalho pela cultura brasileira.

O historiador Joel Rufino morreu aos 74 anos  TV Brasil
O corpo de Joel Rufino dos Santos será cremado, ainda hoje, em cerimônia reservada a parentes. Rufino deixa a esposa Teresa Garbayo dos Santos, os filhos Nelson e Juliana e os netos Eduardo, Raphael, Isabel e Victoria.


Na Paraíba, Dilma diz que é preciso coragem para enfrentar problemas

Luana Lourenço - Repórter da Agência Brasil Edição: Carolina Pimentel

A presidenta Dilma Rousseff disse hoje (4), em evento na Paraíba, que é preciso ter coragem para enfrentar problemas. Ela fez a declaração ao agradecer uma manifestação de solidariedade do governador da Paraíba, Ricardo Coutinho (PSB), que defendeu o governo de Dilma de críticas e a continuação do mandato da presidenta até 2018.

“Quero agradecer o Coutinho. O Brasil é feito de homens com estatura, o Brasil é feito de lideranças políticas que têm estatura e essas lideranças políticas também têm coragem. E quando você tem coragem não há nada que possa impedir que você enfrente um problema”, disse Dilma, durante a entrega de habitações do programa Minha Casa, Minha Vida, em Campina Grande.

Coutinho discursou pouco antes de Dilma, e defendeu o governo e criticou os que, segundo o governador, tentam derrubar a estabilidade do país. “Eu defendo a institucionalidade, a senhora foi eleita para governar e vai governar esse país. A senhora vai superar adversidades por esse povo que precisa ter esse país centrado e em plena recuperação econômica e é para isso que estamos dispostos a contribuir”, disse o governador, que convocou a plateia a se mobilizar em defesa do governo.

“Faço um apelo para que nos multipliquemos, observemos que não é hora de retroceder, é hora de proteger como a mãe que protege o filho ao entrar em uma casa nova como essa. Esse é o momento em que a nação brasileira tem de demonstrar esse sentimento”.

Durante o discurso, Dilma falou várias vezes em união pelo bem do Brasil, independentemente de divergências políticas e partidárias, para que o país supere a crise.

“A força para superar as dificuldades sai primeiro de uma atitude de a gente tem que reconhecer que tem dificuldade. Depois qual o movimento? É todo mundo, independente do interesse partidário e da convicção, termos de primeiro olhar o bem do Brasil, é a primeira coisa que se olha. É como na sua casa, diante da dificuldade, se todo mundo ficar junto supera mais rápido”, comparou.

Segundo Dilma, apesar das dificuldades econômicas, o país não pode voltar atrás em conquistas que beneficiaram principalmente os mais pobres e destacou que programas sociais estão sendo mantidos.

“Um governo faz escolhas. Escolhemos gastar com a casa própria das pessoas que mais precisam, das famílias que mais precisam e essa é uma escolha que ilumina o meu governo. O meu governo tem compromisso com aqueles que são os mais pobres”, disse a presidenta, que também citou a garantia de recursos para o Programa Universidade para Todos (ProUni) e o Mais Médicos.

Mais cedo, em entrevista a rádios paraibanas, Dilma havia dito que o governo “cortou tudo o que poderia ser cortado ou o que poderia esperar”, mas sem comprometer os programas sociais.

Além da entrega de casas em Campina Grande, Dilma participa de mais dois eventos na Paraíba: uma reunião com empresários locais e uma nova rodada do Dialoga Brasil, em que ouvirá sugestões de cidadãos para melhoria das políticas do governo, ambos em João Pessoa.

Hungria reforça legislação de emergência anti-imigração

Da Agência Brasil* Edição: Talita Cavalcante

Migrantes na Estação Ferroviária de Bicske, na Hungria EPA/Herbert P. Oczeret/Agência Lusa/Direitos Reservados
O Parlamento da Hungria reforçou hoje (4) a legislação anti-imigração do país, em resposta ao grande fluxo de refugiados que tentam chegar à Europa Ocidental por meio do território húngaro.

Proposta pelo governo do primeiro-ministro conservador Victor Orbán, a nova legislação reforça, entre outros aspectos, as possibilidades de ação do Exército nas fronteiras, bem como torna a imigração ilegal passível de punição com pena de até três anos de prisão.

Aprovado de forma emergencial e por maioria (140 votos contra 33), o documento trata do “estado de crise”, um nível que na Hungria precede ao estado de emergência, e concede mais poderes ao governo.

“Uma nova era vai começar em 15 de setembro”, data prevista para entrar em vigor a nova legislação anti-imigração, declarou, num comunicado, o chefe do Governo húngaro, que reivindica há vários meses a volta das prerrogativas nacionais sobre imigração no âmbito da União Europeia (UE).

Fuga

Cerca de 300 migrantes fugiram nesta sexta-feira de um campo de acolhimento no Sul da Hungria, perto da fronteira com a Sérvia, levando as autoridades a fechar provisória e parcialmente o posto fronteiriço.

Na capital húngara, Budapeste, há vários dias milhares de migrantes esperam nas imediações de uma das principais estações ferroviárias por uma oportunidade para embarcar com destino aos países do Norte.

Também nesta sexta, cerca de mil desses migrantes começaram a abandonar a zona para tentar chegar a pé à Áustria, segundo jornalistas no local.

Iniciativa cidadã

Cerca de 2 mil pessoas inscreveram-se até a manhã desta sexta numa iniciativa cidadã criada na rede social Facebook para “buscar”, com carros particulares, centenas de migrantes na Hungria.

“O tempo dos apelos à União Europeia e aos responsáveis políticos está ultrapassado, agora temos de agir”, afirmam as administradoras da página Convoy Budapeste-Viena, Erzsébet Szabó e Elisabeth Schneider.

A iniciativa Convoy Budapest-Viena assegura na página “assistência jurídica” aos participantes.

Uma primeira carreata deve partir no domingo (6) de manhã de Viena para “levar tantos refugiados quanto possível de Budapeste para Viena e de lá, se possível, para a Alemanha”.

A iniciativa surge depois de a Hungria ter suspendido as ligações ferroviárias internacionais a partir de Budapeste, onde milhares de migrantes, muitos com bilhetes válidos, aguardam uma oportunidade para viajar para a Áustria ou a Alemanha.

Por outro lado, quatro austríacos foram detidos hoje em Budapeste por terem tentado levar migrantes para a Áustria, um delito punível com cinco anos de prisão na Hungria.

Depois de uma intervenção do ministro dos Negócios Estrangeiros austríaco, Sebastien Kurz, o chefe da diplomacia húngara, Peter Szijjarto, assegurou que os cidadãos austríacos vão ser libertados em breve.

Na Áustria, o transporte de refugiados sem os documentos em ordem de um país para outro também é punido, mas com uma multa que pode chegar aos 5 mil euros.

Mais de 160 mil migrantes chegaram desde o início do ano à Hungria, primeiro país da rota dos Balcãs que é membro do espaço europeu de livre circulação Schengen, de onde pretendem seguir para a Áustria ou a Alemanha.

*Com informações da Agência Lusa

Dilma defende criação de receitas para resolver déficit e reequilibrar Orçamento

Luana Lourenço - Repórter da Agência Brasil Edição: Talita Cavalcante

“Se a gente quer um Orçamento equilibrado, se a gente quer preservar as políticas, vamos ter de tomar algumas medidas", destacou DilmaWilson Dias/Agência Brasil
A presidenta Dilma Rousseff voltou a defender hoje (4) a criação de receitas para o governo como forma de reequilibrar o Orçamento e resolver o déficit de R$ 30,5 bilhões previsto na proposta orçamentária para 2016, enviada esta semana ao Congresso.

Na quarta-feira (2), ao comentar a eventual volta da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF) – que foi cogitada pelo governo – Dilma disse que não gostava do tributo, mas não descartou a criação de fontes de receita. Hoje, em entrevista a rádios da Paraíba, Dilma disse que a medida pode ser necessária, ao lado de outras, como cortes de gastos e melhoria da gestão do governo.

“Se a gente quer um Orçamento equilibrado, se a gente quer preservar as políticas, vamos ter de tomar algumas medidas: umas são de gestão, por parte do próprio governo. A segunda coisa que vamos fazer: temos que discutir novas fontes de receitas, se a gente quiser manter a lei, obviamente que a gente quer, e também garantir que o país não tenha um retrocesso”, disse.

A presidenta também defendeu a iniciativa do governo de enviar a proposta orçamentária com previsão de déficit como uma iniciativa de transparência. Mas voltou a argumentar que o governo não transferiu responsabilidades para o Congresso resolver o problema das contas públicas. Segundo Dilma, o governo não quer ficar com o déficit e quer discutir como conseguir as receitas necessárias para reequilibrar o Orçamento.

“A responsabilidade é do governo federal, nós vamos fazer isso e vamos apontar aonde a gente acha que deve ser concentrada essa receita. A gente ainda tem mais dois meses para fazer isso, entre um e dois meses, no máximo, podendo chegar até o fim do ano, porque esse Orçamento é para o ano que vem”, ressaltou.

Dilma disse que o governo “cortou tudo o que poderia ser cortado ou o que poderia esperar”, mas destacou a opção de não reduzir gastos de programas sociais como o Bolsa Família e o Minha Casa, Minha Vida. A presidenta lembrou que a maior parte do Orçamento não é gasta com essas medidas, mas com despesas obrigatórias. “Por isso, a gente vive falando que tem de ter cuidado quando você fica aprovando medidas que elevem a despesa obrigatória do governo.”

Perguntada sobre a relação com o Congresso Nacional em meio à crise política e econômica que o país atravessa, Dilma disse que a convivência entre os Poderes está baseada na Constituição Federal, que prevê independência entre eles, mas de forma harmônica.

“Podemos divergir, mas temos que dialogar sempre e procurar consensos, isso por um motivo muito simples: pelo bem do Brasil. Independente da diferença partidária, da visão que você tenha dessa ou daquela pessoa, o que está acima de tudo é o Brasil”, acrescentou.

De acordo com a presidenta, para além das divergências, é preciso que o Congresso também tenha preocupação com a estabilidade macroeconômica, política e social do país ao aprovar ou modificar leis.

“Em uma democracia, é absolutamente natural que haja debate, que haja divergência, só há concordância absoluta na calma dos cemitérios. Fora da calma dos cemitérios, as pessoas têm direito de divergir, de dizer o que pensam. Agora, todo mundo tem de estar orientado por um princípio, que é o princípio da estabilidade do país”.

Paraíba

Dilma deu entrevista às rádios paraibanas Correio 98 FM, de João Pessoa, e Campina FM, de Campina Grande, antes de seguir para o estado, onde terá agendas hoje. Ao meio-dia, a presidenta participa da entrega de 1.948 unidades habitacionais do Minha Casa, Minha Vida em Campina Grande.

À tarde, Dilma se reúne com empresários paraibanos e, em seguida, participa de mais uma rodada do Dialoga Brasil, uma iniciativa do governo em que a presidenta ouve sugestões de cidadãos para melhoria das políticas do governo.

Dilma defende criação de receitas para resolver déficit e reequilibrar Orçamento

url fixa http://agenciabrasil.ebc.com.br/politica/noticia/2015-09/dilma-defende-criacao-de-receitas-para-resolver-deficit-e-reequilibrar

 04/09/2015 - 10:36   04/09/2015 - 10:59
Luana Lourenço - Repórter da Agência Brasil Edição: Talita Cavalcante
A presidenta Dilma Rousseff fala à imprensa no Palácio Itamaraty (Wilson Dias/Agência Brasil)
“Se a gente quer um Orçamento equilibrado, se a gente quer preservar as políticas, vamos ter de tomar algumas medidas", destacou DilmaWilson Dias/Agência Brasil

A presidenta Dilma Rousseff voltou a defender hoje (4) a criação de receitas para o governo como forma de reequilibrar o Orçamento e resolver o déficit de R$ 30,5 bilhões previsto na proposta orçamentária para 2016, enviada esta semana ao Congresso.

Na quarta-feira (2), ao comentar a eventual volta da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF) – que foi cogitada pelo governo – Dilma disse que não gostava do tributo, mas não descartou a criação de fontes de receita. Hoje, em entrevista a rádios da Paraíba, Dilma disse que a medida pode ser necessária, ao lado de outras, como cortes de gastos e melhoria da gestão do governo.

“Se a gente quer um Orçamento equilibrado, se a gente quer preservar as políticas, vamos ter de tomar algumas medidas: umas são de gestão, por parte do próprio governo. A segunda coisa que vamos fazer: temos que discutir novas fontes de receitas, se a gente quiser manter a lei, obviamente que a gente quer, e também garantir que o país não tenha um retrocesso”, disse.

A presidenta também defendeu a iniciativa do governo de enviar a proposta orçamentária com previsão de déficit como uma iniciativa de transparência. Mas voltou a argumentar que o governo não transferiu responsabilidades para o Congresso resolver o problema das contas públicas. Segundo Dilma, o governo não quer ficar com o déficit e quer discutir como conseguir as receitas necessárias para reequilibrar o Orçamento.

“A responsabilidade é do governo federal, nós vamos fazer isso e vamos apontar aonde a gente acha que deve ser concentrada essa receita. A gente ainda tem mais dois meses para fazer isso, entre um e dois meses, no máximo, podendo chegar até o fim do ano, porque esse Orçamento é para o ano que vem”, ressaltou.

Dilma disse que o governo “cortou tudo o que poderia ser cortado ou o que poderia esperar”, mas destacou a opção de não reduzir gastos de programas sociais como o Bolsa Família e o Minha Casa, Minha Vida. A presidenta lembrou que a maior parte do Orçamento não é gasta com essas medidas, mas com despesas obrigatórias. “Por isso, a gente vive falando que tem de ter cuidado quando você fica aprovando medidas que elevem a despesa obrigatória do governo.”

Perguntada sobre a relação com o Congresso Nacional em meio à crise política e econômica que o país atravessa, Dilma disse que a convivência entre os Poderes está baseada na Constituição Federal, que prevê independência entre eles, mas de forma harmônica.

“Podemos divergir, mas temos que dialogar sempre e procurar consensos, isso por um motivo muito simples: pelo bem do Brasil. Independente da diferença partidária, da visão que você tenha dessa ou daquela pessoa, o que está acima de tudo é o Brasil”, acrescentou.

De acordo com a presidenta, para além das divergências, é preciso que o Congresso também tenha preocupação com a estabilidade macroeconômica, política e social do país ao aprovar ou modificar leis.

“Em uma democracia, é absolutamente natural que haja debate, que haja divergência, só há concordância absoluta na calma dos cemitérios. Fora da calma dos cemitérios, as pessoas têm direito de divergir, de dizer o que pensam. Agora, todo mundo tem de estar orientado por um princípio, que é o princípio da estabilidade do país”.

Paraíba

Dilma deu entrevista às rádios paraibanas Correio 98 FM, de João Pessoa, e Campina FM, de Campina Grande, antes de seguir para o estado, onde terá agendas hoje. Ao meio-dia, a presidenta participa da entrega de 1.948 unidades habitacionais do Minha Casa, Minha Vida em Campina Grande.

À tarde, Dilma se reúne com empresários paraibanos e, em seguida, participa de mais uma rodada do Dialoga Brasil, uma iniciativa do governo em que a presidenta ouve sugestões de cidadãos para melhoria das políticas do governo.


Recorde de 5.600 migrantes entram em um dia na Macedônia pela Grécia

Da Agência Lusa

Um recorde de cerca de 5.600 migrantes entraram nessa quinta-feira (3) na Macedônia procedentes da Grécia, mais de duas vezes o número habitual, que oscila diariamente entre 2 mil e 3 mil pessoas, informou hoje (4) a Organização das Nações Unidas (ONU).

“Ontem, entraram 5.600 pessoas” na Macedônia, declarou a porta-voz do Alto-Comissariado da ONU para Refugiados (Acnur), Melissa Fleming, em entrevista. Ela disse que é difícil prever o que vai ocorrer nas próximas semanas.

Geralmente, o fluxo de migrantes diminui a partir do mês de outubro devido ao mau tempo no Mediterrâneo. Segundo Melissa, no ano passado, no entanto, os números mantiveram-se elevados apesar do mau tempo.

De acordo com o representante do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) na Macedônia, Bertrand Desmoulins, o fluxo de migrantes tem aumentado, e a proporção de mulheres e crianças está em constante progressão.

“As autoridades [da Macedônia] só registram metade das pessoas” que chegam da Grécia, o que as impede de terem acesso à ajuda humanitária distribuída nos centros de acolhimentos, disse Desmoulins,

Perto de 365 mil migrantes e refugiados atravessaram o Mediterrâneo desde janeiro e mais de 2.700 morreram, de acordo com os dados divulgados hoje pela Organização Internacional para as Migrações. Mais de 245 mil chegaram à Grécia e mais de 116 mil à Itália.


Cameron diz que Reino Unido vai receber milhares de refugiados sírios

Da Agência Lusa

O primeiro-ministro britânico, David Cameron, disse hoje (4) em Lisboa que o Reino Unido vai receber milhares de refugiados sírios, que se somarão aos 5 mil que já recebeu.

“Aceitamos 5 mil sírios e criamos um programa específico de reinstalação. Vamos aceitar mais milhares, com esse sistema que já existe, e vamos manter o número em revisão”, disse Cameron.

O primeiro-ministro britânico, que concedeu entrevista em Lisboa, tem sido criticado no Reino Unido, inclusive por uma ala do seu partido Conservador, pela falta de iniciativa em face da crise migratória que a Europa enfrenta.

Na Espanha, várias cidades e comunidades autônomas decidiram avançar com iniciativas próprias para acolher refugiados, sem um plano nacional feito pelo governo central em Madri, que até agora estava contra a cota pedida por Bruxelas.

O jornal El País informa que cidades como Madri, Oviedo, Corunha, Málaga e Alicante decidiram juntar-se a uma rede de cidades, proposta terça-feira (1º) pela presidenta de Câmara de Barcelona, Ada Colau. A ideia é juntar na mesma iniciativa cidades dispostas a acolher refugiados da Síria e do Iraque.

A Câmara de Madri anunciou decisões concretas: vai destinar 10 milhões de euros a um plano de "apoio integral" ao acolhimento de refugiados que envolva habitação e apoio escolar, psicológico e ajuda para lidar com a burocracia.

O governo espanhol tem rejeitado a cota de refugiados pedida por Bruxelas. Dos 6 mil refugiados que a comissão pedia à Espanha para receber, o governo de Mariano Rajoy mostrou abertura para receber 2.749 pessoas.

Mesmo sem plano estatal de acolhimento, algumas comunidades autônomas espanholas juntaram-se ao movimento das cidades.

No momento em que a Europa enfrenta a crise de refugiados, o primeiro-ministro australiano, Tony Abbott, defendeu a eficácia de sua política de imigração, que inclui a devolução de barcos aos seus pontos de embarque.

Abbott disse que imagens como a do menino Aylan Kurdi, que morreu afogado e foi encontrado numa praia da Turquia, são “muito tristes e comovedoras”, mas demonstram a necessidade de reforçar as fronteiras. “Se queremos parar as mortes, se queremos parar os afogamentos, temos de travar os barcos [com refugiados]”, disse o primeiro-ministro à emissora ABC. “Enquanto as pessoas acharem que podem vir e ficar aqui, teremos tragédias no mar”, acrescentou.

O jornal norte-americano The New York Times,  qualifica, em editorial, a política de imigração australiana como “desumana, de duvidosa legalidade e diretamente contrária à tradição do país de acolher as pessoas que fogem da perseguição e da guerra”.