Atleta brasileiro de polo aquático nega abuso sexual, diz advogado

Alex Rodrigues - Repórter da Agência Brasil Edição: Lílian Beraldo




O goleiro reserva da seleção brasileira de polo aquático, Thye Mattos, 27 anos, negou à Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos (CBDA) que tenha tido qualquer tipo de relação com a jovem moradora de Toronto, no Canadá, que o acusa de abuso sexual.

Segundo o advogado da confederação, Marcelo Franklin, que está à frente da defesa de Thye, o atleta garante ser inocente. De acordo com o advogado, as notícias de que o goleiro admitiu a representantes da CBDA ter tido relação com a jovem com o consentimento dela não procedem.

“Fomos todos pegos de surpresa. As informações foram divulgadas nessa sexta-feira [24], durante uma entrevista coletiva das autoridades canadenses, que não trabalham aos finais de semana. Ainda não tivemos acesso às acusações”, disse o advogado à Agência Brasil. Franklin revelou já estar trabalhando na defesa de Thye em conjunto com um profissional canadense e que espera receber, nos próximos dias, informações mais consistentes que lhe permitam definir a estratégia a adotar.

“Antes de qualquer prejulgamento, é preciso conhecer as acusações e as evidências que as sustentam. Até porque, é preciso levar em conta que, na legislação canadense, o assédio sexual vai de um toque não autorizado, um beijo, até, na outra ponta, o estupro”, acrescentou o advogado.

O advogado disse não saber se Thye deixou ou foi cortado da seleção para regressar ao Brasil, mas confirmou que a delegação brasileira discutia a hipótese de que o goleiro não disputasse o Mundial de Esportes Aquáticos, que teve início hoje (25) em Kazan, na Rússia, onde a equipe estava quando as denúncias vieram a público.

Segundo as autoridades canadenses, Mattos e outro integrante da equipe brasileira de polo aquático foram à casa da jovem na madrugada do dia 16 de julho, após se conhecerem em um bar, onde os atletas comemoravam a conquista da medalha de prata nos Jogos Pan-Americanos de Toronto.

De acordo com a inspetora de Crimes Sexuais, Joanna Beaven-Desjardins, a vítima afirma que, a certa altura, decidiu ir dormir. Foi quando, segundo a jovem, Mattos a seguiu até o quarto e abusou sexualmente dela. Ainda segundo a vítima, uma amiga dela estava presente. A polícia emitiu um mandado de prisão com a foto e dados do atleta, além de um número de telefone para denúncias.

Em nota divulgada hoje, a CBDA afirma que só será possível avaliar a consistência do caso e estabelecer as próximas medidas a serem tomadas após análise dos autos do processo. A confederação lembra que nenhum membro da delegação brasileira foi procurado pelas autoridades canadenses ou recebeu qualquer comunicado oficial antes de deixar o país e viajar para a Rússia.

“O atleta se declara inocente, sendo certo que tanto pela nossa legislação, quanto pela lei canadense, todos são presumidos inocentes até prova em contrário”, afirma a CBDA na nota.


Plutão está coberto por uma névoa

Da Agência Lusa

A agência espacial norte-americana Nasa (National Aeronautics and Space Administration) divulgou esta madrugada novas imagens de Plutão captadas pela sonda New Horizons que revelam que o planeta-anão está coberto por uma névoa.



A sonda, que passou perto de Plutão na semana passada, numa missão que arrancou há quase uma década, continua a enviar informação para a equipe da Nasa.

"As nossas expetativas foram mais que superadas. Com gelo solto, uma substância estranha na sua superfície, cordilheiras e uma ampla névoa, Plutão mostra uma diversidade emocionante de geologia planetária", disse em comunicado John Grunsfeld, um dos diretores adjuntos da Nasa.

A sonda New Horizons captou imagens que mostram uma névoa de 130 quilômetros por cima da superfície de Plutão, com duas capas bem diferenciadas, uma de 80 quilômetros e outra de cerca de 50 quilômetros.

"As névoas detectadas nesta imagem são um elemento chave da criação dos complexos de hidrocarbonetos que dão à superfície de Plutão um tom avermelhado", acrescentou Michael Summers, um investigador da sonda na universidade de George Mason, em Fairfaz (Virginia), citado no comunicado.

Alan Stern, o principal investigador da sonda em Boulder, Colorado, Estados Unidos, descreveu o ambiente de Plutão como "uma atmosfera extraterrestre" de uma "incrível beleza."

Até agora os cientistas estimavam que as temperaturas em Plutão fossem muito quentes para que se formassem neblinas a altitudes superiores a 30 quilômetros acima da superfície do planeta-anão.

A missão do New Horizons também detectou nas imagens "gelos estranhos" na superfície de Plutão e assinalou uma atividade geológica recente.



Mulheres negras preparam marcha nacional para exigir direitos

Luana Lourenço - Repórter da Agência Brasil Edição: Lílian Beraldo

“Nosso feminismo se inspira nas guerreiras africanas. Levantar a cabeça é necessário, negras e pretas revolucionárias”. Os versos de rap cantados pela ativista Larissa Borges embalaram hoje (25) a discussão sobre a primeira Marcha de Mulheres Negras, marcada para o dia 18 de novembro, em Brasília. Reunidas na 8ª edição do Festival Latinidades, cerca de 50 mulheres trocaram experiências sobre a identidade negra feminina e as principais demandas desse público, que serão apresentadas na marcha.

“O Movimento de Mulheres Negras, a partir da marcha, inaugura um novo processo de empoderamento e uma nova etapa na agenda política das mulheres negras no Brasil e na América Latina”, avaliou Larissa, que é diretora de programas de Ações Afirmativas da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir).

A historiadora Gisele dos Anjos Santos é uma das organizadoras da marcha em São PauloMarcello Casal Jr/Agência Brasil
A ampliação do protagonismo das mulheres negras, que estão presentes em diversos movimentos sociais, também foi destacada pela historiadora Gisele dos Anjos Santos, uma das organizadoras da mobilização em São Paulo. “As mulheres negras estão em todos os movimentos sociais, a grande questão é saber a posição que essas mulheres ocupam. Na marcha, vamos estar à frente da construção de todo o processo e vamos sentar à mesa para discutir e negociar o que nos implica diretamente e está relacionado a nossa possibilidade de sobreviver nesse país”, apontou.

Entre as questões que serão levadas à marcha, estão temas como visibilidade e identidade das mulheres negras. “Ainda temos meninas que não têm coragem de sair na rua com turbante na cabeça, têm medo do que vão dizer delas”, lembrou a professora e rapper Vera Verônica. “Vamos marchar pelas nossas crianças, pelos nossos filhos, pelas mulheres que ainda não nasceram e pelas que morreram por nós, vamos juntas.”

Emocionada, a estudante Gabriela Nascimento deu um depoimento sobre as contradições vividas por ela sendo negra em uma escola de classe média de maioria branca e disse que mobilizações como a da marcha dão voz às mulheres negras e garantem espaço de reconhecimento de identidades e afirmação da beleza e da cultura negras.

“Marchar vai significar um momento em que vou resistir ao cotidiano. Vou marchar para que as pessoas possam se reconhecer como negras, não queiram se embranquecer”.

“Vou marchar para que as pessoas possam se reconhecer como negras, não queiram se embranquecer”, disse a estudante Gabriela NascimentoMarcello Casal Jr/Agência Brasil
A violência de gênero, o racismo institucional e o genocídio da juventude negra também integram a agenda das mulheres negras e foram lembrados no debate deste sábado. “Por que vou marchar? Porque tenho três filhos e dois netos homens, e como outras mães, quero dar um basta ao genocídio dos brasileiros negros. Vivemos com medo de saber que, a qualquer momento, um dos nossos pode ser vítima, pode ser morto pela polícia. Venham para a marcha em nome da juventude negra”, defendeu Maria Luiza Junior, professora e militante do movimento negro em Brasília.

A marcha vai ocupar a Esplanada dos Ministérios no dia 18 de novembro, dois dias antes do Dia Nacional da Consciência Negra. Segundo Gisele dos Anjos Santos, uma das organizadoras, a data foi escolhida para não esvaziar as mobilizações estaduais e municipais do movimento negro no dia 20 de novembro. A organização ainda não tem estimativa do número de participantes da caminhada, mas está levantando informações com movimentos de mulheres negras de todo o país para trazer o maior número de ativistas a Brasília.


Brasileiros chegam às finais individuais do tênis de mesa masculino e feminino

Alex Rodrigues - Repórter da Agência Brasil Edição: Lílian Beraldo

A seleção masculina brasileira de tênis de mesa já garantiu as medalhas de ouro, prata e bronze dos Jogos Pan-Americanos, na categoria individual da modalidade.



Gustavo Tsuboi e Hugo Calderano disputarão entre si as medalhas de ouro e prata. Para chegar à decisão, que ocorrerá às 19h (horário de Brasília), Tsuboi desclassificou hoje (25), na semifinal, o conterrâneo Thiago Monteiro, por 4 sets a 3. Já Calderano venceu o canadense Eugene Wang, também por 4 sets a 3.

Derrotado por Tsuboi, Monteiro ficou com a medalha de bronze por ter vencido o chileno Felipe Olivares por 4 sets a 3, também hoje. Juntos, os três atletas brasileiros já haviam conquistado o ouro por equipes durante o Pan-Americano.

Ao todo, a seleção brasileira de tênis de mesa trará ao país sete medalhas. Além das quatro medalhas da equipe masculina (três no individual e uma por equipes), a delegação feminina trará mais três. A chinesa naturalizada brasileira Gui Lin venceu a norte-americana Lily Zhang e disputará a final com a norte-americana Yue Wu, na decisão, às 19h. A brasileira Caroline Kumahara ficou com o bronze. Além disso, a delegação feminina conquistou a medalha de prata por equipes.



Obama pede “igualdade de direitos” para homossexuais na África

Da Agência Lusa Edição: Valéria Aguiar

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, na abertura da 6ª Cúpula Global de Empreendedorismo, na sede do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente em Nairobi, QuéniaDaniel Irungu/EPA/Agência Lusa - Todos direitos reservados
O presidente norte-americano, Barack Obama, em visita oficial ao Quênia, pediu hoje (25) igualdade de direitos para os homossexuais na África, comparando a homofobia à discriminação racial existente nos Estados Unidos.

“Tenho sido coerente em todo o continente africano quanto a esta questão: creio no princípio segundo o qual cada um deve ser tratado de forma igual perante a lei e que o Estado não deve discriminar ninguém em função da sua orientação sexual”, afirmou Obama em Nairobi, em entrevista coletiva junto com o presidente queniano, Uhuru Kenyatta.

“Enquanto afro-norte-americano nos Estados Unidos, estou dolorosamente consciente das consequências da discriminação”, acrescentou.

O chefe de Estado norte-americano falou sobre as eleições presidenciais de Burundi, na África Central, que deram terceiro mandato ao presidente, Pierre Nkurunziza.

“Apelamos ao governo e à oposição [burundianos] para que estabeleçam um diálogo que conduza a uma solução política para a crise e evite a perda de mais vidas inocentes”, frisou.

Barack Obama fez um apelo para o fim da “terrível guerra civil” no Sudão do Sul, que há 19 meses devasta o país.

“A situação é terrível. Consideramos que a melhor forma de terminar com os combates é os dirigentes sul-sudaneses colocarem o seu país em primeiro lugar, com a ajuda de um acordo de paz que ponha fim aos combates”, declarou.

Por último, o presidente norte-americano falou das redes islâmicas somalis Shabab, ligadas à Al-Qaeda, afirmando que estas se encontram “enfraquecidas” na África Oriental, mas os riscos derivados da sua presença na região se mantêm.

“Temos reduzido de forma sistemática os territórios que os combatentes Shabab controlam. Conseguimos reduzir a sua atividade na Somália e enfraquecemos essas redes que operam na África Oriental, mas isso não quer dizer que o problema esteja resolvido,” disse Obama.


Temer defende Cunha e diz que relação entre PMDB e governo é institucional

Luana Lourenço - Repórter da Agência Brasil Edição: Valéria Aguiar

O vice-presidente Michel Temer usou hoje (25) o Twitter para dizer que não participa de “movimento contra o presidente da Câmara”, Eduardo Cunha (PMDB-RJ). O parlamentar foi citado no depoimento de um dos delatores do esquema de corrupção investigado pela Operação Lava Jato, Júlio Camargo, que o acusa de ter recebido R$ 5 milhões em propina.



Cunha nega a acusação, mas pode vir a ser denunciado pela Procuradoria-Geral da República ao Supremo Tribunal Federal.

“Não participo de movimento contra o presidente da Câmara. As relações entre governo, Câmara dos Deputados e PMDB devem ser institucionais, tendo em vista os interesses do país”, escreveu Temer na rede social. A mensagem foi compartilhada por Cunha minutos depois, também pelo Twitter.

A bancada do PMDB na Câmara dos Deputados também saiu em defesa de Cunha e informou que não aceitará “especulações que visem a enfraquecer a autoridade institucional do presidente da Câmara”, segundo nota divulgada na noite de ontem (24).

No texto, os deputados peemedebistas argumentam que a democracia prevê o direito à ampla defesa e criticam a especulação sobre a participação de Cunha no esquema baseada apenas nas informações do delator. “Na democracia, diferentemente das ditaduras, todos os cidadãos, sem exceção, estão sujeitos a investigação, não importa quanto poder ou riqueza possuam. É isso o que ora assistimos no país. Mas a democracia prevê também o direito à ampla defesa. Não existe julgamento sumário”.


Mulher, negra e migrante: conheça a experiência de latino-americanas no Brasil

Camila Maciel – Repórter da Agência Brasil Edição: Lílian Beraldo



O desejo de melhorar a vida financeira da família, de oferecer oportunidade de estudos aos filhos, de fugir da violência ou de trabalhar em uma missão humanitária. Esses são exemplos das motivações que levaram mulheres imigrantes a deixarem seus países de origem. No dia em que se celebra o Dia da Mulher Afro-Latina-Americana e Caribenha (25 de julho), a Agência Brasil publica histórias de mulheres negras que escolheram o Brasil para construir uma nova história.

A colombiana Jennifer Anyuli, a nicaraguense Yadira Campbell e as haitianas Beatrice Dominique e Experience Altagrace compartilham mais do que o mesmo território americano identificado como latino. A ascendência africana confere outras semelhanças às histórias de vida delas, como a necessidade de lidar com o racismo e as diferenças de gênero de forma severa.

Latino-americanas e caribenhas representam cerca de 30% do total de mulheres que migraram para o Brasil, aproximadamente 83,8 mil, segundo relatório das Nações Unidas, lançado em 2014.

A socióloga Marilise Sayão, professora da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), destaca que muitas dessas mulheres se deslocam pela necessidade de romper com o ciclo de pobreza e miséria em que se encontram.

“O que une essas mulheres na América Latina e Caribe? Essa herança da diáspora, da época da escravidão, e, depois, essa diáspora de deslocamento, de migração, de busca de melhores condições em outros países”, apontou.

Também identificada como afrodescendente, Marilise considera que é fundamental lembrar e celebrar a especificidade da mulher negra, latina e caribenha. “As mulheres negras estavam em situação de subalternidade, tanto dos homens, quanto em relação às mulheres brancas”, explica. Ela destaca, como exemplo, a luta das mulheres pelo direito de trabalhar fora. “A maioria das mulheres negras sempre trabalhou. Ela era a empregada doméstica, a escrava. Aquelas reivindicações não representavam essas mulheres”, apontou.

“Imigrar pela necessidade de sobrevivência, de ir além”

A socióloga Jennifer Anyuli, 23 anos, veio com os pais e os dois irmãos da Colômbia, há 9 anosMarcelo Camargo/Agência Brasil
A socióloga Jennifer Anyuli, 23 anos, veio com os pais e os dois irmãos da Colômbia, há 9 anos. “A motivação foi a questão econômica, porque lá não se tinha a mesma facilidade de se virar nos 30 como aqui. A questão da violência também. Morávamos numa favela”, relembra. Hoje, ela relembra o começo difícil no novo país. “Até a gente conseguir se levantar, eu, meu irmão e meu pai saímos para a rua para vender [água, refrigerante] no farol”, relatou.

Jennifer avalia que o processo de adaptação foi mais difícil para os pais. “Até hoje eles falam portunhol. Para meus irmãos e para mim´, já foi mais fácil”, relatou. Apesar da facilidade com o idioma, a jovem, que não tem sotaque, acredita que isso se deve à pressão vivida na fase escolar. “Muitos imigrantes enfrentam bullying”, apontou. Ela acredita que é preciso desenvolver políticas públicas para acolhida desses estrangeiros, não só no campo na assistência social, mas também na saúde e na educação.

Com traços andinos, ela identifica-se como afro-indígena. Jennifer conta que passou por um processo de autoconhecimento a partir do trabalho com voluntária na Pastoral do Migrante, dando aulas de português para estrangeiros. “A questão da identidade ficou muito forte a partir de então, tanto que você pode ver em mim”, diz, apontando para o artesanato e elementos étnicos na roupa. Os cachos no cabelo também foram assumidos pela jovem como uma afirmação de suas origens, tanto indígena, como africana.

“Era a primeira vez que trabalhava com gente parecida comigo”

A médica Yadira Campbell diz que, quando era jovem, não percebia o fato de se formar em medicina como um privilégio. “Quando você cresce, vai entendendo que, por ser a única, não é que seja mais inteligente, mas os que ficaram atrás foi por alguma razão”Arquivo Pessoal/Direitos Reservados
A médica nicaraguense Yadira Campbell, 44 anos, morou no Brasil por cinco anos, quando acompanhava o marido em uma missão das Nações Unidas, no Rio de Janeiro. Antes de passar pelo país, já havia desenvolvido um trabalho em Angola. Foi quando teve, pela primeira na vez na vida, a experiência de trabalhar com médicos e pacientes com os quais se identificava pelos traços fisionômicos. “Eu sou do Caribe e toda vida fui minoria. Na Nicarágua, eu sou afro-caribenha, [que representa] um grupo pequeno”, declarou.

Hoje, ela vive na Espanha e encontra uma situação em que novamente é minoria. “Aqui, era a única médica afrodescendente”, relata. No Brasil, o fato de ser uma médica negra também se mostrou novidade entre os profissionais da área. “Na pós-graduação, havia cerca de 100 pessoas e eu era a única negra de toda essa quantidade de médicos. Eram médicos mais velhos, quase todos especialistas. Depois, quando fiz trabalho na Santa Casa, encontrei gente mais nova, que estava fazendo residência. Encontrei mais afrodescendentes”, relatou.

Ao falar como se sentia nessa situação, Yadira explica que, quando era jovem, não percebia o fato de se formar em medicina como um privilégio. “Quando você cresce, vai entendendo que, por ser a única, não é que seja mais inteligente, mas os que ficaram atrás foi por alguma razão”, apontou. Ela acredita que é fundamental um dia para celebrar as contribuições para a sociedade e as dificuldades enfrentadas pelas mulheres afro-latinas. “Quanto mais longe de afro, você é melhor profissional. Queremos mudar essa forma de ver. Por isso levo o afro em todos os meus atos, fazendo bem a minha profissão e celebrando os antepassados”, declarou.

“O terremoto levou o que eu tinha”

A comerciante haitiana Beatrice Dominique, 37 anos, aguarda ansiosa o momento em que um empregador irá à Missão Paz – centro de referência para imigrantes no centro da capital paulista – para lhe oferecer um emprego. No Brasil há dois meses, ela deixou o Haiti com a esperança de reconstruir a vida depois que perdeu tudo no terremoto devastador de 2010. “A vida ficou difícil lá”, relata.

A viagem para o Brasil já antecipou as dificuldades que encontraria no novo país. “Na passagem pelo Equador, um ladrão levou tudo. Fiquei sem nada. Tive que pedir para parentes mandarem dinheiro”, relembrou. Depois, ela seguiu viagem até a entrada pelo Acre e a chegada em São Paulo.

“Pensava que ia trabalhar, mas grávida é mais difícil”

Grávida de seis meses, a haitiana Experience Altagrace, 30 anos, chegou ao Brasil há cerca de um mês. Diferentemente da maioria dos haitianos, que entra no país por terra, pelo estado do Acre, ela viajou de avião, com um visto conseguido em seu país. Ela foi acolhida pela Missão Paz, onde dorme e faz as refeições. “Está difícil conseguir um emprego. Meu esposo está no Haiti. Pensava que ia trabalhar, mas por estar grávida é mais difícil”, lamentou.

É comum que haitianos rejeitem fotografias para exposição em jornais e na internet. Sem entrar em detalhes, Experience apontou que não gostaria que alguns parentes soubessem que ela está no Brasil.


Após reatamento entre Cuba e EUA, suspensão do embargo dever ser o próximo passo

Ana Cristina Campos – Repórter da Agência Brasil Edição: Valéria Aguiar

A sociedade cubana deve perceber mudanças significativas com o fim do bloqueio econômico, diz especialistaAgência Lusa/EPA/Andrew Harnik/Direitos Reservados
Após o reatamento diplomático entre Cuba e Estados Unidos, a normalização das relações entre os dois países ainda tem pendências a serem resolvidas, principalmente a suspensão do embargo econômico, comercial e financeiro imposto à ilha caribenha desde 1962. Especialistas ouvidos pela Agência Brasil avaliam que a sociedade cubana deve perceber mudanças mais significativas em seu cotidiano com o fim do bloqueio econômico.

No dia 20 de julho, as embaixadas foram reabertas em Washington e em Havana após 54 anos de rompimento diplomático. Nesse dia, após reunião com o secretário de Estado norte-americano, John Kerry, o chanceler cubano Bruno Rodríguez disse que Havana reconhece a determinação do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, em trabalhar para suspender o embargo econômico a Cuba e reiterou a urgência de o Congresso norte-americano eliminar o bloqueio, que restringe as trocas comerciais e o acesso de empresas e investidores à ilha caribenha.

Para o professor do curso de relações internacionais da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) Paulo Pereira, a reabertura das embaixadas tem importante caráter simbólico de remoção de um dos resquícios da Guerra Fria, mas representa apenas o início de um ciclo que só vai se completar com o fim do embargo. “Quando o embargo for retirado, a gente vai começar a ver, aí sim, uma maior transformação política e econômica e vai poder dizer que esse anacronismo da Guerra Fria foi colocado de lado pelos Estados Unidos”.

Na avaliação do professor, as mudanças que vão ocorrer para o cidadão cubano ainda vão precisar de um tempo para aparecer. “O ponto mais fundamental desse processo é uma gradual abertura de comercialização entre Estados Unidos e Cuba, especialmente a partir do momento, e esse é o grande teste desse reatamento diplomático, do fim do embargo. Enquanto isso não ocorrer, as mudanças ainda vão ser muito tímidas. Acho difícil que o cidadão comum sinta tão presente agora qualquer transformação”.

Pereira acredita que a retomada das relações vai possibilitar uma maior circulação de pessoas, principalmente dos cubanos exilados nos Estados Unidos para visitar a ilha caribenha. “Existe uma série de restrições de viagens entre os dois países e, com o reatamento, isso deve ter um relaxamento. Já havia uma distensão nesse sentido há pelo menos um ano e meio e agora esse processo será intensificado”.

O professor do Instituto de Relações Internacionais da Universidade de Brasília (UnB) Argemiro Procópio Filho também acredita que as visitas e as remessas de dinheiro serão facilitadas. “Muitas pessoas em Cuba têm parentes nos Estados Unidos e o envio de ajuda financeira sempre foi difícil. A facilitação das viagens e das remessas já é um grande passo. O processo de mudanças é lento, não é da noite para o dia. Cuba é um mercado em potencial para diversos setores, como, por exemplo, telecomunicações.”

O consultor e ex-secretário de comércio exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Welber Barral, diz que uma das principais apostas da economia cubana para se reerguer é o afluxo de turistas americanos. Segundo ele, o turismo é uma das principais atividades econômicas da ilha caribenha que teve grande investimento em resorts e hotéis de grupos europeus.

Barral lembra que a economia cubana foi subsidiada pela União Soviética na época da Guerra Fria e passou a vivenciar forte crise a partir da década de 1990. “A abertura do mercado americano será muito importante. Cuba vai poder exportar produtos tradicionais, como charutos e rum, o que vai ajudar sua economia”.

O ex-secretário de Comércio Exterior explica que a economia cubana está em transição. “Para atrair capital estrangeiro, Cuba já fez algumas reformas permitindo investimento externo em alguns setores, como turismo. Os cubanos já podem ter alguns pequenos negócios, como restaurantes e táxis. Uma transição para uma economia de mercado vai vir com o tempo, não vai ser de um dia para o outro”.

Barral destaca que o Brasil, ao financiar o Porto de Mariel, em Cuba, saiu na frente nesse novo cenário que se desenha para a região. “Cuba tem uma posição geográfica privilegiada, no centro do Caribe. O Porto de Mariel já vai dar uma estrutura logística muito boa para embarque e desembarque de mercadorias. A médio prazo, Cuba pode crescer na área logística. Para o Brasil, interessa que a economia cubana volte a crescer para consumir produtos manufaturados nacionais.”


Exposição de Vladimir Lagrange traz relato visual da vida na União Soviética

Daniel Mello - Repórter da Agência Brasil Edição: Valéria Aguiar



Quase 30 anos de documentação do cotidiano da antiga União Soviética (URSS) podem ser vistos na exposição Assim Vivíamos, que abre neste sábado (25), na Caixa Cultural, na Praça da Sé, centro paulistano. As 65 fotografias fazem parte da obra do russo Vladimir Lagrange, durante o período em que atuou como fotojornalista. “Ele consagrou a sua obra por meio de fotos que passam bastante à margem de fatos políticos porque o interesse dele era realmente pela vida cotidiana da população soviética”, enfatiza o curador da mostra Luiz Gustavo Carvalho sobre o material feito não só na capital, Moscou, mas em diversas viagens pelo território soviético.

As primeiras imagens foram tomadas em 1962, enquanto os últimos enquadramentos datam do início da década de 1990. “O início dessas fotografias mostra justamente o espírito dessa época khrushoviana”, comenta o curador. Nikita Khrushchov assumiu o poder na URSS com uma agenda reformista, após a morte de Josef Stalin. ”Uma época onde existia uma certa liberdade e isso é refletido nas imagens dele. E ao mesmo tempo a gente vai ver durante todo esse período um olhar perspicaz e até mesmo sarcástico em relação ao Estado”, acrescenta Carvalho.

Mesmo quando trabalhava em relação a fatos de grande impacto, como a Guerra do Afeganistão (1979-1989), Lagrange optava por um olhar diferenciado. “Nunca é sobre as cenas de guerra, que nunca o interessaram muito, mas sobre a vida cotidiana durante a guerra. Ele retrata um casamento, uma cena de amizade ou de morte durante a guerra”, explica o curador.

Os soldados que lutaram pela Rússia durante a Segunda Guerra Mundial também foram um tema importante na obra do fotógrafo. “Ele retrata de uma maneira muito humanista também os veteranos da Segunda Guerra Mundial, que foram, em grande parte, completamente esquecidos pelo Estado. Muitos ex-combatentes passam a ter de pedir esmolas para sobreviver. E ele tem uma grande admiração por esses personagens”, conta Carvalho.

Além do humanismo francês, outra influência de Lagrange foi o construtivismo, vanguarda que floresceu na Rússia durante a década de 1920. Entre os expoentes do movimento estão o artista plástico Alexander Rodchenko e o cineasta Sergei Eisenstein. Esses elementos aparecem, segundo o curador, na iluminação e na “complexa geometria na construção das imagens” do fotógrafo.

Com habilidade e sutileza, o fotógrafo conseguia ainda trazer uma crítica sutil para as páginas das publicações soviéticas. “Em conversas, ele próprio me contou que já sabia que imagens ele poderia enviar para a redação para serem publicadas e quais não tinham nenhuma chance de passarem pela censura”, relata Carvalho.

Apesar do vasto trabalho documental, com a dissolução da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS) e a chegada de novas tecnologias, Lagrange começa a partir da década de 1990 uma nova fase de sua obra. “Ele, de uma maneira muito impressionante, conseguiu essa adaptação e hoje tem um trabalho voltado para uma linguagem completamente nova. Uma fotografia que trabalha motivos, estritamente artística, voltada para um lado documental”, disse o curador da exposição.


Esgoto tratado favorece agricultura e poupa água para consumo, mostra estudo

Fernanda Cruz - Repórter da Agência Brasil Edição: Valéria Aguiar

O emprego da água de esgoto tratado (efluente) na agricultura aumenta a produtividade, segundo estudo do Núcleo de Pesquisa em Geoquímica e Geofísica da Litosfera da Universidade de São Paulo (USP). Pesquisadores testaram, durante 15 anos, as vantagens do uso dessa água, que contém minerais e nutrientes como nitrogênio e fósforo, importantes no desenvolvimento das plantas.



Para o professor de geoquímica e ambiente da USP Adolpho Melfi, a água usada atualmente na irrigação das lavouras pode ser substituída com segurança pelo efluente, o que pouparia água potável importante no abastecimento das cidades. “A agricultura utiliza praticamente 70% da água que poderia ser para o consumo humano”, explica. Atualmente, o efluente só pode ser usado na lavagem de ruas e irrigação de jardins, por não haver legislação que autorize o seu uso no campo.

O experimento feito nas cidades de Lins e Piracicaba, interior de São Paulo, mostrou que a economia no uso de fertilizantes nitrogenados chegou a 80% no plantio de capim, utilizado na alimentação do gado, durante um ano de baixa ocorrência de chuvas.

Os cientistas compararam a produtividade do capim irrigado com água comum e do irrigado com esgoto tratado. Ambos receberam a mesma quantidade de fertilizante necessário para o crescimento das plantas. O resultado foi uma produtividade de 33 toneladas de capim por hectare ao ano no caso das plantas que receberam irrigação comum e de 39 toneladas por hectare ao ano no capim irrigado com efluente.

O mesmo experimento feito com a cana-de-açúcar resultou na produtividade de 87 toneladas por hectare ao ano para a cana que recebeu irrigação comum e de 143 toneladas por hectare ao ano na irrigada com água de esgoto tratado. Os testes foram feitos com cana soca, ou seja, quando a planta ainda não recebeu o primeiro corte.

Riscos do uso de efluentes

Para o emprego da técnica do esgoto tratado na agricultura, porém, é preciso atenção a alguns riscos, explica Melfi. “Como o efluente tem muito nitrogênio, uma parte não será aproveitada pela planta. Essa parte vai infiltrar no solo e contaminar o lençol freático na forma de nitrato. Há também os organismos patogênicos [presentes no efluente], que podem provocar problemas na saúde humana. A gente precisa ter um controle muito grande também dos metais pesados”, disse.

Para contornar esses problemas, os cientistas encontraram soluções simples. Para evitar os metais pesados, presentes nos dejetos de indústrias, os efluentes devem ser recolhidos preferencialmente de cidades pequenas, onde o controle é mais fácil e predomina o esgoto doméstico.

“Em Lins, o esgoto é exclusivamente doméstico. Em Franca, por exemplo, com a indústria de couro para a fabricação de sapatos, a curtição do couro usa uma substância formada por cromo, altamente tóxico. Mas o esgoto de lá pode ser usado, porque existem duas redes separadas, uma que é esgoto industrial e outra que é doméstico. No esgoto doméstico, não tem metal pesado”, explica o cientista.

Quanto aos organismos patogênicos, como o grupo de bactérias E.coli, existem tratamentos que são capazes de eliminá-los do efluente. Outra forma mais simples de evitar essa contaminação nas plantas é selecionar culturas que passam por tratamento industrializado antes do consumo, como é o caso do café, milho e cana-de-açúcar.

“O café pode ser irrigado com efluente, pois depois é torrado. A laranja também é irrigada nos Estados Unidos, na Flórida, por efluente. Basta fazer uma irrigação na superfície do solo, por gotejamento ou mesmo enterrada em até 20 centímetros, de forma que a fruta não entre em contato com os efluentes”, explica o professor.

O capim, cultura testada no estudo, é cortado e permanece na superfície do solo durante algumas semanas para que seja transformado em feno. Depois disso, o produto estará seguro para alimentar o rebanho de gado, já que os organismos patogênicos morrem nesse processo de fenação.

É importante lembrar, ainda, que o simples despejo do efluente em rios também gera problemas, pois causa a eutrofização. “Aumentam muito os micro-organismos, algas que consumem o oxigênio, e essa água sofre eutrofização, são aquelas espumas. Ou a água fica esverdeada por causa de algas”, disse Melfi.

O estudo também ouviu a população para avaliar a aceitação da novidade. “O resultado foi positivo, as pessoas entrevistadas disseram que, desde que soubessem que estava havendo o controle adequado, consumiriam [alimentos produzidos com efluentes]”, contou o professor.


Mulheres negras enfrentam problemas semelhantes na América Latina

Akemi Nitahara – Repórter da Agência Brasil Edição: Carolina Pimentel

Estudos e especialistas apontam que as mulheres negras vivem em condições semelhantes na América Latina e no Caribe (Antônio Cruz/Agência Brasil)
Cerca de 200 milhões de pessoas que se identificam como afrodescendentes vivem na América Latina e no Caribe, o que corresponde a 30% da população dessas regiões, conforme estimativa da Associação Rede de Mulheres Afro-Latinas, Afro-Caribenhas e da Diáspora (Mujeres Afro). Apesar do número, os negros são os mais afetados pela pobreza, marginalização e pelo racismo, em especial as mulheres.

No Dia da Mulher Afro-Latino-Americana e Caribenha, celebrado hoje (25), e no primeiro ano da Década Internacional dos Afrodescendentes, instituída pelas Nações Unidas, os problemas enfrentados pelas mulheres negras ganham visibilidade.

Levantamentos de alguns países mostram essa situação. Em Porto Rico, por exemplo, estudo mostra que um homem branco com ensino superior tem 89% mais chances de entrar no mercado de trabalho. No caso das mulheres negras, o percentual é menor: 60%. No Uruguai, a taxa de desemprego chega a 7%, mas entre as mulheres negras sobe para 14,3%.

A situação das mulheres negras foi discutida entre os dias 26 e 28 de junho em Manágua, na Nicarágua, durante a 1ª Cúpula de Lideranças Femininas Afrodescendentes das Américas.

O documento Plataforma Política, preparatório para a cúpula, aponta que “se assume que a situação de marginalização e exclusão socioeconômica que vivem as populações afrodescendentes se deve mais à situação de classe do que ao próprio racismo, que sustenta a ideia de que se forem alcançados níveis socioeconômicos mais altos não se teria barreiras para a mobilidade social e, portanto, não seriam vítimas de racismo. Sobre esta base está instalada a ideologia da democracia racial que invisibiliza as diversas maneiras em que o racismo se expressa de forma subterrânea mas devastadora”.

“Nós, mulheres negras, pertencemos a uma mesma comunidade de destino. Foi possível evidenciar mais uma vez que racismo, sexismo, lesbofobia, fundamentalismos são os mesmos vetores que movem a dominação e a exclusão de milhões de mulheres negras no Continente”, disse Nilza Iraci, coordenadora de comunicação do Geledés – Instituto da Mulher Negra, que participou da cúpula.

A coordenadora relatou que, durante a cúpula, foi possível perceber as semelhanças nas condições das mulheres negras. “Um exemplo clássico é verificar as falas da palanquera, da Colômbia; das quilombolas, do Brasil; e das garífunas, na América Central. Juntas falam de problemas e vivências semelhantes, como se fosse uma comunidade única. Também pode ser verificado entre as jovens da região, falta de oportunidades, emprego e perspectivas; e em todas as mulheres que vêm sendo vitimizadas pelo avanço dos fundamentalismos religiosos que tentam legislar sobre seus corpos e sua sexualidade. Ou seja, esses fatores formam um caldo de cultura onde a mulher negra é a mais vitimizada”.

Brasil

Para a representante da Organização das Nações Unidas (ONU) Mulheres no Brasil, Nadine Gasman, o Brasil se destaca na América Latina por ter políticas públicas e instituições oficiais de combate às desigualdades, como a Secretaria de Política para as Mulheres (SPM) e a Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir).

“Nós falamos muito em acelerar os processos para garantir que essas diferenças diminuam em um tempo rápido, porque são brechas históricas que têm que se fechar. Mas as políticas públicas, o Bolsa Família, Minha Casa, Minha Vida, o Pronatec, o Brasil sem Miséria têm sido políticas muito importantes que têm mudado a cara e a inserção das mulheres negras no Brasil de uma maneira muito importante”.

No entanto, a representante reconhece que as mulheres negras estão atrás nos indicadores sociais e econômicos do país. “Por exemplo, em termos de pobreza, a população negra é mais vulnerável, sete em cada dez casas que recebem o Bolsa Família são chefiadas por negros, sendo que 37% das casas são chefiadas por mulheres. Temos entre mulheres brancas um desemprego de cerca de 9%, entre as mulheres negras ultrapassa 12%. Outra área que vale a pena ressaltar é o tema da renda. As mulheres negras recebem 42% do salário dos homens brancos. É muito chocante elas receberem menos da metade do salário dos homens brancos”.

Para Nilza Iraci, do Geledés, o maior avanço no país foi a organização dos movimentos sociais, já que “os indicadores sociais têm demonstrado que, apesar da conquista de políticas públicas, elas não têm sido capazes de transformar a realidade e a vida de milhares de brasileiras”.

A Secretaria de Políticas para as Mulheres destaca que o governo federal tem implementado, na última década, diversas políticas voltadas à promoção da igualdade das mulheres negras, como o Programa Pró-Equidade de Gênero e Raça, a aplicação da Lei Maria da Penha e o enfrentamento da exploração sexual e do tráfico de mulheres.

Para este ano, a secretaria deverá criar um grupo de trabalho para atender mães que perderam os filhos, vítimas de violência. Em novembro, será realizada a 1ª Semana das Mulheres Negras no Mês da Consciência Negra e uma consulta nacional a quilombolas e afrodescendentes para a 4ª Conferência Nacional de Política para Mulheres.

Caso grave de aneurisma cerebral é tratado com procedimento inédito no país

Elaine Patricia Cruz – Repórter da Agência Brasil Edição: Valéria Aguiar

Um caso grave de aneurisma cerebral de uma paciente de 68 anos foi tratado com um procedimento inédito no país pelo Hospital de Transplantes do Estado de São Paulo. A cirurgia foi feita  no dia 6 de julho e é considerada um sucesso: ela aliou duas técnicas, a microcirurgia e a terapia endovascular, que já são utilizadas no tratamento mas, desta vez, utilizadas juntas, de forma simultânea, em um único procedimento.

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Há dez meses, essa paciente passou a ter um tipo de dor de cabeça atípica, diferente do que ela já havia sentido antes. A paciente então procurou um médico no estado onde vivia, em Tocantins, que lhe pediu uma tomografia. “Essa tomografia evidenciou a presença de um aneurisma cerebral, algo que já não é usual. Não é frequente os aneurismas cerebrais aparecerem nas tomografias. No caso dela apareceu por causa do tamanho maior do que o habitual”, contou Sérgio Tadeu Fernandes, neurocirurgião do Hospital de Transplantes do Estado de São Paulo, em entrevista à Agência Brasil. “Mas na cidade não tinham os recursos necessários e a família a trouxe para São Paulo.”

O risco do procedimento era alto. No início, a equipe médica do hospital pensou em fazer um procedimento microcirúrgico. “Mas como o caso demandava um tipo de cirurgia que é extremamente trabalhosa e com risco muito alto, a equipe pensou em minimizar esse risco combinando as duas técnicas”.

A cirurgia da paciente demorou em torno de cinco horas. Caso fosse feita apenas a microcirurgia, por exemplo, a estimativa é de que a cirurgia poderia demorar bem mais, em torno de oito ou dez horas. “E com um risco muito maior”, explicou o médico.

“A cirurgia começou com a microcirurgia convencional. E aí passamos para o procedimento cirúrgico convencional, em que é feita uma incisão e se retira uma parte do osso. Posicionamos, então, um microscópio cirúrgico e, por meio dele, chegamos na lesão e identificamos o aneurisma. Uma equipe inseriu um cateter na artéria femural e foi com ele até o local onde essa lesão estava", conta o especialista.

"Por meio desse cateter se passou um microbalão e aí, quando ele foi posicionado no ponto exato desse aneurisma, esse balão foi insuflado e, com ele cheio, impediu que o sangue passasse por dentro do aneurisma. Voltamos para a microcirurgia, esvaziando o aneurisma e deixando a bolha flácida. E não sangrava porque o balão impedia esse sangramento. E esse balão serviu de base depois para colocarmos, na base do aneurisma, alguns clipes [de titânio, empregado para excluir o aneurisma da região cerebral sem prejuízo da circulação] sem que isso prejudicasse o vaso normal”, disse Fernandes.

Após três dias da cirurgia, a paciente teve alta. “Foi uma recuperação fantástica”, disse o médico.

A ideia agora é que o novo procedimento possa ser adotado em vários outros casos de aneurisma, dependendo do tipo, já que ele não pode ser aplicado em todos os casos. O problema, alertou o neurocirurgião, é que seria preciso investir no aparato tecnológico, por exemplo, para a sala de cirurgia, e também no recurso humano, ou seja, na formação e no aperfeiçoamento dos médicos e na disponibilidade deles.

“O aneurisma cerebral não é uma doença frequente. Por isso, não se justifica investimento em todos os hospitais. Seria um desperdício montar essa estrutura [em todos os hospitais] para fazer uma cirurgia dessas a cada três meses. Mas uma forma racional seria ter centros de excelência e que eles estejam capacitados e adaptados para receber a demanda da rede,” observou.

Aneurisma

O aneurisma cerebral é uma doença que atinge entre dez e 15 pessoas em cada grupo de 100 mil indivíduos em todo o mundo. “Não é uma doença frequente, atingindo em torno de 3% da população mundial”, disse Fernandes. No entanto, ela é grave, podendo levar à morte.

O aneurisma cerebral é uma dilatação que se forma na parede de um vaso sanguíneo do cérebro. “Costumamos usar uma analogia que é a seguinte: imaginemos que, no encanamento de sua casa, forme-se uma bolha em algum ponto. Entendemos que esse ponto é fraco e isso é o aneurisma cerebral: uma bolha que se forma nos vasos do cérebro. E o risco que existe nessa bolha no encanamento é de ela estourar, de dar uma infiltração na parede ou de provocar uma inundação no cômodo da sua casa. No aneurisma cerebral é a mesma coisa: pode acontecer só uma infiltração ou ter um extravasamento desse sangue quando a bolha estoura, o que seria um tipo de derrame cerebral”, explicou o médico.

“Quando ela estoura e provoca o sangramento, é uma doença muito grave. Quando acontece essa ruptura, 50% dos pacientes morrem nos primeiros 30 dias de evolução da doença, 40% têm algum grau de sequelas e só 10% voltam a ter a vida que tinham antes de ter esse tipo de derrame por aneurisma cerebral”, acrescentou.


Técnica de fertilização in vitro completa hoje 37 anos

Maiana Diniz - Repórter da Agência Brasil Edição: Valéria Aguiar

Mais de 6 milhões de crianças nasceram com a ajuda da fertilização in vitroEugene Ermolovich/CRMI
Há 37 anos nascia na Inglaterra Louise Brown, o primeiro bebê de proveta do mundo. Louise foi a primeira de mais de 6 milhões de crianças que nasceram com a ajuda da fertilização in vitro. A técnica consiste em retirar o óvulo da mulher, coletar o sêmen do homem e criar um embrião em laboratório para ser implantado no útero.

Em entrevista à Agência Brasil, o médico especialista em reprodução humana e professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, João Sabino, explicou que a técnica surgiu para ajudar casais com dificuldade para engravidar, mas hoje vai além. Pode ser usada, por exemplo, por casais que têm algum problema genético e querem ter um filho saudável. “Eles podem usar a fertilização para fazer uma investigação genética nos embriões antes da transferência para o útero.”

O procedimento também pode ajudar mulheres que querem ter filhos mais tarde. “Por exemplo em uma mulher que tem câncer e vai fazer quimioterapia. Ela pode congelar os óvulos e fazer uma fertilização mais tarde.”

João Sabino conta que desde o primeiro procedimento, em 1978, a técnica avançou muito. Ele atua na área há 24 anos e constata que o controle de qualidade e os laboratórios evoluíram, assim como as técnicas de indução da ovulação. “Na época em que a técnica surgiu, só 5% a 10% das pacientes engravidavam. Hoje a taxa de sucesso é até 50%”.

O médico aponta as três principais causas da infertilidade, definida pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como a ausência de gravidez após 12 meses de relações sexuais regulares sem proteção. “Em 1/3 dos casos o problema é masculino, é importante investigar o homem para checar a quantidade e a qualidade dos espermatozóides. Nas mulheres, os principais problemas são alterações nas trompas e endometriose, que altera a anatomia da pélvis”, afirma.

Segundo a OMS, a infertilidade atinge de 8% a 15% dos casais em idade fértil.

Acesso ao tratamento

A Rede Latino Americana de Reprodução Assistida estima que entre 1990 e 2012, 56.674 bebês brasileiros vieram ao mundo com o uso da técnica. Em 2014, segundo o 8º Relatório do Sistema Nacional de Produção de Embriões (SisEmbrio), da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), foram feitos 27.781 ciclos de fertilização in vitro no país.

O especialista João Sabino avalia que o número está abaixo do necessário para atender a demanda nacional. “O tratamento é muito caro para famílias de baixa renda. Custa entre R$ 5 mil e R$ 20 mil, dependendo do caso. Hoje, 90% das fertilizações são feitas em clínicas privadas”, lamenta.

Um dos principais centros públicos de reprodução assistida do país fica no Distrito Federal. Mais de 500 crianças nasceram no local desde 1998, quando foi criado. “Já fizemos mais de 3 mil ciclos e ainda temos 2 mil casais na fila”, conta a coordenadora do programa de Reprodução Humana do Hospital Materno Infantil de Brasília (HMIB), Rusaly Rulli Costa. Segundo ela, apesar de a demanda ser grande, o Brasil oferece o tratamento totalmente gratuito em poucos locais.

Rusaly avalia que o serviço público, de um modo geral, ainda vê a fertilização in vitro como coisa para ricos. “E não é. Não é justo que parte da população seja privada de planejar seus filhos, pois até na Constituição está previsto o direito de planejar a família”, avalia, lembrando que o tratamento não consta na tabela de procedimentos cobertos pelo Sistema Único de Saúde (SUS). “Cabe às secretarias de saúde estaduais decidir se vão oferecer o serviço, a ser financiado pelos estados.”

O centro do HMIB atende em média 300 casais por ano. “Mas no primeiro semestre deste ano só chamamos 120 casais, não é fácil conseguir os recursos”.

O médico João Sabino explica que, do ponto de vista físico, o tratamento não dói. “Mas do ponto de vista emocional, machuca muito. Existe uma dor psicológica forte ao longo do processo, o casal precisa ter o acompanhamento de uma equipe médica bem preparada.”

Rusaly Rulli Costa concorda que o tratamento gera ansiedade e pode causar frustração, pois mexe com os sonhos e desejos mais íntimos das pessoas. “A gente prima pelo acolhimento, com uma equipe multidisciplinar. Somos considerados classe AA no atendimento, pois o processo é extremamente desgastante para os casais que nos procuram.”

Latinidades debate literatura, produção audiovisual e estética da periferia

Mariana Tokarnia – Repórter da Agência Brasil Edição: Maria Claudia

Quando a escritora cubana Teresa Cárdenas aprendeu a ler, começou a buscar personagens que se parecessem com ela nos livros infantis. Ela conta que as protagonistas eram todas loiras, de olhos claros e tinham cabelos que "se moviam com o vento". Sem sucesso, para se ver representada e representar outras tantas crianças negras, Teresa hoje escreve essas histórias e é reconhecida como uma das maiores vozes da literatura infanto-juvenil. "Não sou a única autora negra que escreve para crianças negras, mas quase. Em Cuba há outras duas mulheres e poucos homens".

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Teresa, que é autora de Cartas Para a Minha Mãe e Cachorro Velho, foi uma das participantes dos debates da tarde de hoje (24) no Festival Latinidades. "Um dos meus objetivos é que as meninas e jovens negras se sintam acompanhadas com os livros. Eu não escrevo de negros, escrevo de família, de sentimentos, de angústia, dor, sexo. Sou tida como uma autora de temas difíceis para crianças como a morte, a vida, a vilência, a imigração, partidas, encontros e desencontros", diz.

Teresa reforça que se ver representada é importante para a construção da autoestima. "Lembro que um dia, eu disse para a minha mãe que eu era bonita. Ela me abraçou e disse: eu te amo. Não era a resposta que eu queria. Mas depois eu entendi que ela também sofria [com a discriminação]".

A dificuldade em encontrar livros escritos por mulheres negras e que tenham personagens negros não se restringe a Cuba. Segundo professora de literatura brasileira da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ) Fernanda Felisberto, é difícil encontrar essas obras no mercado e até mesmo identificá-las, pois geralmente circulam sem a foto da autora e as sinopses mascaram o conteúdo.

Fernanda é doutora em literatura comparada e pesquisadora das narrativas negro-diaspórita. Para o doutorado, e para compor o acervo da livraria Kitabu, da qual é sócia, Fernanda encontrou, em 2010, apenas oito autoras negras na América Latina com as obras traduzidas para o português. E as obras de cinco delas não estavam mais disponíveis nas editoras. "A questão de gênero está em pauta, mas nem assim essa narrativa é atraída para o mercado editoral, para que possa ganhar dinheiro conosco. Por isso, é importante o fortalecimento das editoras alternativas, para que esses textos possam chegar até aqui".

Representação na imagem

Outra questão tratada na tarde de hoje foi a estética da periferia. "Hoje, vejo a periferia como o novo centro cultural, de onde aflora a cultura popular do Brasil. Acredito que é nas periferias onde aflora tudo que a gente tem visto, o passinho, o tecnobrega, o queer rap", diz Rico Dalasam, conhecido por inaugurar a cena queer do rap no Brasil, ao unir o rap ao orgulho LGBT [Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transexuais e Transgêneros].

Rico Dalasam define-se como negro, gay, cabelereiro, produtor de audiovisual e rapper. "A forma como me apresento é diferente da forma como retratam a periferia: a garota grávida aos 13, o cara que vai para o crime, sem dizer que isso é mentir, mas existem outras realidades e eu sou uma delas, alterando o que está imposto".

Dalasam defende uma representação da periferia pela própria periferia e diz que os clipes que produz servem de estímulo para outros jovens. "Eu tenho um escritório onde eu toco as minhas coisas. A visão é monetizar o problema. Ser pobre é problema, ser gay é problema? Quando a gente transforma algo que nos oprime em outro produto em benefício nosso, consegue transformar quem está perto de nós, a nossa família, a nossa condição de vida".

O rapper disponibilizou as faixas do primeiro EP Modo Diverso no Youtube. Algumas já têm mais de 14 mil visualizações.

O Festival Latinidades, criado em 2008 para comemorar o Dia da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha,  dia 25 de julho, é o maior festival de mulheres negras da América Latina. O evento  vai até domingo (26). A programação, que inclui palestras, exibições de filmes e shows, está disponível no site www.afrolatinas.com.br.

Ministério vai usar drones na fiscalização de trabalho escravo

Cristina Indio do Brasil - Repórter Agência Brasil Edição: Jorge Wamburg

A equipe de auditores-fiscais da Superintendência Regional do Trabalho e Emprego no Rio de Janeiro (SRTE-RJ) vai utilizar um novo equipamento para a fiscalização no estado: a partir do início de agosto, eles usarão cinco aparelhos voadores não tripulados, os drones, nas operações.



O chefe de Planejamento da Seção de Segurança e Saúde no Trabalho da Superintendência Regional do Trabalho e Emprego no Rio de Janeiro, o auditor-fiscal do trabalho Raul Vital Brasil, disse que outro drone será doado à Polícia Rodoviária Federal: “A Polícia Rodoviária Federal é a nossa principal parceira nas operações de combate ao trabalho análogo a escravo. Como recebemos seis e eles são parceiros nossos achamos viável dar um para a Polícia Rodoviária Federal”.

Os seis drones foram comprados com parte dos R$ 3 milhões pagos pela financeira Losango, integrante do grupo financeiro HSBC, num processo por dano moral coletivo devido à terceirização irregular de empregados. A decisão de repassar uma parcela dos recursos é do Ministério Público do Trabalho no Rio de Janeiro (MPT-RJ), após a assinatura de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC).

O uso de valores de multas foi possível depois da decisão da Câmara de Coordenação e Revisão do Ministério Público do Trabalho (MPT) de janeiro de 2009 destinando os recursos a órgãos e entidades públicas ou privadas que prestam atendimento social ou assistencial. Outra parte da indenização será revertida ao Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT).

Vital Brasil destacou quatro casos de ações em que o equipamento vai permitir a ampliação das fiscalizações. Um deles será em embarcações de pesca, nas quais são registradas ocorrências de trabalho análogo a escravo. “Nas próximas operações de pesca, já pretendemos usar os drones”, disse ele.

Outra situação é em pedreiras, onde os trabalhadores ficam concentrados em alguns locais e quando veem as equipes de fiscalização fogem. O uso do equipamento, neste caso, vai ajudar a localizar os trabalhadores e verificar as condições de trabalho deles.

As operações na área rural também usarão os aparelhos. “Muitas vezes quando a fiscalização chega à fazenda, ela é muito grande e está com a porteira fechada. Com o drone, vai ser fácil localizar onde os trabalhadores estão para podermos chegar até eles”, revelou.

O auditor-fiscal disse ainda que a utilização do equipamento vai favorecer também as fiscalizações em grandes obras, como as que estão sendo feitas para os Jogos Olímpicos de 2016. “Com o drone vamos conseguir sobrevoar as grandes obras, ver o estágio em que estão e saber o melhor momento de agir”, explicou.

Para a utilização dos equipamentos, sete auditores-fiscais do trabalho fizeram durante dois dias um curso de capacitação que terminou ontem (22). Agentes da Polícia Rodoviária Federal também participaram do treinamento. Em cada drone do modelo Inspire1, haverá uma câmera que poderá fazer fotos e gravar vídeos com resolução de até 4K, considerada Ultra HD. Os voos têm duração aproximada de 20 minutos, com alcance de aproximadamente dois quilômetros e a cerca de 70 metros de altura.

A utilização dos drones ainda não foi regulada pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). Por isso, nas operações da SRTE-RJ, inicialmente, os aparelhos serão utilizados em fase de testes. De acordo com a Anac, somente em dois casos é permitido o uso dos equipamentos, em aeromodelismo ou em operações experimentais, mas, mesmo assim, é preciso ter o Certificado de Autorização de Vôo Experimental (Cave), emitido pela Anac e pelo Departamento de Controle do Espaço Aéreo (Decea). Vital Brasil informou que o ministério está encaminhando o pedido de autorização à Anac.

Ataque aéreo turco mata nove membros do Estado Islâmico na Síria

Da Agência Lusa Edição: Juliana Santos Andrade

Os primeiros ataques aéreos turcos no Norte da Síria mataram nove pessoas da organização jihadista Estado Islâmico, informou hoje (24) o Observatório Sírio para os Direitos Humanos (OSHD).



O diretor do OSHD, Rami Abdel Rahman, confirmou à agência France Presse que os aviões de guerra turcos fizeram três ataques aéreos a nordeste da cidade de Alepo, provocando nove mortes e 12 feridos, que foram transportados para um hospital da cidade.

Segundo o Observatório, a investida aérea, a oeste de Jarablus, perto da fronteira turca, teve como alvo posições dos membros do Estado Islâmico. O lançamento de mísseis, pelos caças F-16, foram as primeiras ações da aviação turca contra a posição dos extremistas na Síria.

O primeiro-ministro turco, Ahmet Davutoglu, disse que os ataques comandados pela Turquia, foram em resposta ao ataque de quinta-feira (23), do Estado Islâmico ao Exército turco, que resultou em uma morte e dois feridos. Ele ressaltou que os ataques turcos têm cumprido o seu objetivo e vão continuar.

A Turquia fez ontem (23) uma grande operação para desmantelar redes terroristas no país, resultando na prisão de 251 suspeitos, segundo comunicado divulgado pelo gabinete do primeiro-ministro.


Brasileiro suspeito de abuso sexual está "muito abalado", diz diretor da CBDA

Marcelo Brandão – Repórter da Agência Brasil Edição: Maria Claudia

O diretor executivo da Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos (CBDA), Ricardo de Moura, disse que o goleiro da seleção brasileira de Polo Aquático, Thye Bezerra, está “muito abalado” com a suspeita de abuso sexual que recai sobre ele. O time brasileiro de polo aquático, acompanhado por Moura, está em Kazan, na Rússia, para a disputa do Mundial de Esportes Aquáticos.



“A notícia pegou todo mundo de surpresa, inclusive o atleta. Ele está muito abalado. Acho que foi tudo muito precipitado”, disse Moura. Em contato telefônico com a reportagem da Agência Brasil, ele evitou comentar a posição pessoal do atleta e disse apenas que vai aguardar a atuação dos advogados antes de emitir um comunicado oficial. Além disso, ele não confirmou nem descartou a possibilidade de Bezerra deixar a competição e voltar para o Brasil.

“Vamos traçar nossa estratégia. Vamos depender da estratégia que será tomada para nos manifestarmos sobre o caso”, explicou. O advogado da CBDA está no Rio de Janeiro, mas deve trabalhar na defesa de Thye, que já tem mandado de prisão emitido contra ele. O advogado do Comitê Olímpico Brasileiro (COB) está em Toronto para acompanhar os Jogos Pan-Americanos e pode também atuar no caso.

A denúncia de abuso sexual, supostamente cometido pelo atleta, foi revelada hoje (24) pela polícia canadense. Segundo a inspetora de Crimes Sexuais Joanna Beaven-Desjardins, na manhã do último dia 16, Bezerra e outro integrante da equipe brasileira de polo aquático estavam na casa da mulher, junto com uma amiga dela. A vítima disse à polícia que foi dormir e que Bezerra entrou em seu quarto e  abusou sexualmente dela.

A inspetora não quis comentar se houve estupro. De acordo com a polícia canadense, abuso sexual é qualquer forma de contato sexual indesejado e inclui beijo, toque, sexo oral e penetração. Joanna também informou que não houve arrombamento da casa e disse que acredita no envolvimento do brasileiro. “A investigação nos dá certeza do envolvimento dele no crime.”

Bezerra estava em Toronto entre os dias 3 a 16 deste mês para disputa dos Jogos Pan-americanos. O time brasileiro conquistou a medalha de prata, após enfrentar os Estados Unidos na final por 11 a 9.

O Ministério das Relações Exteriores informou que o Consulado Geral em Toronto tomou conhecimento do caso pelas autoridades locais. "O consulado está em contato permanente com o Comitê Olímpico Brasileiro e as autoridades canadenses, com vistas a acompanhar os desdobramentos jurídicos do caso. A Embaixada do Brasil em Moscou, onde se encontra o atleta, também está ciente do caso", diz, em nota, o Itamaraty.

Brasil vence dominicanos e se classifica para final do basquete masculino no Pan

Da Agência Brasil Edição: Jorge Wamburg

Vitória sobre a República Dominicana leva brasileiros à final do basqueteDivulgação/Comitê Olímpico Brasileiro
A seleção brasileira de basquete masculino venceu hoje (24) a República Dominicana nos Jogos Pan-Americanos de Toronto, no Canadá, e garantiu vaga na final. Em um jogo equilibrado, o Brasil ganhou por 68 a 62, mas os dominicanos chegaram a liderar o placar nos últimos minutos até que os brasileiros consolidaram a vantagem de seis pontos.

O adversário para a final, que será disputada amanhã (25), sai do confronto entre Estados Unidos e Canadá. Com a vitória contra os dominicanos, a seleção brasileira já tem garantida pelo menos a medalha de prata, se perder a decisão contra norte-americanos ou canadenses.

No atletismo, o Brasil se classificou para a final do revezamento 4x400 metros (m) masculino, que será disputada amanhã, com o quarto melhor tempo das eliminatórias. “Todos nós demos 100% para estar nesta final, e nosso objetivo agora é ganhar a medalha”, disse Jonathan da Silva, um dos atletas que formam a equipe brasileira.

A equipe feminina do revezamento 4x400m foi eliminada após terminar sua bateria classificatória na sexta colocação. Nos 110m com barreiras masculino, os dois brasileiros ficaram fora da final. Eder Souza foi o sexto colocado na sua bateria e Jonatha da Silva fez também foi eliminado sem ter a chance de lutar por uma medalha.

No arremesso de disco feminino, Fernanda Martins ficou em quarto. “Esperava arremessar bem mais longe. Agora preciso esfriar um pouco a cabeça, entender onde errei e melhorar muito minha parte técnica para o Mundial da China”, explicou Fernanda. Cuba levou as medalhas de ouro e prata e os Estados Unidos ficaram com o bronze.

Os brasileiros também não conseguiram medalha no salto triplo masculino. Jefferson Sabino foi o quinto colocado e Jean Rosa ficou na décima quarta posição. O cubano Pablo Pichardo venceu a prova e ficou com o ouro.

A equipe brasileira de esgrima, na espada, perdeu para a Venezuela por 45 a 28 e foi eliminado nas quartas de final.

Com os resultados, o Brasil segue na terceira posição no quadro de medalhas, com 34 de ouro, 34 de prata e 53 de bronze, totalizando 121 medalhas. Os Estados Unidos estão em primeiro, com 86 medalhas de ouro, e o Canadá, em segundo, com 69 ouros.

Confira o quadro de medalhas do Pan aqui.


Estados adotam estratégias para investigar a Síndrome de Guillain-Barré

Edwirges Nogueira - Correspondente da Agência Brasil/EBC* Edição: Stênio Ribeiro

O número de casos confirmados da Síndrome de Guillain-Barré (SGB) no estado da Bahia subiu para 53 casos. A informação está no boletim da Secretaria Estadual da Saúde (Sesab) desta sexta-feira (24). Em relação ao boletim anterior, divulgado na terça-feira (21), são três casos novos. Para enfrentar o número crescente da doença, a Sesab montou uma estratégia que envolve diversos profissionais. Entre as ações, está a definição de 12 hospitais de referência, a reserva de 16 leitos nas unidades da capital e do interior e o início de uma investigação epidemiológica.



Como a Síndrome de Guillain-Barré não é de notificação compulsória, não há informações exatas sobre a quantidade de casos confirmados da doença em anos anteriores. No entanto, pelo cenário que se desenhou este ano, os profissionais dos hospitais dizem que o número de atendimentos de casos é muito maior do que em outros anos, relata a superintendente de Vigilância e Proteção à Saúde da Bahia, Ita de Cácia. Ela informa ainda que a Sesab faz estudo retrospectivo para levantar números anteriores da doença no estado.

O Ministério da Saúde auxilia a Bahia com o envio de imunoglobulina, utilizada no tratamento da SGB. Em junho, foram enviadas 300 unidades e, conforme Ita, o estado deve receber, em breve, mais 1.000 ampolas do medicamento.

A síndrome é considerada uma doença neurológica rara. Ela provoca fraqueza muscular e pode gerar paralisia em membros do corpo. De acordo com a superintendente, as constatações da investigação epidemiológica da síndrome levam os profissionais da saúde a relacioná-la a doenças causadas por vírus, especialmente dengue, chikungunya e Zika vírus.

“Estamos enfrentando atualmente uma tríplice epidemia", disse ela, e explicou que normalmente, quando há tantas pessoas submetidas a um processo infeccioso, o desenvolvimento de um sintoma neurológico nelas fica mais propício, por causa da baixa imunidade. A Guillain-Barré é um desses sintomas, acrescentou a superintendente.

O Ministério da Saúde informa que, até o momento, não há estudos que façam relação entre essas doenças e a SGB, mas o boletim da Sesab constata que dos 53 casos confirmados, 49 ocorreram em pessoas que já tiveram alguma doença exantemática (que causa vermelhidão na pele, a exemplo das três transmitidas pelo mosquito Aedes aegypti).

Além da Bahia, pelo menos outros três estados do Nordeste confirmaram casos da síndrome. No Ceará, são dez casos confirmados até o mês de abril. A Secretaria da Saúde (Sesa) explica, por meio de nota, que “não há variação significativa de casos”, comparando com anos anteriores. Em 2014, foram 38 casos e, em 2013, 32. Assim como a Sesab, a Sesa também instituiu a notificação e o detalhamento das ocorrências atendidas nas unidades de Saúde.

No Maranhão, há 14 casos de SGB confirmados, com três mortes. Segundo nota da Secretaria de Estado da Saúde (SES), dentre os 14, oito confirmaram ter tido alguma virose antes. O secretário da Saúde, Marcos Pacheco, considera que essa relação do paciente, que teve doença causada por vírus e depois desenvolveu a síndrome, é “meramente temporal”. Segundo ele, “houve incremento de casos agora, logo depois desses surtos [de dengue, chikungunya e Zika vírus], mas essa relação é presumida. É uma coincidência que leva qualquer autoridade sanitária a ficar pensando nessa relação”.

Por conta dessa possibilidade, os gestores da Bahia e do Maranhão reafirmam a importância do combate ao Aedes aegypti. Ambos explicam que a preocupação primária é com o controle das epidemias causadas pelas doenças transmitidas pelo mosquito. “É importante a gente pensar nessa hipótese, porque faz com que nós possamos reforçar nossos cuidados com o vetor. É fundamental que a gente fique responsavelmente antenado nessa possível relação”, ressalta o secretário da Saúde do Maranhão.

*Colaborou Maíra Heinen, repórter do Radiojornalismo



Instalada a Câmara de Patrimônio do Conselho Estadual de Cultura


Foto: Karina Muniz / Ascom CEC
Cinco membros titulares do Conselho Estadual de Cultura assumiram, na quinta-feira (23), os trabalhos da Câmara de Patrimônio Histórico, Artístico, Arqueológico e Natural. Regida pela lei 8.895/03, a Câmara é o principal instrumento de trabalho do Conselho, tendo como principal missão analisar e emitir parecer sobre pedidos de registros (patrimônios intangíveis) e tombamentos (bens materiais) encaminhados pelo Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia (Ipac).

Outros três conselheiros ganharam assento na Câmara como suplentes. Todos os nomes foram apoiados em Sessão Plenária na sede do órgão, no Campo Grande. O evento foi mediado pelo presidente do Conselho Estadual de Cultura, Márcio Ângelo Ribeiro, que ressaltou a importância da formação técnica e da habilidade dos membros do Conselho para atuar em um setor como patrimônio. “Alguns conselheiros apresentaram interesse em participar da Câmara, outros foram indicados pela própria experiência e conhecimento acumulado. Conseguimos, dessa forma, buscar meios para dar andamento aos importantes processos ligados ao patrimônio histórico da Bahia”, afirmou.

Os integrantes titulares da Câmara de Patrimônio são Virgínia Coronago (mestre e doutora em Ciências Sociais), Arany Santana (diretora do Centro de Culturas Populares e Identitárias - CCPI), Ana Vaneska (mestranda em cultura e sociedade), Edvaldo Vivas Gomes (coordenador do Núcleo de Defesa do Patrimônio Histórico, Artístico e Cultural do Ministério Público do Estado) e João Carlos de Oliveira (diretor do Ipac).

Como suplentes estão Aurélio Schommer (escritor e curador da Flica), Maria Ivanilde Ferreira (mestre em sociologia) e Zulu Araújo (diretor da Fundação Pedro Calmon - FPC). O conselheiro João Carlos de Oliveira, diretor do Ipac, ressaltou a importância de estabelecer políticas públicas de salvaguarda do Patrimônio Cultural em todo o estado. “A Câmara de Patrimônio é fundamental e agora podemos começar os encaminhamentos. Queremos aprofundar a discussão sobre a preservação do patrimônio cultural nos 27 Territórios de Identidade da Bahia”, disse.

Comissões

No mesmo evento foram instaladas quatro comissões, cada uma delas com cinco membros. Apesar de possuírem objetivos específicos, as comissões têm em comum a missão de reunir informações norteadoras à criação do plano estratégico de ação do Conselho Estadual de Cultura pelos próximos dois anos.

A Comissão de Legislação e Normas fará um levantamento dos decretos, portarias e resoluções referentes à cultura. Sua prioridade é lidar diretamente com a Lei Orgânica da Cultura, o Plano Estadual de Cultura e a lei do Fundo de Cultura. Tiveram interesse em participar desta comissão os seguintes conselheiros: Acácia Maria do Nascimento, Ive Sacramento, Javier Alfaya, Pawlo Cidade e Sumário Santana.

Já a Comissão de Setoriais e Linguagens Artísticas tratará dos assuntos relacionados aos Colegiados Setoriais, os fóruns e linguagens artísticas. Seu foco principal é acompanhar o andamento dos Planos Setoriais de Cultura, documentos em fase de elaboração pelos Colegiados Setoriais e que, em seguida, serão apreciados pelo Conselho Estadual de Cultura. O conselheiro Jorge Baptista Carrano será o presidente desta comissão, coordenando as ações ao lado dos conselheiros Fernando Teixeira, Fernanda Tourinho, João Carlos de Oliveira e Pan Batista. Já o conselheiro suplente Luciano Rocha Santos foi convidado a ser colaborador nos trabalhos.

Outro grupo está na Comissão de Fomento, cujo foco são os meios de incentivo à cultura, os mecanismos de fomento e projetos com incentivos fiscais. O conselheiro José Vagner Araujo Lavor será o presidente da comissão e conduzirá os trabalhos em parceria com os conselheiros Fábio Mendes da Silva, Arany Santana, Tito da Silva Santos e Zulu Araújo.

Há ainda a Comissão de Sistema Municipal de Cultura, que tem objetivo de apurar o levantamento realizado pela Secretaria de Cultura da Bahia (SecultBa) focado nos municípios que possuem Plano de Cultura, Fundo de Cultura, Sistema Municipal de Cultura e Conselho Municipal. Compõem esta comissão os seguintes conselheiros: Edvaldo Gomes Vivas, Emílio Carlos Tapioca, Luiz Aldo Araujo, Sílvio Roberto Portugal e Virgínia Coronago.

Secom Bahia

Governo inicia requalificação de ruas do Centro Antigo de Salvador


Moradores dos bairros Saúde, Santo Antônio Além do Carmo, Barris e Tororó, em Salvador, serão os primeiros beneficiados com as obras de pavimentação e requalificação de vias. A ordem de serviço para o início das obras será assinada pelo governador Rui Costa nesta segunda-feira (27), às 9h, no Largo da Saúde, em frente à Igreja da Saúde.




Essa será a primeira etapa de um total de cinco lotes. Parte integrante do Plano de Reabilitação do Centro Antigo de Salvador, o projeto investirá R$ 123 milhões na melhoria da infraestrutura urbana em mais de 200 ruas da região.

Secom Bahia

Obama chega ao Quênia, terra natal de seu pai

Da Agência Lusa Edição: Juliana Santos Andrade

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, chegou hoje (24) ao Quênia, o país natal de seu pai, para iniciar uma visita inédita, sob fortes medidas de segurança. Ele deve participar de um evento mundial de empreendedorismo na capital queniana. Depois do Quênia, Obama viajará para a Etiópia. O Air Force One, avião do presidente norte-americano, aterrissou no aeroporto de Nairóbi por volta das 20h (14h no Brasil). Obama foi recebido pelo presidente do Quênia, Uhuru Kenyatta,



O tráfego aéreo foi brevemente interrompido, devido à chegada do presidente norte-americano, e parte da capital foi isolada durante os dois dias da visita. A principal preocupação das autoridades é com os islamitas somalis shebab, ligados à Al-Qaeda, que provocaram ataques de grande dimensão no Quênia, como o atentado ao centro de Nairóbi, em 2013, que deixou 67 mortos, e o massacre na universidade de Garissa, com 148 mortos.

O presidente dos Estados Unidos deve discursar amanhã (25) e se reunir com Kenyatta para discutir questões econômicas e de segurança, além de assuntos ligados aos direitos humanos.O presidente queniano espera que a visita ajude o país  a recuperar a imagem, que nos últimos anos foi degradada pelos problemas de segurança.


Caixa libera R$ 4 bilhões para financiamento imobiliário com recursos do FGTS

Wellton Máximo - Repórter da Agência Brasil Edição: Aécio Amado

Os mutuários que contribuem para o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) terão uma opção a mais para o financiamento da casa própria. A Caixa Econômica Federal liberou R$ 4 bilhões para a linha de crédito imobiliário pró-cotista, criada pelo Conselho Curador do FGTS em maio.



A linha financia até 85% de imóveis que custam até R$ 400 mil com prazo máximo de 360 meses (30 anos). As taxas efetivas de juros variam de 7,85% a 8,85% ao ano, dependendo do grau de relacionamento do cliente com a Caixa. Quem é correntista ou tem conta-salário no banco é beneficiado com taxas menores.

De acordo com a Caixa, o banco destinou em 2015 R$ 1,35 bilhão a clientes que procuraram a linha pró-cotista. Para ter direito a essa modalidade de crédito, o mutuário não pode ser proprietário de imóvel no município onde reside ou trabalha, nem nos municípios vizinhos ou integrantes da mesma região metropolitana.

O cliente precisa ainda ter contribuído ao FGTS por pelo menos 36 meses, consecutivos ou não. Caso o cliente não tenha contrato de trabalho ativo, deve ter saldo em conta vinculada do FGTS correspondente a, no mínimo, 10% do valor do imóvel.

A Caixa é o segundo banco oficial a reforçar o orçamento das linhas pró-cotista nos últimos dias. Ontem (23), o Banco do Brasil liberou R$ 1 bilhão para a modalidade de crédito. O banco financiará até 90% do valor dos imóveis, também na faixa de até R$ 400 mil, com juros de 9% ao ano.


Ex-carcereiro de prisão romena é condenado por crimes contra a humanidade

Aline Moraes – Correspondente da Agência Brasil/EBC Edição: Stênio Ribeiro

Aos 89 anos, Alexandru Visinescu foi condenado a 20 anos de cárcere por ter comandado uma prisão na Romênia, onde morreram pelo menos 12 presos políticos durante os anos 1950 e 1960, sob o regime comunista. O julgamento, concluído nesta sexta-feira (24), durou quase um ano, e é o primeiro no país a tratar de crimes contra a humanidade, cometidos no período.



De 1956 a 1963, Visinescu chefiou a prisão Râmnicu S rat, conhecida como “a prisão do silêncio”, onde os detidos – opositores ao Partido Comunista romeno – eram mantidos em solitárias, sem comida, e torturados.

Além dos 20 anos de prisão, a sentença determina que o ex-carcereiro pague 300 mil euros como compensação aos parentes das vítimas. Visinescu nega as acusações e diz que estava apenas seguindo ordens. Ele ainda pode recorrer da sentença, mas, segundo a advogada de defesa, Visinescu ainda não decidiu se vai apelar.

Estima-se que mais de 500 mil pessoas foram mandadas para a prisão pelas antigas autoridades comunistas. O Instituto Romeno para a Investigação de Crimes Comunistas, que iniciou o caso contra Visinescu, listou 34 oficiais acusados de cometer abusos contra os direitos humanos. Um deles, Ion Ficidor, que comandava um campo de concentração, está em processo de julgamento desde abril deste ano, acusado pela morte de 103 pessoas.

O regime comunista no país terminou em 1989, com a Revolução Romena.


Canadá emite mandado de prisão contra brasileiro por suspeita de abuso sexual

Ana Cristina Campos * - Repórter da Agência Brasil Edição: Valéria Aguiar

Segundo a inspetora de Crimes Sexuais, Joanna Beaven-Desjardins, a vítima contou que o abuso ocorreu no dia 16 de julhoReprodução/Youtube/Polícia do Canadá
A polícia de Toronto expediu hoje (24) mandado de prisão contra o atleta Thye Mattos Ventura Bezerra, de 27 anos, da equipe brasileira de polo aquático que participou dos Jogos Pan-Americanos, no Canadá, por suspeita de abuso sexual a uma mulher de 22 anos. A polícia divulgou a foto do brasileiro e o telefone da polícia para receber denúncias por suspeitar que pode haver outras vítimas.

Segundo a inspetora de Crimes Sexuais Joanna Beaven-Desjardins, na manhã do dia 16 de julho, Bezerra e um outro integrante da equipe brasileira de polo aquático estavam na casa da mulher junto com uma amiga dela. A vítima disse à polícia que foi dormir e que Bezerra entrou em seu quarto e a abusou sexualmente. A inspetora não quis comentar se houve estupro. Ela informou que não houve arrombamento da casa. “A investigação nos dá certeza do envolvimento dele no crime”, disse.

De acordo com a polícia canadense, abuso sexual é qualquer forma de contato sexual indesejado e inclui beijo, toque, sexo oral e penetração.

No dia 15 de julho, a equipe brasileira masculina de polo aquático conquistou a medalha de prata nos Jogos Pan-Americanos.

Segundo a Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos (CBDA), a equipe brasileira está na Rússia para a disputa do Mundial da categoria. A assessoria da CBDA entrou em contato com o chefe da equipe e diretor executivo da confederação e ambos declararam não ter ainda tido conhecimento do fato.

O Comitê Olímpico Brasileiro (COB) ainda não se pronunciou sobre o caso.

*Colaborou Marcelo Brandão

Canadá investiga caso de assédio sexual envolvendo brasileiro do polo aquático

Ana Cristina Campos - Repórter da Agência Brasil Edição: Maria Claudia

A polícia canadense está investigando um caso de assédio sexual envolvendo um integrante da equipe brasileira de polo aquático nos Jogos Pan-Americanos de Toronto, no Canadá, de acordo com um comunicado emitido hoje (24) pela instituição.



Segundo a nota da polícia de Toronto, a inspetora de crimes sexuais Joanna Beaven-Desjardins dará uma entrevista coletiva para divulgar mais detalhes da investigação na tarde desta sexta-feira. A polícia não informa se o envolvido é vítima ou autor do assédio nem se é homem ou mulher.

Turquia ataca Estado Islâmico

Da Rádio França Internacional*

A Turquia entrou de vez na luta contra o grupo Estado Islâmico (EI). O país fez os primeiros bombardeios aéreos na madrugada desta sexta-feira (24) contra posições dos “jihadistas” na Síria. Ancara já havia feito ataques ontem (23) em resposta a morte de um militar turco em um confronto com “jihadistas” na fronteira da Turquia com a Síria.



Nessa manhã (24), três caças F-16 atiraram quatro mísseis teleguiados que visaram três alvos: dois bairros e um local de reunião do grupo EI. O ataque foi feito na fronteira entre os dois países.

Ao mesmo tempo foi lançada uma vasta operação policial contra supostos extremistas do grupo Estado Islâmico e rebeldes do Partido dos Trabalhadores do Curdistão  (PKK) que é a tradicional oposição ao governo. Cerca de 5 mil militares turco trabalham em 30 pontos da cidade de Istambul e outras 13 províncias do país. Foram presas 251 pessoas.

Essa é a maior operação de Ancara na luta contra o terrorismo desde que o grupo Estado Islâmico tomou áreas da Síria, no ano passado. Na segunda-feira (20) um atentado suicida reivindicado pelos jihadistas na cidade turca de Suruc matou 2 pessoas, a maioria de militantes curdos. O governo turco anunciou a permissão para que os Estados Unidos executem operações aéreas contra o Estado Islâmico, a partir da base de Incirlik no Sul do país.

Com imformações da Radio França Internacional*


Obama dedica orações às vítimas do tiroteio em Louisiana

Da Agência Lusa

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, dedicou hoje (24) "pensamentos e orações" às vítimas do tiroteio em um cinema em Louisiana. O ato fez três mortos, entre eles, o atirador e nove feridos, segundo um comunicado da Casa Branca.



“Os pensamentos e as orações de todos na Casa Branca, incluindo o presidente e a primeira-dama, estão com a comunidade de Lafayette, Louisiana, especialmente com as famílias das duas pessoas que foram mortas”, informou o comunicado.

Obama encontrava-se em viagem para o Quênia quando foi informado sobre o incidente, disse o porta-voz da Casa Branca Josh Earnest em nota. “O presidente recebeu as informações de Lisa Monaco, a sua conselheira para a segurança, sobre o tiroteio em um cinema no Estado de Louisiana”, explica a nota, acrescentando que Barack Obama pediu que a sua equipe o informasse sobre a investigação e o estado de saúde dos feridos.

A nota da Casa Branca foi divulgada algumas horas após um atirador ter disparado sobre a plateia de um cinema no estado norte-americano do Louisiana, matando duas pessoas e cometendo suicídio em seguida.

O tiroteio ocorreu no Grand Theater, em Lafayette, município com cerca de 120 mil habitantes, depois das 19h (20h no horário de Brasília) de quinta-feira (23). O cinema exibia a comédia Trainwreck, para uma plateia de cerca de 100 pessoas.

"O meu coração está destroçado e todos os meus pensamentos e orações estão com os habitantes de Louisiana", escreveu no Twitter a atriz Amy Schumer, protagonista do filme. O tiroteio ocorreu depois de um júri ter deliberado a pena de morte para o autor do massacre em 2012 em um cinema do Colorado e que causou 12 mortes e deixou 70 feridos.


Banco Central: há avanços no combate à inflação, mas persistem riscos para 2016

Kelly Oliveira – Repórter da Agência Brasil Edição: José Romildo

Mesmo com alguns resultados positivos inegáveis, acontecimentos recentes mostram que existem novos riscos para o resultado da inflação em 2016. Isso pode afetar as expectativas de inflação no longo prazo, disse o diretor de Política Econômica do Banco Central (BC), Luiz Awazu Pereira da Silva.



Ele participa do seminário Assessing International Capital Flows after the Crisis (Avaliando Fluxos de Capitais Internacionais depois da Crise). O evento, que ocorre no Rio de Janeiro, é organizado pelas seguintes instituições: Banco Central do Brasil, Irving Fisher Committee on Central Bank Statistics (IFC/BIS) e Centro de Estudos Monetários Latino-Americanos (Cemla). O seminário é fechado à imprensa, mas o BC divulgou o discurso do diretor.

A diretoria do BC tem dito que a inflação deve convergir para a meta de 4,5% em 2016. Neste ano, no entanto, o BC projeta a inflação em 9%, bem acima do limite superior da meta, de 6,5%.

O diretor destacou que o país passa por um processo de alinhamento dos preços livres e administrados, internos e externos. Segundo ele, recentemente esse duplo ajuste de preços influenciou a inflação no primeiro semestre, aumentando a inflação em 12 meses. Com isso, as expectativas de mercado da inflação ainda estão acima da meta no final de 2016.

Para ele, há sinais positivos da convergência da inflação para 4,5% no próximo ano, mostrando que o BC está no caminho certo. “No entanto, o progresso até agora na luta contra a inflação precisa ser equilibrado contra riscos recentes que ameaçam nosso objetivo central”, disse. O diretor acrescentou que o BC deve permanecer cauteloso no momento atual.

A Selic já passou por seis altas seguidas e está atualmente em 13,75% ao ano. A próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do BC, que define a Selic, está marcada para 28 e 29 deste mês.

A taxa é usada nas negociações de títulos públicos no Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Selic) e serve como referência para as demais taxas de juros da economia. Ao reajustá-la, o BC contém o excesso de demanda que pressiona os preços, porque os juros mais altos encarecem o crédito e estimulam a poupança. Embora ajude no controle dos preços, o aumento da taxa Selic prejudica a economia, que atravessa um ano de recessão, com queda na produção e no consumo.